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sexta-feira, 23 de maio de 2014

Algo errado.



A violência nossa de cada dia
Presos aos nossos quadrados indiferentes ao nosso irmão
Gentileza é coisa do passado
Se ver no outro é coisa que assusta
Discursando bonito a sua logomania
Incapaz de oferecer uma mão
Não querendo se adequar, querendo o adequado
Não importando o quanto custa
A criança foi deixada na tenra idade para fazer a festa na posteridade
Se dá um tiro de raiva na cara de Cristo
Deflora uma criança que nem descobriu o Brasil
Fecha-se a janela com medo de algum menor
Em que alguma madame que não fabrica lixo, só vaidade
Diante do luxo de alguma mãe que não sabe o que dá de comer  amanhã pelo visto
Coisa igual a essa nunca civil
Em que o salário nem paga esse pormenor
Há coisa pior do que o beijo entre dois rapazes
Há coisa pior do que querer fazer a cabeça
Há coisa pior do que ser dona do próprio corpo e não cuspir mais uma criança
Há coisa pior do que sobreviver com alguma bolsa politica
Por mais difícil que pareça todos nós somos capazes
Deixem o menino namorar quem ele mereça
Deixem o menino queimar sem perder a confiança
Tirem a mulher da ilegalidade sem critica
Não critiquem a dona de casa que só quer matar a fome
Coisas como esssas sempre civil
A Pátria pariu uma mulher que veio no corpo errado
A Pátria pariu a agressora de criancinhas
A Pátria pariu a crueldade de um homem sem nome
A Pátria pariu o politico que dela se serviu
Em que nada disso precisa ser alegado
Perante a outras várias coisinhas
O Brasil intolerou-se deitado em berço esplêndido
Fez justiça na Pátria mãe gentil
Despejou seu ódio às margens plácidas
Se tornou careta num formoso céu risonho  e límpido
Há algo errado nessa geração
Nem os orixás escapam da boa intenção de algum cristão
Nem as meninas querendo serem livres entre as pernas podem serem felizes
Felicidade tem rótulo, orientação, versículo
Os culpados estão soltos, os inocentes mortos com ou sem ação
Tomar posse do que lhe é direito é arrastão
Diante de mais um aumento enfeitam os narizes
Não conseguindo escapar de cada eleição do mesmo círculo
O revolucionário e reacionário entre chutes e pontapés
O ateu e o cristão batendo boca sem audição
O heteronormativo e o homoafetivo descendo a força o que vai além da anatomia
O antiquado e o moderno se engalfinharam sem a lógica do tempo
Todos esses deixaram esfriar os canapés
Não se conheceram, não aproveitaram a curtição
Ficaram presos a alguma fisionomia
Presos a esse passatempo
Passa-se Copa, passa-se carnaval
Passa-se buzú lotado, passa-se mandato
Passa-se cheque em algum ativo, passa-se propina
Passam-se mentiras em mídias bem intencionadas, passam-se falcatruas de algum politico
Tudo com o seu aval
Sem mencionar nenhum outro coitado
Porque tudo que é de fora combina
Esquecendo de jogar fora o Brasil que não mais se combina.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Cabeça de dinossauro. - Capítulo 1.



