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terça-feira, 7 de setembro de 2010

Próximo demais. -Capítulo 1.


Garotos se aproximam de um passarinho com a asa quebrada.
-Coitadinho.
-Temos que ajudá-lo.
-Assim ele vai morrer.
Se aproxima Lucas, ele é branco, cabelos castanhos encaracolados, olhos azuis, frios e quentes ao mesmo tempo. Ele olhava para você e você se sentia despido, mas não de roupa, era como se ele te decifrasse pelo olhar.
Ele pega uma pedra e joga em cima do passarinho espirrando sangue em nós.
-O que deu em você seu demente? -Luís o agarra pela gola.
-O solte.- Eu.
-Ele iria morrer de qualquer jeito, eu só apressei a morte dele. vocês tentando o ajudar só iria aumentar o sofrimento dele.
-Vamos Lucas. vamos Lucas!
Acordo com o despertador, me levanto, me espreguiço, vou ao banheiro e lavo o rosto. Não tô nada mal para um homem de 30 anos.
Desço as escadas.
-Papai. -a carrego no colo.
-Já acordada a essa hora? - a sento na cadeira -Quer comer o que mocinha?
-Pão com ovo, queijo e presunto.
Dou risada.
-Vou tirar o ovo tudo bem? Você comeu ontem ovo.
Tomamos café, a coloco dentro do carro, a deixo na escola e vou para o meu trabalho.
Sempre faço o mesmo percurso, dá bom dia aos vizinhos. Paraíso é uma cidade pequena, tranqüila, não tinha muitos crimes para eu investigar. Compro o jornal e em dez minutos chego a delegacia.
-E aí Pedro como anda a Cibele? -Jorge.
-Espevitada como sempre.
-Um amor de menina, deveria trazê-la mais vezes aqui. -Wassaly.
Wassaly era gordo com uma careca enorme sempre fumando o seu charuto e com a sua risada característica e Jorge um jovem, tem muito a aprender, esses são os meus colegas de sala.
-Não gosto que ela fique aqui. Aqui não é lugar para crianças. Alguma novidade?
-Bom dia garotões! Alguém quer café?
Regina Ábramo, experiente criminalista, sempre quando quero um conselho peço a ela, 35 anos de carreira, casada, o marido que cuida dos filhos, é escritor.
-E quando sai o próximo romance do seu marido? -Wassaly pergunta.
-Em breve, eu sei que sai esse ano.
-Novidades?
-Foi encontrado o corpo de uma garota de 22 anos morta numa banheira.
-Já estão fazendo a perícia?
-No local sim, eu dei ordens de só levar o corpo quando chegarmos, no caso você.
-Trabalho Wassaly.
-É melhor irmos correndo não é sempre que acontece isso numa cidade parada como essa. -Wassaly.
-Não é a toa que chamam de Paraíso isso aqui. -Jorge.
-Eu queria que você levasse o Jorge.
-Mas... -olho para ela -Ok. Vamos Jorge.
Chegamos no localdo crime, cheio de curiosos na rua. Ela estava nua na banheira, a água estava vermelha do sangue dela.
-Olhe que interessante. - o legista mostra inscrições no braço dela.
-Pescator, affonda l'esca...Là turbini e farnetichi...O cor, dono funesto,Deh! non turbare - con ree parole. -Leio.
-São execuções de uma ópera, La Gioconda. Dois amantes são descobertos, e mulher se envenena, mas é salva por Gionconda, que também fazia parte do plano de desmascarar o casal, ela troca e esconde a moça numa gruta, a boca do leão. No final ela morre como preço da traição. -Fala Jorge
-Você acha que se trata de suicídio? Por que ela faria isso? Provocaria tanta dor para depois morrer.
-Um espetáculo?
A unica coisa que sei que o nosso assassino é culto por enquanto.
Ela se chama Dominique, tem 22 anos, estudou no Liceu de Artes de Paraíso, a mesma escola que estudei, gostava de tocar piano, estava estudando para ganhar uma bolsa de estudos para estudar música clássica em Quebec, falava francês fluentemente, não tinha namorado e era uma menina que gostava de ir a igreja.
-Ela morava sozinha aqui?
-Sim. -a mãe -Dominique sempre quis ser independente, com o primeiro trabalho alugou isso aqui. Já tem pistas de quem seja o assassino?
-Vou esperar sair a perícia do corpo.
-Ela não se matou, ela não faria isso, ela gostava de viver, tinha tantos planos.
-Ela não tinha namorado?
-Ela namorou um rapaz, por três anos, ele morreu, era alérgico a picada de abelhas, foi uma tragédia. Depois disso ela não quis mais ninguém. Mas andava ultimamente estranha, ia regularmente ao Liceu.
-E os trechos da ópera no braço dela?
-Eu não sei... Eu não sei. -começa a chorar.
Eu saio, começo a ler o jornal e vejo que vai ter uma apresentação de violino de um jovem talento. me dirige para lá, para assistir.
Ele tocava com maestria, dominava o instrumento, sentia a música. me lembra muito alguém. O som da melodia me fez esquecer um pouco dos problemas que estavam por vim, de Dominique e da forma terrível como morreu, dos planos dela. Eu nem lembro mais os planos que eu tinha quando era garoto.
xxx

