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domingo, 27 de maio de 2012

Curtas urbanas

Gláuber e Júlia são um casal que se "amam" muito e aproveitando a deixa de um apagão no condomínio para discutir a relação e relembrar alguns fatos.

O apagão.

Júlia está batendo algo no liquidificador, falta luz.
-Droga, na hora da minha vitamina de banana.
-Droga bem na hora do jogo do Flamengo.
-Gláuber acenda uma vela.
Ela vai pra sala e ver Gláuber com uma lanterna.
-Eu falei vela Gláuber. Você é surdo?
-Vou procurar meu rádio de pilha.
-Gláuber você é velho hein! Você pode muito bem escutar a porcaria dessa partida pelo celular.
Júlia acende uma vela.
-Pra quê vela se tem lanterna?
-Eu quero acender a vela posso? Tem muita vela em casa. Eu não quero ser uma colecionadora de velas. Compro pra acender para os finados da família, mas infelizmente ninguém morre nessa família.
-Vamos jogar buraco?
-Você não tem nada mais interessante pra fazer. Eu aposto que nossos vizinhos não estão jogando buraco nesse momento, devem estar aproveitando pra brincar com outros buracos. Ah tive uma ideia, vamos ficar ouvindo o que nossos vizinhos estão fazendo.
-Não. Você se lembra como terminou da outra vez, eu levei uma dedada no cu e você ficou toda arrebentada.
-Maldita cigana, eu deveria ter acreditado nela e ter me separado de você enquanto te namorava.
                                                        ***
Júlia e Gláuber jovens passeando de mãos dadas, se beijam.
-Posso ver o futuro do lindo casal?
Eles se olham e Júlia sorrir e oferece a mão.
-Como será meu futuro com Gláuber?
A cigana olha pra Júlia.
-Sabe quando estamos com diarreia e tiramos a roupa intima e vemos aquele estrago, aquela linha, aquele rojão...aquele borrão no meio?
Sei... Deixa eu ver se entendi. Você está dizendo que meu destino está cagado? É isso?
-Mais ou menos isso.
-Gláuber me segura que vou dá umas bifas nessa mulher.
-Espera é a entidade que está dizendo.
-Então manda descer essa entidade porque tenho uma coisinhas não muito legais pra dizer a essa criatura. Gláuber tapa os ouvidos que meu vocabulário de palavrões é mais extenso do que a de Dercy Gonçalves.
-Júlia só falta essa você brigar com entidade.
-Isso é coisa que se diga pra uma pessoa.
-Quanto é? -Gláuber.
-R$ 50,00
-O quê? Querida por R$ 50,00 você poderia ter mentido né? Gláuber não vamos pagar porra nenhuma, vamos.
-Espera aê. -A cigana.
                                                              ***
-Mas eu tinha que ter adivinhado como ia ser minha vida com você já pelo casamento. O carro que o seu foi me pegar quebrou e o filho da mãe nem pagou um táxi me enfiou numa combe  lotada.
                                                            ***
A combe lotada pára e entra uma gordona.
-Licencinha, desculpa. Peraê gente me dê um espaço aí? -Ela senta uma banda da bunda nas pernas do pai de Gláuber.
-Ai, não estou sentindo minhas pernas. Minha mão tá aonde? Eu tô pegando o quê?
-Ei tio é melhor o senhor num sabê no que tá pegando.
-Ai Tô passando mal, acho que vou morrer. -Uma senhora.
-Pelo amor de Deus não tenho licença pra dirigir na cidade. -O motorista.
A senhora solta um peido.
-Minha senhora você não vai morrer, você já está é morta. -Um rapaz.
-Meu Deus não posso entrar na igreja com esse cheiro -Júlia.
Júlia se levanta e fica encurvada na combe com buna encostada na janela.
-Meu filho acelera esse carro pelo de Deus. -Outra mulher.
-Oh minha senhora só se eu passar por cima dos carros. Não tá vendo desgraça que tá tudo engarrafado?
-Ai eu quero sair. -A senhora
-Gente é melhor tirar essa criatura daqui. -Um homem.
-Ah não, demorei muito pra me acomodar. Eu não vou levantar não. -A gordona.
A senhora solta outro peido.
-Ai Jesus esse foi pior do que o primeiro. -O pai de Gláuber.
A combe pára e entra mais um passageiro, e ao fechar a porta o rabo do vestido de Júlia fica do lado de fora.
-Minha nossa o que é isso? Tem peixe morto aqui dentro? O homem que entrou.
Passa um carro e leva o rabo do vestido de Júlia.
-Nossa até que agora tá dando um ventinho bom. -Júlia.
-Minha filha, não olhe agora mas seu rabo tá todo do lado de fora. - O pai de Gláuber.
                                                     ***
-Toda a Avenida Paulista viu minha bunda. Mas todo mundo pensou que eu não ia casar. Mas casei, entrei na igreja assim mesmo. Mas pior que o casamento foi a Lua-de-mel, a casa que sua mãe te deu pra passarmos a lua-de-mel. Sua mãe te ama Gláuber. A gente demorou dois dias pra entender porque só tinha a gente naquele lugar. A casa no meio do nada, só mato, cheio de sapo, a casa toda esburacada. Eu não sei se eu não dormir por causa do coaxar dos sapos ou por causa das pingueiras. Mas até hoje me pergunto que criatura constrói uma casa perto de barragem de uma usina hidrelétrica . Não é de Deus não.
-Quando a gente conseguiu dormir a sirene da usina nos acorda.
-Mas o mais impressionante é que a casa ficou em pé depois da enchente.
-Não, o mais impressionante foi você no dia seguinte tentar vender a casa.
                                                           ***
Um casal aparece interessando em comprar a casa.
-Cadê a vizinhança? -O homem.
-Pra quê vizinhos? existe coisa mais chata que vizinho? -Júlia.
-E podemos ver a casa por dentro? -A mulher.
-Não mandamos foto? Vocês não viram?
-Você disse que a casa era em frente ao mar. -A mulher.
-É em frente, bem lá na frente.
-Eu não tô vendo.
-Querida se eu tô dizendo que tem mar lá na frente é porque tem mar lá na frente.
-Querida acho melhor  não comprarmos a casa. -O homem.
-Não, vocês vão ficar com a casa. -Júlia tira uma arma da bolsa.
-Júlia o que você  está fazendo? -Gláuber.
-Entram na casa bora e não olhe para atrás, passa o cheque.
O homem dá o cheque.
-Não nos mate. -eles entram na casa e Júlia passa a corrente e prende  com cadeado.
-Bora Gláuber.
-Socorro! Ai tem sapos aqui dentro. -A mulher dentro da casa.
E Júlia e Gláuber partem com o carro.
                                                   ***
A luz voltou.
-A luz voltou. vamos fazer o quê agora? -Gláuber.
-Eu vou terminar de bater minha vitamina de banana.
-Eu vou ver se ainda está passando a partida do Flamengo.

-.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Curtas urbanas.

Comprar um carro é um grande acontecimento, mas essa tarefa fica difícil quando você tem como esposa a Júlia e como marido o Glauber. Aí tudo termina em confusão ou melhor ainda numa encrenca tremenda.

O sequestro.