Um carro para na porta de uma escola, dentro estão um garoto de 12 pra 13 anos e uma mulher que ainda guarda alguma beleza.
-Não vai me dá um beijo?
-Eu não tenho mais 10 anos.
-Mas sou sua mãe, e beijo é uma demonstração de carinho, de afeto, de amor.
-E quem disse que eu te amo.
-Todos os filhos devem amar sua mães Eu não parir ninguém para me odiar.
-Você não me ama, você me compra. O amor é um contrato, em que um dos dois saem perdendo.
-Por que você não foi morar com seu pai?
-Porque você não deixou. A senhora não deixa eu nem sentir falta de você.
A mãe começa a chorar.
-Vai, você vai se atrasar pra aula.
-Eu detesto essa escola.
-Você quer a vagabundagem. Eu deveria ter deixado você com seu pai, ele certamente te colocaria nos eixos, apesar de não ter tempo pra você.
O menino vai sai do carro.
-Não esquece a mochila.
O menino sai do carro. O menino tem 12 anos, Matheus Curvello, é deixado lá 5 vezes na semana como uma coisa ou mercadoria. Sua notas não são boas, como também seu comportamento, mas isso era normal.
A mãe se chama Luíza, está tentando viver com sua vida de divorciada. Não sabe o que não deu certo no casamento. Mora num bom apartamento, num bom bom bairro, vive com uma boa pensão do ex-marido, Eduardo, um policial, que tem apenas os domingos para visitar o filho quando aparece.
Luíza chega em casa cheia de sacolas e encontra o ex-marido na porta.
-Por  que não entrou se tem a chave?
-Eu acho que não tenho mais esse direito.
Entram.
Ela coloca as compras na mesa.
-Precisa de ajuda?
-Não.
Ela volta pra sala.
-Quer água?
-Não. Você precisa me ligar menos. Incomoda, tô no trabalho.
-Você não apareceu no domingo. Ele te esperou, a cada campainha tocada ele pensava que era você.
-Não deu, eu tive um compromisso.
-Com amigos.
-Eu quase não tenho folga... Só vivo pro trabalho.
-Eu sei, esqueceu que eu fui casada com você por 12 anos? A empregada Cássia pediu aumento. estou apertada... as contas não fecham, eu não quero perdê-la, é a única que aguenta as malcriações dele.
-Peça pra ela me ligar, me acerto com ela.
-Matheus não gosta da escola, não quer ir pra lá. É inteligente, eu sei, está se reprovando pra você pagar os mais de 2 mil reais no final do ano.
-Eu não pago, ele já sabe disso, ele repete de ano.
-Não foi pra isso que chamei você. Encontrei isso. - dá o pacote - É maconha. Cortei a mesada dele, tirei a TV, a internet. - chorando -Eu não sei mais o que fazer. Ele só falta me bater, já está quase do meu tamanho. Me chamou de puta ontem.
-Você mima demais esse menino, por isso está desse jeito.
-Você não entende, é nessas horas que faço as vontades dele, que ele me beija, me chama de mãe. Eu tenho medo de perdê-lo como perdi você. Só é eu que não presto, que não sirvo.
-Eu vou falar com ele.
-De que jeito Eduardo? Do seu jeito não tá dando certo. Ele disse que eu só fiz um filho pra ter todo o conforto que tenho, que apenas o cuspir pro mundo. Eu deveria ter o abortado como você sugeriu, éramos jovens, você estava no curso pra oficial.
-Mas você quis casar.
-Eu pensei que a felicidade era isso. Encontrar alguém, casar, ter filhos.
-Eu tenho que ir.
-Obrigada por vir.
Matheus na sala de aula.
-Matheus está errado. - O professor.
-Conserte o senhor mesmo. Por mim você pode enfiar todas essas linhas no cu, talvez goste.
-Saia da sala.
-Não saio. Me tire o senhor mesmo, talvez caia de tão velho.
Os alunos começam a rir.
-Desça Matheus. - uma menina.
-Robson chame a diretora.
-Não tenho medo dela. Você pode dividir com ela as linhas. Ela é mal humorada daquele jeito porque certamente falta uma pica grande pra satisfazê-la.
O professor pega no braço dele.