Estava jogando bola com outros amigos, a bola cai longe aos pés de um menino, Lucas.
-Sabe jogar?
-Não.
Voltamos a jogar, ele nos observava.
-estranho esse menino?
-Ele mora aonde?
Droga Márcio você jogou a bola longe!
Descemos, Lucas nos seguiu e encontramos a bola, mas não só a bola como também dois corpos. E aquela imagem nos prendeu, e nos assustou, o único que não parecia assustado era Lucas, admirava a imagem, sentia cada detalhe da cena.
-Vamos chamar ajuda. - o puxo.
Era um casal, estavam desaparecidos a 48 horas.
-Não teve medo? -Perguntei.
-Todos morrem um dia. Eram apenas dois corpos.
XXX
-Lucas!
Ele vira-se. Tinha acabado a apresentação.
-Pedro.
-Eu recebi uma carta em que dizia que você tinha morrido de pneumonia. E agora te vejo aqui. Que brincadeira é essa?
-Você sofreu?
Eu me viro.
-Espera! Desculpa.
-Éramos amigos, irmãos de sangue. Eu sofri muito com a sua morte.
-Eu não tinha notícia suas, descobri onde morava e me deu a idéia de escrever a carta, eu como sabia fazer a letra de minha mãe, pois você conhecia a minha letra. Foi uma brincadeira tosca e sem graça eu sei.
-Qual o seu problema? Não se pode brincar com a morte assim. -vou me retirar.
-Pô, errei. Você não erra? estou com saudade de você amigo. - com lágrima nos olhos.
-Quanto tempo está na cidade? -Pergunto ainda de costas para ele.
-Três meses.
-E não iria me procurar?
-Você tinha se mudado de Paráiso. Como iria imaginar?
O abraço.
-Toma um café comigo?
No café.
-Então é investigador criminal?
-Isso.
-E acontece muitos crimes no Paraíso? Só me lembro daquele do casal, faz 20 anos.
-Hoje aconteceu um e espero que continue assim a cidade.
-E a sua esposa?
-Sou viúvo.
-Lamento.
-E você?
-Amor, casamento são convenções humanas que ainda não me pegaram. -sorriu.
-Tinha esquecido desse seu sorriso, fica tão bonito quando sorrir. E está fazendo o que em Paraíso?
-Vim por causa de minha mãe, está muito doente, acho que nas últimas.
-O que puder ajudar.
-Obrigado. Me formei em Música. Tô dando aula no Liceu e você nada! -rir.
-Acho que não nasci para as artes. -rir.
-Vou indo, tenho que treinar. Vou participar de um concurso.
-Aqui meu endereço e número. Mora eu e minha filha.
-Filha? Quantos anos? E como se chama?
-Tem 6 anos, Cibele.
-Espero conhecê-la um dia.
-Apareça lá em casa e ver se não some.
-Não vou sumir.
Se retira. Lucas continuava com aqueles mesmos olhos quentes e frios ao memso tempo que tanto me incomodava e me acolhia.

Quero você!. -Capítulo 1.


I

1977.

Eu nasci numa primavera, dia chuvoso. A minha família numerosa estava toda no corredor do hospital à espera do rebento do casal que tinha apenas 1 ano de casados.
Minha mãe, Amélia, uma mulher nos seus 28 anos e o meu pai, Fausto, 37 anos. Tinham enfrentado uma das maiores barreiras, o preconceito. A família da minha mãe não queria ver a menina trabalhadora, prendada, dedicada, esforçada e inteligente casar com um homem beirando aos quarenta, que já tinha um filho, que trabalhava como cobrador de ônibus, que gostava de jogar no bicho.
Mas eles enfrentaram tudo e todos e se casaram em junho do ano passado. Preconceito eu saberia bem o significado dessa palavra anos mais tarde. Mas isso conto-lhes depois.
O que só posso adiantar, que como já disse nasci numa manhã chuvosa de primavera, 10 h e 35 min..O meu parto durou 40 minutos, minha mãe optou pela cesariana. Eu nasci gordo pesando 2kg e 300 g, com os olhos castanhos claros, chamativos e grandes cheios de curiosidade, que logo encantou toda a família. Tia Rita me levou logo ao colo e em pouco tempo deram-me para minha mãe e esta me deu peito e sugava o leite avidamente como se quisesse matar a fome de nove meses e logo engordei mais e me tornava a paixão da família, o bebê gordinhode bochechas cheias e de olhos castanhos claros cheios de curiosidade.

II

1981.

Até os 4 anos era o motivo de alegria e descontração da família, mas isso durou pouco. Não me lembro bem como começou, o que só sei é que me lembro dela por vários dias na cama. Não era comum minha mãe ficar na cama, amanhecia com as galinhas e logo cedo já se via ela com o pé da barriga no tanque ou no fogão. E quando eu acordava sabia que encontraria a mesa para o café já pronta. No lugar das risadas, deu-se lugar a afagos pretensiosos e conversas que eu não entendia.
Até que um dia ela me chamou ao pé da cama.
-Filho, torne-se homem direito, cuide dos seus irmãos. Queria tanto te ver homem feito. O meu menininho já tem 4 anos. Não deixe ninguém decidir o que é melhor pra você. Prometa que vai lutar pelos seus sonhos, mesmo que eles pareçam difíceis nunca vai desistir.
-A senhora vai morrer?
-Vou meu anjo, mas vou estar sempre do seu lado. Eu te amo. As pessoas vão, mas as lembranças ficam. -ela tosse.
Ela para os olhos em mim e a mão dela devargamente solta da minha. E entra a minha avó que se abraça ao corpo da minha mãe chorando e tia Rita me tira do quarto e eu custando a entender que estava órfão de mãe.

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