-Temos esse Audi 169 com ar-condicionado, portas com travamento eletrônico, bancos cobertos com pele de hiena. R$ 69.949,00.
-Quanto?
-Só R$ 59.949,00.
-Ele leva.
-Júlia!
-Nem que a gente passe a vida pagando, a pé não ando mais.
-E quem disse que você vai usar o carro?
-Glauber você não vaid eixar eu usar o carro?
-Júlia o dinheiro é meu.
-Eu fiz curso de direção.
-E foi reprovada três vezes.
-Você é mesquinho Glauber. Glauber você pega esse carro e o...
-Senhora acalme-se. - o vendedor.
-Quem disse que eu estou nervosa? Eu posso gritar que isso não significa que estou nervosa, eu posso ameaçar quebrar tudo aqui e isso não quer dizer que estou nervosa.
-Júlia conversamos em casa. - o vendedor.
-Eu só quero saber se vão comprar o carro.
-Cala boca porra! - os dois.
-Glauber eu casei sem saber a sogra  que eu iria ter. Eu aturei até as traições com as botas.
-Júlia menos. - ele vira-se para o vendedor -Eu vou levar o carro.
-Júlia emburrada dentro do carro e Glauber dirigindo.
-Vou entrar no posto para abastecer o carro..
Abastecem o carro e saem.
-Ainda brava comigo?
-Eu tô com cara de mal comida?
-E como seria cara de mal comida?
-Ao amanhecer experimente você se levantar e olhe para a minha cara.
-Assalto! Saem do carro.
-Pelo amor de Deus!
-Glauber deu agora pra ser religioso. Você era um berege.
-Herege Júlia!
Entra os assaltantes no carro.
-Levem ele, pois amanhã tenho hora marcada no salão.
-Vai anda! - o assaltante.
-Ai minha Nossa Senhora -Glauber tremendo -Isso é um assalto?
-Tu é lento hein tio! É um sequestro. E aqui não é TV da Xuxa, é a realidade sacou?
Os bandidos levam Júlia e Glauber a uma casa perto de um matagal.
Jogam Júlia no colchão.
-Aí! Eu sou sensível.
-Sequela o cara tá todo mijado.
-Glauber. -Júlia começa a dar tapas ombro dele -Seja homem uma vez na vida, eu sei que é difícil. Não liguem ele é meio  lesado da cabeça, casei com ele por causa das cotas.
-Júlia!
-Vai por mim é melhor sair com fama de demente do que sair da história com fama de covarde. - fala no ouvido do marido -Eu aposto até que ele agora tá todo cagado.
-Liga pra quem pra pedir o resgate?
-Mainha. -Glauber.
Júlia dá risada.
-Desistam de ver a coro do dinheiro. A mãe de Glauber é canguinha, mão de vaca. Pode jogar agente no Tietê para virar comida de peixe.
-Júlia!
-Fiquem caladinhos, vamos entrar em contato. -se retiram e trancam a porta.
-Que fofo! Eles deixaram colchão pra nós -Júlia senta no colchão -sabe me simpatizei com eles. Eles têm bom gosto na decoração.
-Júlia fomos sequestrados. isso aqui é um cativeiro.
Júlia passa batom e começa a se maquiar.
-O que você está fazendo?
-Glauber você bateu a cabeça em algum lugar? Hã! Eu tô me maquiando. Eu quero estar linda nos jornais, que com certeza vamos aparecer nos jornais. E eu não posso aparecer como qualquer uma.
-Júlia você já se perguntou que pode estar amanhã nos jornais a nossa foto desovados em algum matagal?!
-Glauber como você pensa negativo. Sai pra lá negatividade. E se eu for morrer, vou morrer na base do blush e toda montada. será ue vamos aparecer na Ana Maria Braga? No Jô?
-No máximo vamos ter que nos contentar em aparecer na Sônia Abrão. Meu carro?
-E já deve tá em algum desmanche. Se bobear deve tá em via sedex em toda ABCD paulista.
-Ai Ai Ai _ Glauber com a mão no peito.
-Quem mandou ser mesquinho, não querendo que eu usa-se o carro. Aqui se faz, aqui s epaga. Eu tive até pesadelos com aqules videos que tive que ver quatro vezes... Cinco, pois estava achando que era programa do Datena. -ela lixando a unha.
-Onde deve estar minha ventoinha? -ele chorando.
-Deve tá em algum fusca. O carburado deve  tá  na parede de alguma borracharia de estrada.
-Ou pior numa comb. Ai que dor.
Os sequestradores abrem a porta, pegam Júlia pelo braço.
-Venha cá piranha.
-Ai, olhe os nomes rapaizinho.
-O quê?!
-Ai sabe que até gosto.
A levam pra outra sala e sentam na cadeira.
-Vai fale. -deram o celular
-Tá chamando, Cleide é meio surda. Alô Cleide... Ah você consertou a blusa, que maravilha... Passou a roupa? Lavou o banheiro? Pois estava uma nojeira o lavatório. Ah comprou os remédios da minha sogra, isso não precisava fazer querida... Hum fez macarronada pro almoço, o prato preferido de Glauber -Cleide é limpinha, depois dou o número dela pra vocês. Ela faz uma feijoada divina -ela fala com os bandidos -Hahaha, aí Claide você é uma figura! -Cleide é engraçadíssima , fizemos até um video dela e colocamos no youtube, tem mais de 14 mil visitas -fala com os sequetsradores -Aonde estou? Fui sequestrada querida, Glauber está comigo. Passa pra minha sogra, aquela mulher maravilhosa, espiritualizada... pra frente, aquela vaca! -Ela foi chamar minha sogra -fala com os bandidos -Oi minha sogrinha, ela desligou.
-O quê? -Sequela pega o celular -Desligou mesmo.
-Aquela ali é ruim, não presta, não tem amor a ninguém. sabia que ela prendia Glauber com 6 anos no quarto todo escuro e dizia que o Bicho Papão estava embaixo da cama. Até hoje ele acorda coitado dizendo: Vai me comer... Vai me comer. Eu acordo pensando que tem algo interessante na cama, aí vejo ele chorando. É de dar dó..
-Vou ali. Canhoto a leve de volta pro quarto.
-Por que ele te chama de Canhoto se você é destro?
-Porque se a pessoa for destra eu deixo canhota. Entendeu?
-Entendi, não precisa exemplificar.
-Quer jogar baralho, eu me sinto tão sozinho as vezes. É sempre Canhoto queime dois corpos ali na ribanceira, se livre livre desse corpo, vai fazer um serviço sujo ali.
-Claro. Sabe minha vida não é fácil -sentam a mesa e Júlia divide as cartas -Casei com Glauber, não me pergunte porquê. Porque bonito ele não é, nem por dentro, com 17 anos deixei de acreditar nessa tão beleza interior, me comendo já servia. Ele não é engraçado, não é rico. Puxou a mesquinez da mãe, você acredita que estou com as mesmas calcinhas há um ano? Ele comprou o carro e disse que não vai deixar eu usar. De ônibus eu posso ir, nesse calor desgraçado. Porque hoje você entra no ônibus e sai dele quase grávida, que é um roça-roça danado.
Canhoto começa a chorar.
-O que foi? -ela o abraça.
-Minha mãe não me aceita. Ela não entende que essas coisas você não escolhe, você nasce assim.
-Vou ver se tenho almofada, cheirar almofada é uma coisa que relaxa. Experimente, vem aquela vontade de soltar um palavrão, você mete a cara na almofada, você sai outra pessoa, um Bonzo.
-Eu descobrir  que eu era bandido aos 14 anos - ele tremendo leva a mão a boca -Desculpa, é que é difícil pra mim. Foi com um coleguinha, conversa vai conversa vem,era uma mão boba ali,  aí sumia um lápis,depois um celular, e foi evoluindo até que comecei a assaltar farmácias e caixas eletrônicos, carros etsacionados. Eu não pedi pra ser assim, é uma coisa que vem de dentro entende. O mundo não está preparado pra nós, pra quem é diferente.
-Oh não fique assim. Mãe aceita cedo ou tarde, mas aceita. Minha mãe mesmo aceitou o Glauber. isso que você está fumando é o quê?
-Você quer?
-Estou precisando. Não é todo dia que você é sequestrado. Tem uma cervejinha?
-Sequela não fez compras. Eu disse pra ele que tinha que fazer. É que é o nosso primeiro sequestro. Não leve a mal, agente vai se aperfeiçoando com os próximos. Eu vou ter que te levar de volta, você é legal, gostei de tu, antes d você ser resgatada me dá seu orkut.
-Claro, te dou tudo, meu msn, facebook, twitter.
-O que é twitter?
-Rapaz você tem que ter essas coisas. Agora é moda aparecer perfis sociaisi na televisão, é melhor do que foto de identidade vai por mim. -ela fuma -Isso é legal, você escuta umas vozes do Sílvio santos e da Hebe Camargo -ela dá risada -Que gracinha!
Ela entra no quarto, uma hora depois.
-Glauber eu tô vendo duende, eu não acreditava que existia.
-Você fumou o quê Júlia?
-Um bagulho legal ali.
-Os duendes encontraram Gasparzinho. Que loucura!
-Meu Deus sequestrado e com a minha esposa emaconhada. Vou precisar voltar pro meu analista -ele pega no bolso -Júlia meu celular está aqui.
-Wilson! Wilson não me deixe aqui na ilha. Eu quero ver a luz.
-Esquece.
Ele liga
-Alô.
-Você está ligando pra polícia, se for roubo digite 1, se for roubo seguido de morte digite 2, se for tentativa de roubo digite 3, se for roubo e ladão ainda estiver aí digite 4, se for seu marido que te bateu digite 5 para ser encaminhada para  a Central de atendimento da delegacia de mulher, se está sendo jurado de morte digite 6 e peça a Deus que te ajude, se você não sabe ou está indeciso digite 8, se for sequestro digite 8, se for outro serviço digite 9.
Ele digita 8. Músiquinha chata.... Cinco minutoso de musiquinha chata.... Dez minutos de musiquinha.
ALõ, eu tô num cativeiro, fui sequestrado... Eu nãos ei aonde estou, eu sei que peguei a Bandeirantes, pois pegamos um puta engarrafamento... É verdade aqui tem vários pontos de engarrafamento... Eu sei que a casa é perto de um matagal, acho que isso ajuda, a cidade tem mais engarrafamentos do que área verde... Duas horas!... Está bem... Está os dois elementos  lá fora e eu e minha esposa num cômodo que parece um quarto... Ela tá bem -Júlia não mija na parede -Obrigado -desliga.
Três horas depois arrombam a porta.
-Aí meu Deus tiro! -Glauber se joga no chão.
Silêncio, a polícia abrem a porta.
-Aí meu Deus obrigado. Cadê os bandidos?
-Não tinha ninguém aí na frente. -o policial.
-Meu carro!
Glauber sai correndo e não ver o carro.
-Puta merda!
-Pelo menos você ficou com a vida.
-Eu nem comecei a pagar e não estar no seguro.
-Puta merda.
-Senhor encontramos uma meliante pelada dançando Conga la Conga. -outro policial.
-Ela é minha esposa, é que eles a drogaram.
Chegam em casa.
-Nossa fiquei doidona -eles sentam no sofá -Glauber não fica assim, temos que nos desapegar as coisas materiais para evoluirmos.
-Eles levaram o carro com seu Armani
-Você não tirou o meu Armani do porta-mala. Puta merda!

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Curtas urbanas.

Quem mora em apartamento sabe que tem condôminos que se interessam e muito pela vida dos vizinhos. E o casal Júlia e Glauber não fogem dessa regra.


O apartamento 102.