-Você vai sair da sala.
-Me larga!
Num dos banheiros da escola uma menina chupa um rapazinho e ele filmando ela com a boca toda em seu pau. O nome do rapazinho é Marcos Alencar, vive com a avó, os pais desistiram dele. Não foi um menino desejado, não era pra vir, foi acidente.
Num outro cantinho da escola, longe dos olhos de qualquer um , até de Deus, está Lucas Meneghuete com amigos fumando algo legal, queimando aula. O pai morreu, era bandido, a mãe tentou matá-lo  desde a barriga, pro avô ele não existe, é fruto de uma desobediência da filha, ele só tem o irmão que o pegou pra criá-lo.
E toda escola parou pra ver a briga de João Beilke com outro menino na cantina. A briga não se sabe o motivo e nem quem começou. Os dois saíram feridos, eram bons de briga, talvez a única coisa em que era bons.
Os quatro sentados. O professor gritando, exigindo a expulsão do aluno. Os quatro não se olham. Luíza recebe a ligação da escola, estava no trabalho. Deixa o que estava fazendo para ver o filho.
-Quase você ia ser expulso Matheus. É certo isso, eu deixar o trabalho pra ouvir isso? Suspensão de 10 dias, eu vou contar pro seu pai.
Ele de cabeça baixa.
-Fala alguma coisa pelo amor de Deus.
Ele levanta a cabeça.
-Eu odeio a senhora.
Era aquilo que ela não queria ouvir.
Marcos Alencar voltou pra casa. O pai estava o esperando em casa.
-Que idéia foi essa de colocar o video na internet?
-Ela era vagabunda.
-Os dois são.
-Eu não obriguei a chupar o meu pau.
-Eu vou fazer o café. - fala a avó.
-Sabe quanto vai me custar essa brincadeirinha?
-O senhor tem dinheiro, foi sempre o que ouvir.
-Ou você se tranforma em homem de verdade ou não vai ter nada mais de mim.
-A única coisa que eu quis do senhor, o senhor não me dá.  - se levanta e sai.
-Marcos volta aqui. Isso é maneira de falar com seu pai. -a avó.
-Deixa, não falta nada pra esse menino mãe.
João na cama, a mãe passando um produto nos ferimentos.
-Ai.
-Passou. Por que João você é assim?
-Pra vocês me verem.
-Mais?
-É pouco, desculpa.
-Vamos pra igreja mais tarde.
-Eu não quero ir.
-Isso não é uma sugestão ou pedido.
Lucas chega em casa, o irmã não estava lá, e também não foi o buscar. Tinha comida pronta. Alguém bate na porta, ele abre, era uma mulher que ele não conhecia.
-Onde está o seu irmão?
-Quem é a senhora?
-Sua mãe.
Matheus tomando banho, a mãe revistando a mochila dele. Procura alguma coisa com medo do que achar. Encontra dinheiro, muito dinheiro. Pega o dinheiro e guarda a mochila no lugar.
Vai pra cozinha e prepara a mesa.
Matheus aparece.
-Não vai comer a mesa?
-A senhora sabe que não como.
-Não sente falta?  Por favor senta.
Ele olha pra ela, senta. Ela coloca o dinheiro sobre a mesa.
-Aqui tem R$800,00. De onde vem isso Matheus?
-Quem lhe deu o direito de abrir minha mochila?
-Eu sou sua mãe.
-Não devia ter esse direito só porque me cuspiu pro mundo.
-De onde vem esse dinheiro Matheus?
-Eu vendi uma coisas,
-Que coisas?
-Não interessa. A senhora cortou a minha mesada esqueceu? Vou comer no quarto.
-Você vai ficar aí. - o segura.
-Eu vou morar com meu pai, te deixar aí sozinha apodrecendo com sua boas intenções.
Ela bate no rosto dele.
-Você vai pro quarto, vai me esperar lá. Você pode ter a certeza que isso vai doer mais em mim do que em você. - chorando.
Ele se levanta, entra no quarto. Luíza enxuga as lágrimas, se levanta, pega o cinto no quarto, o velho xico de infância. Bate na porta.
-Esta aberta. - ela escuta lá de dentro.
Ela entra, ele estava de joelhos, com as costas prontas.
-Não vai ser nas costas, vai ser nas pernas.
Ela fecha a porta. Ele já não chorava, nem gritava, nem pedia pra parar.