Júlia acaba de escovar os dentes e deita na cama ao lado do marido Glauber.
-Não começaram ainda?
-Ainda não. O que será que houve? Será que brigaram?
-Acho que não. Tadeu é o tipo de homem em extinção, abre a porta do carro para a esposa e espera ela sentar a mesa para ele se sentar.
-Será que ele trai ela? Aposto que para ele ser tão cavalheiro assim ele tem uma amante.
-Ele olha diferente para a vizinha do 112. Mas pelo menos ele transa com a esposa todos os dias. Já nós é um feijão com arroz duas vezes na semana.
-Como assim feijão com arroz?
-O básico... O popular.
-Eles começam a ouvir os gemidos do casal do apartamento acima.
-Começaram.
Ficam em pé na cama.
-Me levanta.
Glauber a levanta e ela coloca o copo no teto para ouvir melhor.
-Será que estão fazendo o papai-mamãe convencional ou uma sacanagem mais picante?
-Eles tem cara de convencionais. Ai você está pesando. - a desce.
-Glauber está me chamando de gorda?
-Não. Pára de ser neurótica.
-Ah! Fora de eu ser gorda, eu sou neurótica.
-Espera, pararam.
-Doze minutos só.
-Parece que o Tadeu não está nos seus dias melhores.
-Ouve. Eles estão transando em outro cômodo.
-Na sala?
-Não, me acompanhe. Os ruídos vem da cozinha. -Glauber a segue -Em cima da nossa cozinha é o quê?
-Sei lá merda. Os apartamentos aqui não são padronizados?
-Você também não presta atenção em nada Glauber.
-Então pergunte a Tadeu, aposto que ele aceitaria que um vibrador em formato de pênis de boi no cú dele.
-Com certeza ele não é machista como você Glauber.
-Ele perde tempo em procurar o ponto G na esposa. Será que ele não enjoa em comer todo dia a mesma coisa.
-Existe uma coisa chamada amor sabia.
-Pelo menos ela deve saber cozinhar. Um bom prato de comida atiça o apetite sexual de qualquer um.
-Você está falando que a minha comida é brochante Glauber?
-Gente descobrir uma qualidade em você Mô, você não é burra.
-Mô? Esse Mô é de amor ou é para me lembrar que estou do tamanho de uma vaca?
-Depois não gosta quando te chamo de neurótica. Quer refri?
-Não, refri engorda.
-É dight.
-É só isso que você tem a me oferecer Glauber? Até a vida sexual do nosso cachorro é mais interessante.
-Ele trepa com o braço do nosso sofá. -ele começa a dar risada -Deve ser mais interessante mesmo, pelo menos não discutem a relação. -ele bebe o refrigerante e senta ao lado dela.
-Será que Tadeu me acha gorda também?
-Por quê?
-Amanhã vou tentar dá pra ele no elevador do condomínio.
-E nem tente! Dei em cima da Lúcia na sauna e ela nem fudeu comigo.
-Claro você é um troglodita, aposto que você disse: Você já viu uma mangueira em pé? Pois a minha está em pé agorinha mesmo por você.
-Não subestime o meu poder de sedução. Você casou comigo por quê?
-Por falta de opção melhor, já que não encontrei um Fábio Assunção da vida. Aí eu disse vai essa desgraça mesmo.
-Você estava encalhada quando eu te conheci, sua mãe te ofereceu pra mim pra se livrar de você. O que será que eles fazem para manter o casamento?
-Transam.
-Acho que terminaram. Boa noite amor.
-Glauber.
-O quê?
-Eles saem para o trabalho as 7:00. Acordamos cedo e pegamos eles no estacionamento. Eu tenho que descobrir o segredo deles, não existe um casal tão perfeito assim.
-Só as âncoras do JN. Sabe o que é isso? Inveja.
-Não querido, incompetência.
No dia seguinte no estacionamento.
-Oi Lúcia e Tadeu. -se beijam no rosto.
-Indo pro trabalho? - Lúcia pergunta a Júlia.
-Júlia trabalhando, ela não trabalha. -fala Glauber dando risada.
-Estão devendo um jantar agente. -Fala Tadeu.
-Estão abatidos vocês. - Lúcia.
-Não dormimos, foi movimentado ontem né? - Glauber.
-Vamos direto ao assunto. Qual o segredo de vocês?
-Como assim? -sorrir Lúcia.
-O que vocês fazem para manter o casamento? Vocês parecem um casal tão feliz.
-Jantem com a gente que vocês vão saber o nosso segredo. -Tadeu.
A noite.
-Será que devemos levar um vinho? -Pergunta Júlia.
-Você não entende de vinhos.
-Você não entende como agradar uma mulher.
Chegam ao apartamento de Tadeu e Lúcia.
-Boa noite. - Lúcia.
-Sejam bem vindos. -Tadeu.
-Sim. Qual é o segredo?
-Somos praticantes de swing. -Fala Lúcia.
-Querem experimentar? -Pergunta Tadeu.
-Primeiro os casais, depois a troca de casais, depois os homens verem as mulheres trocando carícias e depois nós os homens.
Lúcia e Tadeu começam a tirar a roupa.
-Já? Tão rápido? Sem nos conhecer, criar um diálogo. -Glauber.
-É que somos tímidos. -Fala Júlia.
-Garanto que vão perder a timidez logo logo. -Lúcia beija o marido.
-Nossa nunca vi isso. -Tadeu.
-Porra bora logo. -Júlia o beija.
Depois de duas horas Glauber e Júlia chegam em casa, ela toda dolorida.
-Ai. -Júlia senta no sofá -Não sabia que Lúcia era violenta.
-Ela é faixa preta em Jiu-Jitsu.
-Por que você correu?
-Eu pensei que era brincadeira. Ele iria enfiar aquele dedo no meu cú. Só o polegar dele tem 6 cm.
-E eu pensando que nós éramos modernos.
-Pelo menos temos uma vida sexual normal.
-Uma pergunta: Como sua mãe tão chata como ela consegue manter o casamento?
-Sei lá as pessoas se acostumam.
-Será que eles transam?
-Eu não vou perguntar como anda a vida sexual dos meus pais.
-Eu imagino nós chegando aos 70, se já aos 30 temos dificuldade em transar, quando chegarmos aos 70 vamos rir ao vermos nús um ao outro. - rir. -Vamos fazer uma visitinha aos seus pais.
-Não, de novo não. - se retira.
-Glauber volta aqui.

Curtas urbanas.

Mariana é uma jovem de 30 anos que passa pela chamada crise dos 30. Não casou, não tem filhos. Acredita em amor a primeira vista, ela está toda feliz, pois marcou um encontro com o cara que lhe deu uma bolada na cabeça, causando a ela um traumatismo craniano.


O jantar.

-Esvânia esse vestido está bom?
-Você de rosa-choque dona Mariana?
-Por quê?
-Porque não é só ele que vai te notar, mas a torcida inteira do Maracanã.
-É melhor um pretinho básico né?
Ela se veste e vai para a sala e encontra a prima Abigail arrotando e se coçando vendo futebol.
-Não quero você aqui de noite tá, dispensei Esvânia para o pagodão. Então também desapareça.
-Tá querendo transar com ele?
-Não, não sou dessas que vai pra cama com um homem que conheceu na primeira noite.
Hum tá. Não dê o telefone a ele, espera ele pedir. E se der, espera ele ligar. E faz gostoso.
-Hã?
No restaurante.
-Você demorou.
-Eu tava... cuidando de uma afilhada, um amor de menina. -sorrir -Pediu o quê?
-Um pato grelhado, com um arroizinho e uma salada de maionese.
-Adoro maionese. -dão risada.
-Gostei do vestido, se pudesse arrancaria no dente agora.
Mariana se engasga com a água.
-Está bem?
-Estou... Tô.
-Faz o quê?
-Sou... sou fisioterapeuta.
-Hum, então eu vou querer uma massagem com essas mãos. -pega nas mãos dela.
-A comida chegou.
Quinze minutos depois terminam de jantar.
-Que tal agora o prato principal? Na minha ou na sua casa?
-Não tem nada pra comer na minha casa.
Ele dá risada.
-Não estou falando disso, mas disso.
-Ui. -ela sente algo entre suas pernas - O que é isso?
-Quer saber mesmo?
Ela bebe água.
-Quer mais vinho?
-Não, não, não. Já bebi demais. Perdi a conta.
No carro.
-Pronto em casa. Não vai me convidar pra subir?
-Tá uma bagunça lá.
-Quem disse que pretendo desfazer a bagunça?
Sobem.
-Vou botar uma musiquinha.
-Onde é o banheiro?
-Ali. -ele vai ao banheiro.
Ela vai à cozinha e pega cubos de gelo e passa pelo corpo.
-Ui.
Olha pra baixo e pros lados e mete uns por dentro da calcinha.
Ela toma um susto ao vê-lo nú na sala.
-O que é isso?
-Minha grossinha. Gostou? Vem cá vem.
-Peraê.
Ela começa a derrubar as coisas. Ele a encurra-la na parede.
-Não... Não... Não.
Ele beijando o pescoço dela, começa a descer.
-Sim... Sim... Sim. -ela com os olhos fechados.
Ele para e ela abre os olhos. Ela se ajeita e dá um sorriso sem graça.
-Faz sexo oral?
Desculpa, eu não faço. É muita coisa pra minha boquinha. Eu tenho medo de engasgar e terminar engolindo, mas admiro quem sabe usar a boca dessa forma. Em termo de sexo sou cristã ortodoxa.
-Eu sou espírita Kardecista ou de Umbanda. -da risada - Onde é o quarto?
A leva pro quarto e a joga na cama.
Cinco minutos depois, ele a penetrando.
-O que foi? -pergunta ela.
-Ficou preso.
-Ficou preso o quê?
-Aquilo.
-Minha nossa. Tira! Tem que sair.
-Não consigo.
-Ai meu Deus porque não escutei a minha mãe. -ela tenta a procurar a chave na cama - Ai cadê a chave
-Você está pegando a minha bunda.
-Será que conseguimos nos levantar? Pra ir até a janela chamar ajuda. Eu dispensei a empregada, ela só volta amanhã.
-Então vamos ficar a noite toda assim?
-Uma hora você vai ter que deixar de ficar com o pau duro e essa porra vai sair.
-Eu tomei seis comprimidos daquele do azulzinho.
-Puta que pariu. Vamos tentar falar de coisas brochantes. TV Xuxa.
-Preta Gil.
-Gripe suína.
-Cartão de crédito.
-Tô com dor de barriga.
-Diarréia. Não está funcionando.
Amanhece e entra em casa Esvânia.
-Ai dona Mariana!
-Ai Esvânia que bom que você chegou, chame ajuda. Estamos enroscados aqui.
-Ele ta pelado.
-Tá Esvânia. Você nunca viu bunda de homem?
Uma hora depois, eles são retirados por maca, e imprensa fotografando e filmando tudo e bando de curiosos.
-Ai que vergonha.
-Pelo menos está tirando foto da sua cara. E a minha? A minha bunda vai estar em todos os jornais amanhã.
-Bem feito, culpa sua. Quem manda ser anormal.
-Você que tem uma buceta pequena.
Uma senhoras.
-Nunca vi isso.
-Isso o quê? Homem pelado?
-Não, alguém ficar preso, ai você sabe.
-Ela não me enganava com aquele jeitinho de santa.
Abigail e Esvânia do outro lado.
-Isso aconteceu para confirmar minha tese, existe para cada xoxota um pinto adequado, tipo P, M, G, GG, sabe.
No hospital Mariana no quarto, entra Abigail.
-Que vergonha -Mariana.
-Querida pense no lado positivo, você realizou um feito. Quantas mulheres não queriam permanecer com um pau duro dentro delas por 7h e 35 min. Pesquisei até no Google para ver se seu feito poderia a colocar no Guiness book, mas uma mulher ucraniana já tem o record de 12 h e 20 min.
Entra Flávio.
-Ele pediu desculpas pelo transtorno. Não sei por que esses homens temem tanto e vão buscar esses métodos, se são sadios.
Mariana volta ao apartamento de óculos escuros, pega o elevador correndo. Iriam entrar umas pessoas, mas ela fecha. Sai e sobe as escadas sem olhar pra ninguém e entra em casa, senta no sofá.
-Devoradora de pau! -uma voz lá de cima.
Abigail senta ao lado dela.
-Nunca mais ponho os meus pés na rua.
-E querida, logo logo esquecem.
-Quando você vai embora?
-Está me expulsando?
-Você disse que iria ficar um mês aqui, mas já se passou quatro meses.
-Eu sou o seu amuleto da sorte pra homem.
-Desde de quando? Botei fogo numa casa de stripper masculino, tive traumatismo craniano e fiquei conhecida como devoradora de pau.
-Ai é assim né? Magoei.
-Esvânia se assustou ao ver a bunda de um homem. Acho que ela nunca viu homem pelado.
-Tenho a teoria que ela é virgem. Qual era o tamanho? Flávio me disse que sem ereção o negócio já era grande, tipo até o meio da coxa.
Mariana começa a falar.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Curtas urbanas.

Hoje com a modernidade os filhos têm que se conformar com o divórcio dos pais. Até aí "tudo bem", mas quando você já é crescidinho o que fazer? É isso que está acontecendo com Glauber, a mãe vai morar com ele, só que Júlia detesta a sogra e vice-versa.


Visita indesejada.

Júlia chega em casa e encontra a sogra no sofá assistindo TV.
-Boa noite querida!
-Boa noite... -ela chama Glauber com os olhos -O que é isso?
-Mamãe vai morar com a gente, meus pais vão se separar.
-E você não me avisa nada.
-Ela bateu na minha porta há uma hora, e seu celular só caia na caixa de mensagem.
-Eu fui assaltada Glauber!
-Jura? Não roubaram os cartões de crédito não né?
-Eu acabo de dizer que fui assaltada e você não me pergunta se me machucaram, onde foi.
-Nessa idade você já deveria estar acostumada com isso.
-Não quero ela aqui.
-Fala baixo.
-Ou a sua mãe ou eu. Se ela dormir aqui você não dorme comigo.
-É minha mãe! Quer que eu a expulse da minha casa.
-Se vira mané.
Ela vai se dirigir ao quarto.
-Querida prepare uma sopa pra mim. Mas não faça igual ao seu macarrão que parece folião do Chiclete com Banana, tudo unido.
-Ta querida. -sorrir, se vira para Glauber - Vou botar água sanitária na sopa.
-Querida o que aconteceu com os seus seios? Um ta maior que o outro. Mas uma coisa continua a mesma coisa, o seu estrabismo.
Júlia vai abrir a boca.
-Não. -Glauber.
Ela fecha os olhos.
-Tolera Júlia... Tolera. -ela entra no quarto.
Na mesa.
-Quem comeu o meu patê? -Júlia pergunta.
-Mamãe comeu.
-Eu comprei ontem 500 gramas de patê e ela devorou hoje em menos de 2 horas.
-É que eu estava comendo com biscoito querida. Quando vi acabou. E Glauber disse que era seu. Mas posso garantir que estava uma delícia.
-Você está com meus brincos.
-Combina mais comigo do que com você querida.
Ela fala no ouvido de Glauber:
-Vou na casa do seu Alaor, para que ele tire a vaca da esposa dele daqui de casa.
Ela vai se retirar.
-Vai aonde querida?
-Pro inferno! -bate a porta.
Na casa do seu Alaor, ele passa um creme para deixar o corpo hiper sensível ao toque, e passa bastante naquele sujeitinho entre as pernas. Ele está nu, toca a campainha. Ele coloca a toalha e abre a porta e Júlia o abraça chorando.
Ai Glauber está arrasado com a separação de vocês. Eu achava o casamento de vocês tão lindo. -soa o nariz num paninho.
E o senhor Alaor com os olhos fechados.
-Ai senhor Alaor você está bem? O senhor está tendo uns arrepios. -ela o larga.
-Licencinha.
Ele se tranca no banheiro, tira a toalha e vai de encontro com a parede.
-Ai... Ui! Ah... Ah...Arh!
Júlia bate na porta.
-Senhor Alaor o senhor está bem? Coitado está com dor de barriga, deve estar comendo super mal.
Meia hora depois.
-Não volto pra aquela jararaca, àquela mulher é um cão.
-Quanto você quer para recebê-la de volta? Ela tem 64, deve viver até os 70, no máximo 80. Custa viver com ela mais um pouquinho pela minha paz.
-E a minha onde fica?
-Esquece esse papo de novo amor. Mulher é tudo igual, na primeira noite diz que te ama, na segunda é indiferente, na terceira quer te ver morto. Mulher e igual menstruação querido quem não tem diz graças a Deus e quem tem quer se ver livre.
Em casa, Júlia e Glauber na cama.
-Ele está irredutível, disse que não volta.
A sogra começa a roncar.
-Ai já não bastasse não transarmos, ouvir as aventuras sexuais dos nossos vizinhos do apartamento de cima, ainda ouvir roncos da sogra. Eu devo ter cuspido na cara de Cristo na Santa ceia.
Ao amanhecer Glauber levanta e encontra Júlia consolando a mãe dele que está chorando no ombro dela.
-Ele me trocou por uma menina de 22 anos, ele tava dando até moradia a ela...
Quando volta do trabalho encontra as duas conversando como velhas amigas.
-Olha Glauber o que sua mãe está me mostrando, fotos da sua infância. O pintinho continua o mesmo, pequenininho. - vira-se para Suely -Não faz nem cócega.
-Eu conheci o Alaor numa festa, eu era meia riponga, tinha fumado umas e ele também curtia e aí fomos pro mato. Ele falava cada sacanagem no meu ouvido. -da risada.
-Tudo que eu mereço agora é ouvir a vida sexual dos meus pais. A senhora quer me traumatizar? Eu fui gerado sobre o efeito da maconha.
-Ta explicado Glauber porque você é meio lesadinho. -Júlia.
-Ah me lembrei de uma coisa. Um dia, ele com nove anos, encontrei ele no quarto com a pauzinho dele dentro da bota.
-Você se masturbava com botas Glauber?
-Ele era viciado, chegou até a furar uma. Mesmo ele com 16 anos ele continuava se masturbando com as botas, eu nem usava mais, porque metia o pé dentro e sentia logo aquela merda.
-Chega! -Glauber
-O que foi querido? - a mãe.
-Está explicado agora porque você não transa mais comigo, você gastou todo os eu vigor sexual com as botas.
-Tinha uma com estampa de onça que era a preferida dele, tinha salto longo e fino. Não me pergunte o que ele fazia com o cano longo fino da bota.
-Glauber você não anda comendo minhas botas não né?
Ele fica calado.
-Só faltava essa eu ser traída com as minhas próprias botas caralho!
-Se eu não me engano ele quando casou com você ele levou a Gertrudes.
-Ainda você dá nome às botas Glauber? Eu pensando que eu era a pervertida porque queria transar com todos os meninos da minha sala. Eu casei com um comedor oficial de botas. Glauber que nome você colocou nas minhas botas? Amanda... Luísa... Dafne, Margareth.
-Eu não faço mais isso.
-Por acaso é essa aqui? -ela com uma bota na mão e uma tesoura.
-Não, não faça isso. Você não pode ser tão má, Gertrudes não lhe fez nada.
-Ou é Gertrudes ou sou eu.
-Eu se fosse você não faria essa pergunta, talvez você não goste da resposta.
Toca o telefone.
Glauber atende, silêncio. Ele desliga.
-Papai sofreu um boa noite cinderela e está internado.
Glauber volta do hospital sem a mãe, Júlia estava o esperando.
-Voltaram.
-Graças a Deus.
Senta-se no sofá ao lado dela.
-Uma das botas se chama Júlia.
-Você deu o meu nome para uma delas?
-É que só penso em você.
Beijam-se e no sofá mesmo fazem...

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Curtas urbanas.

Mariana é uma jovem de 30 anos que passa pela chamada crise dos 30. Não casou, não tem filhos. Acredita em amor a primeira vista, ela está toda feliz, pois marcou um encontro com o cara que lhe deu uma bolada na cabeça, causando a ela um traumatismo craniano.


O jantar.

-Esvânia esse vestido está bom?
-Você de rosa-choque dona Mariana?
-Por quê?
-Porque não é só ele que vai te notar, mas a torcida inteira do Maracanã.
-É melhor um pretinho básico né?
Ela se veste e vai para a sala e encontra a prima Abigail arrotando e se coçando vendo futebol.
-Não quero você aqui de noite tá, dispensei Esvânia para o pagodão. Então também desapareça.
-Tá querendo transar com ele?
-Não, não sou dessas que vai pra cama com um homem que conheceu na primeira noite.
Hum tá. Não dê o telefone a ele, espera ele pedir. E se der, espera ele ligar. E faz gostoso.
-Hã?
No restaurante.
-Você demorou.
-Eu tava... cuidando de uma afilhada, um amor de menina. -sorrir -Pediu o quê?
-Um pato grelhado, com um arroizinho e uma salada de maionese.
-Adoro maionese. -dão risada.
-Gostei do vestido, se pudesse arrancaria no dente agora.
Mariana se engasga com a água.
-Está bem?
-Estou... Tô.
-Faz o quê?
-Sou... sou fisioterapeuta.
-Hum, então eu vou querer uma massagem com essas mãos. -pega nas mãos dela.
-A comida chegou.
Quinze minutos depois terminam de jantar.
-Que tal agora o prato principal? Na minha ou na sua casa?
-Não tem nada pra comer na minha casa.
Ele dá risada.
-Não estou falando disso, mas disso.
-Ui. -ela sente algo entre suas pernas - O que é isso?
-Quer saber mesmo?
Ela bebe água.
-Quer mais vinho?
-Não, não, não. Já bebi demais. Perdi a conta.
No carro.
-Pronto em casa. Não vai me convidar pra subir?
-Tá uma bagunça lá.
-Quem disse que pretendo desfazer a bagunça?
Sobem.
-Vou botar uma musiquinha.
-Onde é o banheiro?
-Ali. -ele vai ao banheiro.
Ela vai à cozinha e pega cubos de gelo e passa pelo corpo.
-Ui.
Olha pra baixo e pros lados e mete uns por dentro da calcinha.
Ela toma um susto ao vê-lo nú na sala.
-O que é isso?
-Minha grossinha. Gostou? Vem cá vem.
-Peraê.
Ela começa a derrubar as coisas. Ele a encurra-la na parede.
-Não... Não... Não.
Ele beijando o pescoço dela, começa a descer.
-Sim... Sim... Sim. -ela com os olhos fechados.
Ele para e ela abre os olhos. Ela se ajeita e dá um sorriso sem graça.
-Faz sexo oral?
Desculpa, eu não faço. É muita coisa pra minha boquinha. Eu tenho medo de engasgar e terminar engolindo, mas admiro quem sabe usar a boca dessa forma. Em termo de sexo sou cristã ortodoxa.
-Eu sou espírita Kardecista ou de Umbanda. -da risada - Onde é o quarto?
A leva pro quarto e a joga na cama.
Cinco minutos depois, ele a penetrando.
-O que foi? -pergunta ela.
-Ficou preso.
-Ficou preso o quê?
-Aquilo.
-Minha nossa. Tira! Tem que sair.
-Não consigo.
-Ai meu Deus porque não escutei a minha mãe. -ela tenta a procurar a chave na cama - Ai cadê a chave
-Você está pegando a minha bunda.
-Será que conseguimos nos levantar? Pra ir até a janela chamar ajuda. Eu dispensei a empregada, ela só volta amanhã.
-Então vamos ficar a noite toda assim?
-Uma hora você vai ter que deixar de ficar com o pau duro e essa porra vai sair.
-Eu tomei seis comprimidos daquele do azulzinho.
-Puta que pariu. Vamos tentar falar de coisas brochantes. TV Xuxa.
-Preta Gil.
-Gripe suína.
-Cartão de crédito.
-Tô com dor de barriga.
-Diarréia. Não está funcionando.
Amanhece e entra em casa Esvânia.
-Ai dona Mariana!
-Ai Esvânia que bom que você chegou, chame ajuda. Estamos enroscados aqui.
-Ele ta pelado.
-Tá Esvânia. Você nunca viu bunda de homem?
Uma hora depois, eles são retirados por maca, e imprensa fotografando e filmando tudo e bando de curiosos.
-Ai que vergonha.
-Pelo menos está tirando foto da sua cara. E a minha? A minha bunda vai estar em todos os jornais amanhã.
-Bem feito, culpa sua. Quem manda ser anormal.
-Você que tem uma buceta pequena.
Uma senhoras.
-Nunca vi isso.
-Isso o quê? Homem pelado?
-Não, alguém ficar preso, ai você sabe.
-Ela não me enganava com aquele jeitinho de santa.
Abigail e Esvânia do outro lado.
-Isso aconteceu para confirmar minha tese, existe para cada xoxota um pinto adequado, tipo P, M, G, GG, sabe.
No hospital Mariana no quarto, entra Abigail.
-Que vergonha -Mariana.
-Querida pense no lado positivo, você realizou um feito. Quantas mulheres não queriam permanecer com um pau duro dentro delas por 7h e 35 min. Pesquisei até no Google para ver se seu feito poderia a colocar no Guiness book, mas uma mulher ucraniana já tem o record de 12 h e 20 min.
Entra Flávio.
-Ele pediu desculpas pelo transtorno. Não sei por que esses homens temem tanto e vão buscar esses métodos, se são sadios.
Mariana volta ao apartamento de óculos escuros, pega o elevador correndo. Iriam entrar umas pessoas, mas ela fecha. Sai e sobe as escadas sem olhar pra ninguém e entra em casa, senta no sofá.
-Devoradora de pau! -uma voz lá de cima.
Abigail senta ao lado dela.
-Nunca mais ponho os meus pés na rua.
-E querida, logo logo esquecem.
-Quando você vai embora?
-Está me expulsando?
-Você disse que iria ficar um mês aqui, mas já se passou quatro meses.
-Eu sou o seu amuleto da sorte pra homem.
-Desde de quando? Botei fogo numa casa de stripper masculino, tive traumatismo craniano e fiquei conhecida como devoradora de pau.
-Ai é assim né? Magoei.
-Esvânia se assustou ao ver a bunda de um homem. Acho que ela nunca viu homem pelado.
-Tenho a teoria que ela é virgem. Qual era o tamanho? Flávio me disse que sem ereção o negócio já era grande, tipo até o meio da coxa.
Mariana começa a falar.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Curtas urbanas.

Quem mora em apartamento sabe que tem condôminos que se interessam e muito pela vida dos vizinhos. E o casal Júlia e Glauber não fogem dessa regra.


O apartamento 102.


Júlia acaba de escovar os dentes e deita na cama ao lado do marido Glauber.
-Não começaram ainda?
-Ainda não. O que será que houve? Será que brigaram?
-Acho que não. Tadeu é o tipo de homem em extinção, abre a porta do carro para a esposa e espera ela sentar a mesa para ele se sentar.
-Será que ele trai ela? Aposto que para ele ser tão cavalheiro assim ele tem uma amante.
-Ele olha diferente para a vizinha do 112. Mas pelo menos ele transa com a esposa todos os dias. Já nós é um feijão com arroz duas vezes na semana.
-Como assim feijão com arroz?
-O básico... O popular.
-Eles começam a ouvir os gemidos do casal do apartamento acima.
-Começaram.
Ficam em pé na cama.
-Me levanta.
Glauber a levanta e ela coloca o copo no teto para ouvir melhor.
-Será que estão fazendo o papai-mamãe convencional ou uma sacanagem mais picante?
-Eles tem cara de convencionais. Ai você está pesando. - a desce.
-Glauber está me chamando de gorda?
-Não. Pára de ser neurótica.
-Ah! Fora de eu ser gorda, eu sou neurótica.
-Espera, pararam.
-Doze minutos só.
-Parece que o Tadeu não está nos seus dias melhores.
-Ouve. Eles estão transando em outro cômodo.
-Na sala?
-Não, me acompanhe. Os ruídos vem da cozinha. -Glauber a segue -Em cima da nossa cozinha é o quê?
-Sei lá merda. Os apartamentos aqui não são padronizados?
-Você também não presta atenção em nada Glauber.
-Então pergunte a Tadeu, aposto que ele aceitaria que um vibrador em formato de pênis de boi no cú dele.
-Com certeza ele não é machista como você Glauber.
-Ele perde tempo em procurar o ponto G na esposa. Será que ele não enjoa em comer todo dia a mesma coisa.
-Existe uma coisa chamada amor sabia.
-Pelo menos ela deve saber cozinhar. Um bom prato de comida atiça o apetite sexual de qualquer um.
-Você está falando que a minha comida é brochante Glauber?
-Gente descobrir uma qualidade em você Mô, você não é burra.
-Mô? Esse Mô é de amor ou é para me lembrar que estou do tamanho de uma vaca?
-Depois não gosta quando te chamo de neurótica. Quer refri?
-Não, refri engorda.
-É dight.
-É só isso que você tem a me oferecer Glauber? Até a vida sexual do nosso cachorro é mais interessante.
-Ele trepa com o braço do nosso sofá. -ele começa a dar risada -Deve ser mais interessante mesmo, pelo menos não discutem a relação. -ele bebe o refrigerante e senta ao lado dela.
-Será que Tadeu me acha gorda também?
-Por quê?
-Amanhã vou tentar dá pra ele no elevador do condomínio.
-E nem tente! Dei em cima da Lúcia na sauna e ela nem fudeu comigo.
-Claro você é um troglodita, aposto que você disse: Você já viu uma mangueira em pé? Pois a minha está em pé agorinha mesmo por você.
-Não subestime o meu poder de sedução. Você casou comigo por quê?
-Por falta de opção melhor, já que não encontrei um Fábio Assunção da vida. Aí eu disse vai essa desgraça mesmo.
-Você estava encalhada quando eu te conheci, sua mãe te ofereceu pra mim pra se livrar de você. O que será que eles fazem para manter o casamento?
-Transam.
-Acho que terminaram. Boa noite amor.
-Glauber.
-O quê?
-Eles saem para o trabalho as 7:00. Acordamos cedo e pegamos eles no estacionamento. Eu tenho que descobrir o segredo deles, não existe um casal tão perfeito assim.
-Só as âncoras do JN. Sabe o que é isso? Inveja.
-Não querido, incompetência.
No dia seguinte no estacionamento.
-Oi Lúcia e Tadeu. -se beijam no rosto.
-Indo pro trabalho? - Lúcia pergunta a Júlia.
-Júlia trabalhando, ela não trabalha. -fala Glauber dando risada.
-Estão devendo um jantar agente. -Fala Tadeu.
-Estão abatidos vocês. - Lúcia.
-Não dormimos, foi movimentado ontem né? - Glauber.
-Vamos direto ao assunto. Qual o segredo de vocês?
-Como assim? -sorrir Lúcia.
-O que vocês fazem para manter o casamento? Vocês parecem um casal tão feliz.
-Jantem com a gente que vocês vão saber o nosso segredo. -Tadeu.
A noite.
-Será que devemos levar um vinho? -Pergunta Júlia.
-Você não entende de vinhos.
-Você não entende como agradar uma mulher.
Chegam ao apartamento de Tadeu e Lúcia.
-Boa noite. - Lúcia.
-Sejam bem vindos. -Tadeu.
-Sim. Qual é o segredo?
-Somos praticantes de swing. -Fala Lúcia.
-Querem experimentar? -Pergunta Tadeu.
-Primeiro os casais, depois a troca de casais, depois os homens verem as mulheres trocando carícias e depois nós os homens.
Lúcia e Tadeu começam a tirar a roupa.
-Já? Tão rápido? Sem nos conhecer, criar um diálogo. -Glauber.
-É que somos tímidos. -Fala Júlia.
-Garanto que vão perder a timidez logo logo. -Lúcia beija o marido.
-Nossa nunca vi isso. -Tadeu.
-Porra bora logo. -Júlia o beija.
Depois de duas horas Glauber e Júlia chegam em casa, ela toda dolorida.
-Ai. -Júlia senta no sofá -Não sabia que Lúcia era violenta.
-Ela é faixa preta em Jiu-Jitsu.
-Por que você correu?
-Eu pensei que era brincadeira. Ele iria enfiar aquele dedo no meu cú. Só o polegar dele tem 6 cm.
-E eu pensando que nós éramos modernos.
-Pelo menos temos uma vida sexual normal.
-Uma pergunta: Como sua mãe tão chata como ela consegue manter o casamento?
-Sei lá as pessoas se acostumam.
-Será que eles transam?
-Eu não vou perguntar como anda a vida sexual dos meus pais.
-Eu imagino nós chegando aos 70, se já aos 30 temos dificuldade em transar, quando chegarmos aos 70 vamos rir ao vermos nús um ao outro. - rir. -Vamos fazer uma visitinha aos seus pais.
-Não, de novo não. - se retira.
-Glauber volta aqui.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Curtas urbanas.

É muito perigoso você não lembrar o que aconteceu na noite passada. Se acontecer isso com você é melhor você nem procurar saber o que você fez.


A noite passada.


Sérgio chega no trabalho, todos olham pra ele. Ele senta na cadeira e coloca as coisas em cima da mesa e tira os óculos escuro.
-Dalton. - chama ele baixinho.
Dalton olha pra ele.
-O que aconteceu na noite passada?
-Você não se lembra?
-Não.
-De nada? Nadinha?
-Fala logo. Eu só sei que bebi demais e misturei coisas que eu não devia. O que eu fiz é muito grave?
-Você mandou o chefe tomar no cú, beijou dona Rosecleide na boca.
Sérgio se espanta.
-E não acaba por aí, você fez stripper tease e trepou na estátua do chefe. Aquela. Fora que vomitou no tapete do mesmo.
-Meu Deus vou ser demitido. Eu acordei num motel hoje. Com quem eu sair ontem?
- Não sei, você deu em cima de todo mundo.
O chefe sai da sala.
-Sérgio venha aqui na minha sala por um instante.
Sérgio olha para Dalton e se levanta e entra na sala do chefe.
-Sente-se.
Sérgio senta-se e o chefe se levanta e fica atrás de Sérgio, coloca a mão no ombro do mesmo.
-Ontem você surpreendeu a todos com o seu comportamento.
-É, eu nem sei o que falar senhor.
-Não sabia que você era tão interessante. Ontem foi inesquecível pra mim. Vai ser o nosso segredo. -pisca pra ele.
Alguns minutos depois ele sai da sala e dá de cara com Rosecleide, uma senhora gorda com um sinal horrível no rosto. Ela sorrir pra ele. Ele dá as costas a ela.
Vai até o bebedouro.
-Selma.
Ela sai correndo chorando.
-Meu Deus o que eu fiz?
-Insensível, devasso. -fala outra colega e se retira.
-Você acha pouco o que você fez ontem? -outro colega.
-Minha nossa!
Uma baixinha de óculos se aproxima e dá uma bofetada no rosto de Sérgio.
-Seu tarado! -se retira.
-Cara a coisa ta feia pro seu lado, estão fazendo até bolão pra ver quanto tempo você aguenta esse clima de animosidade.
Sérgio encontra um bilhete em sua mesa.
-"Garanhão".
E ver a secretária boazuda Rita sorrindo pra ele, ele sorrir também.
-Será que foi com ela.
-O que foi Sérgio? -pergunta Dalton
-Eu preciso saber com quem eu estava naquele motel.
Sérgio se aproxima da mesa de Rita.
-Como foi à noite de ontem Rita?
-Excelente. -ela leva a caneta à boca e olha com olhos devoradores para Sérgio. Agora pra você...
-Nós...
-Ta doido? Imagina! Nunca, tenho namorado, sou fiel.
Rosecleide passa por ele e pega na bunda dele.
-Oxe.
-Garanhão.
-Desculpa Rita.
Ele volta pra mesa.
-Diga que eu não transei com o chefe e nem com a Rosecleide pelo amor de Deus Dalton. Eu não posso ter comido aquela porra.
-Você só beijou a Rosecleide. O chefe é gay?
-Deu em cima de mim.
-Quem sabe você é promovido. Do inferno ao céu. E você não ta sentindo nada?
-Sou espada!
-Porque o chefe é todo grande, dominador e tem uma cara que gosta de putaria. Com certeza ele iria fundo. -da risada.
-Vai brincando, maldita ressaca.
O chefe vai pegar uma xerox e pisca pra Sérgio, esse começa a tossir. O chefe se aproxima.
-Está bem Sérgio?
-Estou. -batendo no peito.
-Quer almoçar comigo não?
-Não, eu tenho que passar... no banco. Não é Dalton?
-É.
-Te levo.
-Não, Dalton vai me dá uma carona, obrigado.
-É não vai faltar oportunidades. -se retira.
-Tenho que sair daqui agora, arejar a cabeça.
-Cuidado para não ser lixado e não beba e coma nada daqui. -avisa Dalton.
Ele pega o elevador e Alfredinho olha pra ele.
-Por que não escolheu a mim? -se retira.
Selma iria entrar no elevador, mas ao vê-lo sai correndo chorando.
Ele chega no estacionamento.
-Sérgio.
Ele vira-se, era a sua colega Francis com uma morenaça do lado.
Ela se aproxima de Sérgio.
-Não quer repetir a noite de ontem amor?
-Eu, você e ela... Nós.
-Hum hum. E não foi só uma vez. -fala no ouvido dele.
-Entra.
Elas entram no carro dando risada.
Enquanto no escritório um outro colega se aproxima vai falar com Dalton.
-Você contou a Sérgio?
-Cara não, é melhor enterrar aquela noite, assim ele sofre menos.
-Então a amiga da Francis é na verdade amigo. - da risada.
-Pois é. Quem iria dizer. Se sóbrio já se confundi...
-Eu não, reconheço um traveco de longe.
-É voltando, se sóbrio já se confundi, imagina bêbado.

domingo, 22 de novembro de 2009

Curtas urbanas.

Mariana é uma mulher de 30 anos que passa pela crise dos 30. Não casou, não teve filhos. Ela receberá em casa a sua prima Abigail, uma mulher que só tem 33 anos e já casou três vezes, desbocada e sexy, que veio especialmente dá dicas a Mariana.

A prima Abigail.

-Esvânia essa roupa está bem em mim?
-Você vai encontrar com homem Dona Mariana?
-Não, eu vou buscar a minha prima no aeroporto. Mas quem sabe, sei lá, eu encontro o homem da minha vida, o príncipe dos meus sonhos através de um tropeção. Você sabe não casei, não tive filhos.
No aeroporto ela ver a prima Abigail com um vestido todo justo ao corpo, todos os homens olhavam pra ela. Mariana vai ao encontro da prima desfilando, olha para os lados para verse tem alguém olhando pra ela, mas ninguém olha, ela se desanima.
-Oi prima.
-Oi.
Em casa.
-Não tem cerveja aqui? –Abigail olhando a geladeira.
-Eu não bebo.
Agora querida entendi mais um motivo de você não ser comida por ninguém.
-Você já foi casada três vezes?
-É, o primeiro me separei com três meses de casamento, o segundo morreu, era bem velhinho, e o terceiro, eu trair ele, ele descobriu e pediu o divórcio. Tenho até uma agendinha com o nome de todas as mãos e bocas por qual eu passei. –entrega a ela.
-Grande essa agenda.
-A última vez que eu contei tinha uns 1200 nomes.
-Adalberto, Luís Henrique, Flávio... Gabriela.
-Longa essa história querida. – pega a agenda da mão dela. –Você xinga?
-Merda, caralho.
-Querida merda não é mais xingamento. É tão comum você falar merda, que acho que o Aurélio já adotou essa palavra. E como é os eu orgasmo?
-Sei lá, tem diferença?
-Claro que tem. Se ele for tipo assim. Ai... Ai...Ahh...Ahhr ai, aumentando, o homem adora. Agora se ele for assim: Ai meu Deus...Ai meu Deus! Ou Uh! Urh! Ou o contrário do Ai aumentando, ou seja diminuindo a intensidade do grito, é batata você só vai fuder com esse homem uma única vez. Tudo que um homem menos quer é sons estranhos e o nome de Deus numa relação sexual. Se ele quisesse ouvir o nome de Deus ele iria para a igreja e não um motel. Quando foi a sua última transa?
-Há 8 meses. – fala baixo.
-O quê?
-Oito meses! Tive até que dá um cachorro que eu criava, um chihuahua. Ele lambia o meu pé e eu torcia para que Le subisse... subisse, mas ele não subia.
-Já sei aonde vou te levar.
Abigail levou Mariana a uma casa noturna com stripper masculino.
-Vai ta te chamando.
Mariana sobe no palco, o cenário era medieval, com várias velas e cortinas, strip se aproxima dela. Mariana derruba uma vela e mais outra e outra e pega fogo no cenário que se alastra rapidamente.
Após isso, Mariana chorando, se aproxima Abigail.
-Eu sou uma desastrada mesmo.
-Espero que você tenha dinheiro para pagar o prejuízo. – Abigail entrega o papel -A noite não acabou querida.
Vão numa boate.
-Quando o homem não é gay, ele é casado. Eu queria saber identificar.
-Aquele ali, por exemplo, é casado, mesmo sem a aliança na mão, ele está tão inseguro que coloca a mão no bolso e note que ele está olhando uma vez ou outra para os lados com receio de encontrar algum conhecido.
Mariana conhece um cara na balada, conversam, dançam e depois Mariana se retira para ir ao banheiro e encontra Abigail.
-Ele é tão sensível, disse que chorou assistindo Dumbo e é fã da Madonna.
-Querida almofadinha, faz as unhas, não bebe, não fuma, fã da Madonna e chora vendo dumbo. Se não é gay, tem alta tendência a ser no futuro.
No dia seguinte.
-Acorda! Abigail abre as cortinas - Vamos fazer compras e depois ir à praia.
No shopping as duas de frente ao espelho.
-Você não acha que tem muito pouco pano essa roupa?- Mariana.
-Querida aprenda uma coisa, homem gosta de apreciar numa mulher três coisas: bunda, pernas e seios. Quanto mais a roupa valorizar isso, melhor. – Abigail senta-se –Agora dá uma desfiladinha.
Mariana desfila, tropeça e cai. Abigail escorrega pela poltrona e tapa o rosto com uma revista. Uma senhora acompanhada da filha olha pra ela.
-É que ela tem problema.
-É meio lesadinha NE? – pergunta a senhora.
-É.
Na praia, as duas sentadas tomando água de coco.
-Não existe lugar melhor para se paquerar do que uma praia. Olhe aquele cara jogando vôlei. É um desses que você precisa. Ele tem cara e jeito de homem. Ele deve ser do tipo que te joga na parede e trata como lagartixa.
Mariana olha pra ele.
-Vai, chame ele com os olhos. Use sua sensualidade. Está bem.
Mariana fazendo caras e bocas quando recebe uma bolada na cabeça.
No hospital.
-Nossa que azarada você é prima. Traumatismo craniano.
Entra Flávio.
-O cara da praia está aí, trouxe flores.
-Ai, não deixe ele entrar, estou horrível. Ele não pode me ver assim.
-Eu falo com ele, e aconselho ele marcar um jantar com você. –Flávio se retira.
-Ele é gay?
-Ele parece, mas nunca me disse nada.
Abigail se retira e depois entra com Flávio e o leva ao banheiro do quarto. Começa a vim um barulho de lá. A maca onde está Mariana começa a querer se fechar com ela.
-Abigail?... Flávio? Me de uma ajudinha aqui. – ela não conseguindo.- Ai.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Curtas urbanas.

Terapia de casal, acho que não preciso informar mais nada.


Crise no casamento, corra que lá vem terremoto.

-Bom dia Senhora Júlia e senhor Glauber. -O analista.
-Bom dia. -Júlia.
-Bom dia. -Glauber responde bem depois, olha em seguida as horas.
-Qual o problema?
-Casei com um homem sarado, surfista, carinhoso, romântico e insaciável. Hoje ele se transformou nessa desgraça aí! Gordo, estúpido e que não fode comigo há um mês.
-Júlia! -Glauber - Doutor não é bem assim.
-Como não é bem assim? Doutor chegamos ao fundo do poço matrimonial, ele peida no meio das nossas intimidades.
-Isso é besteira de mulher. Reclamava antes e reclama agora também. Nunca fica satisfeita.
-Besteira de mulher? Doutor sabe o que ele me deu de presente de aniversário de casamento? Um ferro de passar-roupa, disse que o outro estava quebrado. E adivinha o que ele me deu no meu aniversário. Pano de prato. Eu pra ele sou uma escrava do lar.
-Pelo menos você tem que admitir que eu comprei os panos de prato da sua cor preferida.
Ela rir.
-Sabe o que você faz com esses panos de prato Glauber?...
-Espera aí, calma. Não quero baixaria no meu consultório. - o doutor.
-O senhor acha que faço baixaria? - Ela se levanta e pega um jarro e joga no chão - Eu sou uma mulher que não agüenta mais viver com um homem que trás toda quarta-feira os seus amigos para tomarem cerveja e verem futebol. Fora que ele acha mais interessante o Arnold Schwarzenegger do que transar com a sua mulher. - ela senta, arruma o cabelo - Diz doutor que não é pra se revoltar, ele está comendo igual uma jamanta, você aparece na frente dele e faz isso. - ela tira a blusa deixando os seios à mostra - Ele nem nota. - ela começa a chorar.
O doutor fica de boca aberta.
-Porra! Tapa isso caralho. -Glauber veste a blusa nela.
-Por que vocês não dizem tudo que tem vontade de dizer um para o outro? - o doutor - Isso às vezes resolve.
-Ele ronca.
-Ela tem frieira no pé, é uma coisa nojenta. Já tive até pesadelo com isso.
-Incessível! Eu não perdi a virgindade com você. Perdi com um anão aos treze anos de idade. E ainda... Na nossa primeira noite de amor eu fingi o orgasmo.
-Deixa estar. Ela geme igual uma porca. Isso é extremamente broxante doutor.
-Chega! - o doutor - Vocês nunca tentaram nada de novo no casamento?
-Uma vez comprei um vibrador em formato de pênis. Achei bonitinho, tinha de cachorro, de cavalo, eu optei pelo de boi. Levei o vibrador para casa e no meio da transa perguntei a ele se ele deixaria eu enfiar aquilo no rabo dele.
-É que o senhor não viu o tamanho do vibrador. E se ela queria inovar, que enfiasse no dela.
-Machista!
-Eu sempre a levo pra passar fim de semana fora de casa.
-Há três anos que as nossas viagens são para o rancho da mãe dele. Ultra-romântico isso. Detesto sua mãe. Mulherzinha chata, insuportável. Juro que se ela falar outra vez mal da minha comida dou na cara dela.
-Mas a sua comida é muito sem graça mesmo.
-Ha... Ha... Ha...Na próxima vez coloco veneno na comida. Ai vamos ver se a comida ganha graça.
-Vocês já traíram?
-Eu algum tempo atrás freqüentava academia. Não perdia uma aula de swing baiano. O professor era um moreno alto, forte, com uma tatuagem enorme no braço. Toda terça e quinta as 20 hs eu estava lá. Juro que eu fiquei doidinha pra dá pra ele, mas ele era gay. Aliás, Glauber quem é Simoninha? Todo dia o número dessa vagabunda está no registro de chamadas do seu celular.
-É uma senhora sexagenária crente fervorosa lá do escritório. Creio que nem sabe o que é sexo oral.
-Para de ser mentiroso Glauber. Se fosse uma senhora sexagenária se chamaria Dona Simone. Se fosse uma mulher direita, não devoradora de maridos alheios, seria só Simone. Mas já Simoninha, é nome de guerra de alguma vagabunda! - ela se levanta e pega outro jarro - Glauber me conte agora quem é essa pirainha.
O doutor pega o jarro da mão dela, conserta a posição dos óculos, senta-se no banco e coloca a mão no coração.
-Você não quebra mais nada nesse consultório. Vocês já passaram por crises como essa?
-Já, mas não com a vontade de ao acordar e vê-lo cortar ele em pedacinhos.
-Isso é em relação a ela, eu acho que está tudo bem.
-Cretino!
-Vocês já pensaram em se separar?

Como o blog está fazendo aniversário ( 1 ano), eu quis presentear os leitores para que eles participassem ativamente da história. Então ao invés de comentar o que acharam desse curtas urbanas, peço que você continue a história, não precisa escrever muito, pode ser duas falas até, mas que participe. Lembre-se que se trata de uma obra de humor, por isso não transforme em drama, de resto abuse da criatividade. Desde já agradeço.

sábado, 24 de outubro de 2009

Curtas urbanas.

Sabe quando você reencontra amigos da época de scola. Aí como não tem nada pra falar vem aquele interrogatório do que você anda fazendo ou de quem você anda comendo. Mas quando essa pessoa que você reencontra é chata. Como se livrar dessa mala?



Os ingressos.

_Danilo.
-Almir. -Danilo o abraça com desânimo.
-Veio assistir uma pecinha?
-Não, vim aqui para ver sua cara. - sorrir.
-Quanto tempo cara! Você já deve ter uns 36 anos já né cara.
-É nessa faixa.
-Continua ruim de bola? Pô cara, ele era uma perna torta da porra. - ele fala isso para o cara de trás.
-Casou?
-Não.
-mas também feio desse jeito nem a gripe suína te quer. - comecar a dar risada - Essa foi boa.
-Já vejo que você continua o mesmo retardado de sempre.
-O quê?
-Você sabe quem está no elenco da peça?
-Não. Há se formou em quê?
-Em nada, não fiz faculadde.
-cara, ams tanta faculdade aí, até a Lia se formou em enfermagem.
-Meu Deus! Me diga em que porra de clínica ou hospital ela esta trabalhando.
Tem notícias do vítor, Soninha e Carlos?
-Vitor estar preso por tráfico de drogas, Soninha tá dando no calçadão e Carlos está queimando o suíte.
-Nossa que amizades você escolheu hein. Os meus amigos, a Amanda está morando nos Estados Unidos, Leo trabalha num jornal e Cássio trainne de uma multinacional e eu sou dsigner de jóias.
-Designer de jóias?
-Ah e você trabalha em quê?
-Mecânico.
Chegou a vez de Danilo.
-E tem dinheiro para ver uma peça?
-Não, estou aqui para ver se encontro um sobrando, ou tenho um caso com alguém da produção.
-Aqui as poltronas que ainda estão vazias. - Fala o balconista.
-Fila A.
-Vai pagar a primeira fila? - pergunta chocado Almir -Você morava numa casa que nem era rebocada de três cômodos e me lembro que na escola todos dividiam o lanche com você por você não ter o que comer no café da manhã.
Danilo vira-se.
-Está olhando bem para a minha mão e os meus cinco dedos? - ele mostra a mão -Eles vão parar aí nesse seu rostinho de merda. E não vai ser aberta, vai ser fechada mesmo.
Almir cala-se, Danilo pega o ingresso.
-Ah, eu peguei a poltrona A(, nem pense pegar A10, A*, ou qualquer A ou B que seja. Foi um prazer revê-lo. - Danilo se retira.
-Nossa, cara estressado. O que eu fiz? - Pergunta Almir para o balconista.

sábado, 3 de outubro de 2009

Curtas urbanas

Mariana é uma jovem de 30 anos, que passa pela chamada crise dos 30. não casou, não tem filhos. Acredita em astrologia, quiromância, tarologia, em fim, é uma mulher de 30 sem muita coisa para fazer. E em uma de suas consultas ela soube que sofreria um acidente que lhe custaria a vida.


A cartomante disse.

-Mãe, eu sou sua filha única. Mães tem essa coisas, esses pressentimentos, diga!
-" Filha você liga para a minha casa as duas da manhã pra isso. Eu estou aqui tomandoo meu pote de sorvete noturno e você vem falar de pressentimento..."
-Não é possível que você não esteja sentindo nada. Mãe a sua filha pode morrer. Não casei, não tive filhos ainda.
-"Ai, acho que estou sentindo alguma coisa".
-Ai, eu sabia mãe. Eu li nesses livros aí que as mães tem um elo preso com os filhos.
-"Ai filha o meu caso é intestino preso mesmo, tenho que aproveitar para dá aquela barroada, vou desligar". - desligou.
-Meu Deus. Esvânia!
-Oi - aparece a empregada.
-Eu tenho uma passagem para Florianopólis. Quer ir comigo?
-É de avião?
-Sim. - ela senta no sofá e desliga a tv que iria mostrar um avião que caiu no mar matando todos os passageiros.
-Num vou não, tenho medo.
-As estatísticas dizem que ´o avião é o meio de transporte mais seguro que existe. Ai Esvânia a cartomante disse que eu iria morrer. - chorando - Eu ainda não casei e não tive filhos. O meu futuro marido pode estar aí nas ruas e becos da vida a minha espera sem saber que pode nunca me conhecer.
-Acho que isso é encosto Dona Mariana.
Esvânia aconselhou a patroa a procurar uma Mãe de Santo.
A mãe de Santo incessa a casa.
Mariana tossindo se despede da Mãe de Santo.
-Acho que pela quantidade de incesso que inalei, estou protegida há mais algumas reencarnações.
-O seu amigo Flávio ligou.
-Ah Flávio! Ele é médico. Esvânia você é um gênio! - ela não beija o rosto de Esvânia.
No consultório de Flávio.
-Nada, está normal.
-Tem certeza? Nenhum tumor? Ferimento? Nada?
- Eu sou médico, primeiro a ética. Assim você está me ofedendo.
-Mas você sabe eu...
-Não casou, não teve filhos e também não adquiriu juízo. Onde já se viu acreditar em cartomante.
Ela em casa vai até a janela.
-Meu Deus me dê um sinal, alguma coisa. Um alerta para o que devo fazer!
-Cale a boca porra! - o vizinho do andar de cima grita.
-Ela entra e fecha a janela.
No dia seguinte ela tia o carro para viajar e atropela no estacionamento uma cadelinha.
-Vida! - a dona da cadela desesperada - Ai meu Deus.
Mariana começa a dar risada, pois entendeu a frase da cartomante: "Você sofrerá um acidente, que lhe custará a vida "
-Está rindo. Você matou a vidinha - a mulher chorando..
-Ela até está bonitinha toda estira dinha no asfalto - a dona olha para ela. - Ah desculpa. Foi mal.

sábado, 19 de setembro de 2009

Curtas urbanas.

O cinema.


-Compra pipoca pra mim bem. - Uma garota.
-A pipoca está absurda de cara, é filme de terror. Até não é bom comer pipoca, depois engasga, aí vai ser uma miséria.
-Mas depois vamos ver um filme de romântico, não é amor?
-Não... Vamos pra casa, tenho que ver essa fieira na perna.
Senta um homem bem alto na frente deles.
-Hei- toca no ombro do rapaz, esse se vira - Não notou que você é grandinho de mais para ficar na frente. Eu quero ver o filme.
-Vai se fuder. O rapaz se retira.
-Hei boca suja, sua mãe não te deu educação não?
-Calma, vai começar o filme meu bem.
-O serial Killer morre carbonizado no final do filme. - fala um menino que está ao lado.
-Que espécie de retardo você é? Você já assistiu ao filme e vem vê-lo só para tirar o prazer dos outros de assistir!
O menino começa a chorar.
-Desculpa. - A mãe se retira com o menino.
-Você está muito nervoso amor.
Passa uma gordona entre as fileiras de poltronas.
-Não sei por que gordo inventa de querer passar onde não pode. Acho que só para apertarem magros como eu.
-Ai querido fecha os meus olhos nas horas das mortes.
-Como você vai compreender o filme com os olhos fechados?
-Por que ela ta gritando?
-Eu acho que é por causa da faca que o sujeito está na mão. Eu mesmo quando vejo alguém com uma faca na mão correndo atrás de mim, paro e convido ele para tomar um chá comigo.
-Eu não estou entendo o filme.
-Para entender é preciso ler as legendas.
Uma senhora encosta a cabeça no ombro de Danilo e começa a dormir. Ele vira o rosto, olha para os lados, e dá um empurrão na velha. Ele finge que nada aconteceu.
Toca o celular de Danilo, as pessoas começam a resmungar.
-Hei parece que nunca aqui alguém deixou o telefone ligado. - jogam um saco de pipoca nele - Que porra.
Ao fim do filme, na saída do cinema.
-Quanta suspensão no filme.
-Você quis dizer suspense.
-Isso. - ela solta uma gargalhada sinistra - Quando vamos sair de novo?
-Sabe tipo 31 de fevereiro, beijo me liga.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Curtas urbanas.

Sabe aquelas situações em que você está no lugar errado e na hora errada, mas não nota e aí quando você percebe já é tarde de mais. Foi isso que aconteceu com Sérgio que foi convidado para uma roubada.


Um completo estranho em uma balada.

- É... Aqui tá ótimo!
Vai ao bar, ver uma morenaça bem alta.
-Oi gatinha. Não quer dividir o drink?
-Se toca.
-Sabia que você é linda.
Ela sorrir e olha para uma outra garota.
-Gostosa. - Ela diz isso para a outra garota.
-Eu ouvir bem você chamou a garota de gostosa.
-Porra que perna de pau são esses jogadores. É no meio! - ela não se controloa ao ver o jogo pela tv.
-Mais um drink desse. - Sérgio pede ao barmem. -Você acha que não está com muita pouca roupa não rapaz?
-Se quiser posso fazer um servicinho legal pra você. - pisca pra ele.
Ele vira-se.
-Cara estranho. - vira o copo.
Ver dois homens se beijando, e olha ao redor e ver a cena se repetindo entre homens ou mulheres.
-Nossa tem muito gay aqui.
-Mas aqui é uma boate gls. - fala o barmen.
-Hã?
Toca a sirene e aparece vários homens que começam a fazer um striper tease.
-Meu Deus estou numa boate gay. Onde tem um buraco pra me enfiar?
-Lá em cima.
Sérgio sobe e se depara com uma parede cheia de buracos e ver que alguns colocam a mão pelo buraco ou a boca. Ele se abaixa para olhar.
Ele dá um grito.
-Socorro, não fico mais aqui. - fala tapando o olho com uma das mãos.
Liga para um número.
-Dalton, estou numa boate gay, a vagabunda me enganou, me tira daqui. Eu acho que o meu olho direito está grávido. Você não sabe o que estou vendo, me tira daqui. - desliga.
Ele ver um colega de trabalho, se esconde.
-Merda o que o Alfredinho está fazendo num lugar como esse.
-Oi boneca. - ele vira-se e ver um homem armário em sua frente.
-Ui. Como você é grande!
-Tem outras coisas bem maiores em mim. Quer ver?
-Não... Meu namorado está me esperando ali.
-Não sou ciumento. - ele pega Sérgio com força.
-Eu... so... sou fiel.
-Adoro.
Começa a tocar uma música.
-Adoro essaa música.
Ele começa a dançar, todos fazem um círculo em volta dele. Pára a musica e el ver o colega dalton.
-Dalton até que fim você apareceu.
-É, se eu chegasse mais um minuto depois você estaria soltando purpurina.
-Me tira daqui, aqui tem muito vi...
Pára a música e todos ouvem, ele vira-se.
-Aqui tem muitas pessoa virtuosas, espiritualizadas.
-Não está colando. - Dalton.
Saem correndo da boate e entram no carro, Sérgio cansando.
-Passaram a mão na minha bunda. Eu não sei o que é pior, não saber que tipo de coisa passou a mão na minha bunda ou eu ter gostado.
-cara você está estranho.
-Acelera esse carro logo, eu ainda estou com a sensação que estou correndo e aquela multidão de gazelas enlouquecidas atrás de mim. Que filha da puta.
O carro parte.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Memória em surto.

Este é o quarto Memória em surto, pra quem não conhece, esse quadro é onde posto coisas que aconteceram comigo e também pessoas que conviveram comigo.
Memória porque são lembranças, surto, pois só posso estar louco em escrever certas coisas que não tenho coragem de falar com ninguém. Diferente dos outros, este Memória em surto não tem um tema definido. Talvez indagações?
Mas vamos lá, pra começar a pergunta que não quer calar. Por que o homem se preocupa tanto com a vida sexual de outro homem? Será que conseguimos viver sem fazer sexo? Aliás, vou mudar a pergunta: Qual a maneira mais fácil de viver? Ficar sem sexo ou viver sem conhecer o amor?
Não entendo essa preocupação dos homens ao conhecer um rapaz virgem, de que esse rapaz tem que logo comer uma mulher, estar pegando alguém.
Será que o homem é definido pela quantidade de mulheres que ele consegue levar para a cama? Primeiro lugar o pau é meu, eu uso ele quando quiser e com quem eu quiser.
Segundo, apesar de não ter a vida sexual que eu pedi a Deus ( confesso que a dos meus personagens estão melhores que a minha) não fiquei louco, nem doente. Terceiro, eu tenho o direito de escolher com quem eu vou perder a minha virgindade, seja ela puta, colega, desconhecida, namorada.
Quarto, creio que não sou menos homem por acordar e não ter uma linda mulher com a boca da Angelina, os seios da Daniele Winits e as pernas da Hickman, pois honro meus compromissos, tento ser verdadeiro o máximo possível, ao deitar tenho a minha consciência limpa.
Se alguém me perguntar hoje se sinto falta de sexo, responderia que não, pois conheço os meios de achar o tal “prazer” sozinho. Mas se me perguntarem se sinto falta de estar com alguém, a situação muda, pois sou humano e tenho a necessidade de ser ouvido, de olhar nos olhos de alguém e ver que sou importante para aquela pessoa, de estar abraçado com alguém e nem sentir o tempo passar, porque eu estava sentindo o calor dela. Enfim sinto falta de uma namorada, nesses 21 anos de vida – pode se espantar caro leitor - só tive uma namorada, mas o destino ( e uma parcela de culpa minha) fez terminar.
Eu já me indaguei o porquê ainda me mantenho com essa vida sexual tão casta.
1- Por ser tão tímido;
2-Será que tenho medo de mulher?
3-será que sou gay?
4-Ou sou tão romântico a ponto de acreditar que existe a metade da minha laranja a minha espera para que tenhamos uma noite tórrida de amor.
Confesso que não gosto mais de ler horóscopo, porque ele sempre diz a mesma coisa, que vou encontrar alguém que vai me completar, ou que vai virar minha cabeça e etc. Mas esse alguém nunca chega.
Arrependo-me profundamente de ter gastado um bom tempo da minha vida com livros, estudos, números. Se eu visse um menino que se comporta como eu me comportei na adolescência, eu diria, feche os livros por um momento, eles são bons, mas não vão trazer a mãe de seus filhos, vai beija na boca rapaz.
Eu não quaro levar para o meu epitáfio o quanto fui santo, puro. Acho que é bom às vezes sim ser depravado, incauto. Queria narrar a história do meu tio que já foi pra cama com duas mulheres ao mesmo tempo.
Desculpe caro leitor de encher você com essa minha vidinha medíocre de sempre. Não é intenção minha transformar o blog em um diário da minha vida ou extensão dela. Eu escrevo o que tenho vontade e também para desabafar às vezes. Enfim se alguma menina tiver a fim de dar pra mim e acabar com essa minha castidade coloque o endereço com o telefone no comentário. Aceito também conselhos de pessoas experientes nesse assunto. É sempre bom ouvi-los ( ou lê-los sei lá).

domingo, 16 de agosto de 2009

Curtas urbanas.

Curtas urbanas são situações que podem acontecer com qualquer um, com dosagens de humo. Decidir criar esse quadro devido ao sucesso de Memória em surto, para aquelas pessoas que comentam que escrevo textos muito longos, e também por ter gostado da experiência de me arriscar no humor (chega de tragédias).
O jornal
Não há mais nada prazeroso do que ler o jornal do vizinho, basta alguém sentar com algo impresso vem logo àquela louca vontade de dá uma espiadela no que o outro está lendo. E o senhor Waldecir comprou o seu jornal logo ao sair de casa, era só uma condução para ir para o trabalho.
-O que foi perdeu alguma coisa?
-Nada.
O rapaz disfarça olhando para outro lado. O senhor Waldecir volta a abrir o jornal.
-Nossa!
O senhor Waldecir olha feio para o rapaz.
-Nossa que lindo dia está lá fora. –o rapaz ajeita o cabelo com um sorriso sem graça.
-Não se pode nem mais ler um jornal em paz nessa vida. –resmunga senhor Waldecir.
Um minuto depois o rapaz de novo se contorcendo para ler o jornal.
-O que você achou de tão interessante no meu jornal?
-As notícias.
-Então as compre, porque esse é meu!
-Você pulou a parte de economia.
-Não gosto dessa parte do jornal.
-Mas o senhor deveria ler, está prestes a se aposentar...
-Eu comprei o jornal, leio o que me der vontade de ler. –o senhor se vira para voltar a ler o jornal.
-O senhor vai demorar muito nessa parte de mídia... É que depois vem a de esportes.
-Você é chato sabia? Tem outros assentos vazios no ônibus, se você não notou você está se tornando inconveniente!
-Dudão vai voltar pra seleção.
-Tem alguma foto sua aqui por acaso, você está no jornal?
Não.
-Então não me amole!
O senhor volta a ler o jornal, bastante irritado.
O rapaz se levanta para saltar e tira da mochila o mesmo jornal que o senhor está lendo
-Ei você estava se matando para ler o meu jornal, tendo o mesmo com você.
-É que eu gosto de ler o jornal ao sair do ônibus. –se retira.
-Cada doido que aparece.

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