domingo, 18 de maio de 2014

Favela.



Lugar que não é bonito
Muitas vezes construído de improviso
Que não consegue se esconder do conflito
Que teima em não dá aviso
Fazendo filhos
Diante de boas intenções de algum político
Nem aí pro corpo sem jazigo
Famílias se sustentando a passo acrobático
Vendendo seus sonhos por uma bagatela
Meninas brincando de ser mãe
Meninos brincando com armas
Criança tendo que acordar pra trabalhar
Esqueceu de estudar, de brincar, de ser criança
Favelas que não tem formas
Em que a chuva só vem pra atrapalhar
Onde se busca algum deus ou pastor em busca de alguma esperança
Casa bonitinha sem reboco
Na laje pedras queimadas sem pipoco
Sem vigília da polícia
Que bate, espanca e mata um cidadão
Em que o único crime era sua cor
Ficou sem provar por hoje os quadris de sua mulher que era uma delícia
Ficou sem colocar pra ouvir no fim de semana depois do futebol o seu pancadão
Pelo menos deixou de incomodar o silêncio, agradeça o agressor
Agradeça a senhora de tão velha que não viu
A bichinha cabeleira que só aplaudiu
Ao bêbado que ainda acusou
Algum parente que ainda abusou
Aos santos que não desceram
Aos amigos que se perderam
Na favela é difícil sorrir
Sorrir de contente
Apenas se mora
Não se sabe se foi Deus que colocou
Ou apenas se acostumou.

Sentir.



Quero sentir o amor tomar o meu corpo
Falar palavras bonitas ao pé do ouvido
Pegar minhas mãos e aquecê-la quando for frio
Quero ver sorrindo depois de uma noite de prazer
Quero que pelo menos tenha corpo
Sem a necessidade de ser físico, aguerrido
Sem nenhuma necessidade de nenhum acusatório
Sem a necessidade de um filho fazer
Mas não tá aqui me acompanhando a noite
Não está com os braços em volta do meu pescoço
Me dando beijos sem querer se despedir
Com os olhos brilhando me envolvendo num altar
Me fazendo rei sem precisar acreditar no convite
Ao invés disso me faz sentir estrangular sem ter nenhuma reação de esboço
Deixando me afastar sem me impedir
Deixando criar ilusões bobas pra depois sepultar
Leva a minha carne num cortejo fúnebre
Onde o choro é só um passatempo
Reata os nós dos desavisados
Brincando com coxas, pernas e abraços
Beijando outro rapaz que se arde sem febre
Passa-se dias e noites sem noção do tempo
Você sorrir dos corpos abusados
Lambuzados pelos demorados amassos
Não sentir é inevitável
Queria rasgar tua pele
Fazê-lo engolir as declarações de amor
Te encher de todas as doenças possíveis
Mas nada disso vai lhe fazer voltar aceitável
Nada disso vai lhe tirar da minha pele
E não vai desaparecer com meu mau humor
Sendo impossível entender tantas coisas incompreensíveis
Só não queria sentir
Como uma vez te sentir
O que faço com esse sentimento que não consigo dá a outra pessoa?
Sentir é invitável
Eu só não queria sentir sozinho.



domingo, 11 de maio de 2014

Buceta.


Cheirosa que me provoca
Com todos os seus pelos passando pela minha boca
Descobrindo seu interior com a minha língua
Não dando para o meu pau trégua
Te deixando molhada entre as pernas
Deixando melado minhas pernas
Deixando colocar a mão
Te abrindo sem nenhuma afeição
Com toda a sua grandeza perante as minhas mãos
Para aproveitar a diversão
Com cada dedo descubro os caminhos
Com algumas trocas de carinhos
Para meter a minha vara bem devagarinho
Aproveitando todo o caminho
Gozando dentro dela
Satisfazendo ela.

Íntimos. - Capítulo 20 - Final.



Pedro Nasva - 24 anos - 2002.

-Será que vai doer? - Júlia pergunta.
Estão todos deitados na cama só com roupa íntima, Pedro no meio dos dois.
-Não sei. - responde Pedro.
-O que será que vamos encontrar daqui pra frente? Isso não assusta vocês? - Vinícius.
-Eu fico imaginando como vai ser quando nos encontrarem. Se vai ter foto nossa em jornais, como vai ficar minha mãe e meu pai, se vão chorar.
-Por isso é bom não ter ninguém. É tão ruim se despedir. - Vinícius.
-Acho bom voltar pra casa e ter alguém me esperando, eu gostaria de encontrar alguém me esperando  para aonde for. - Pedro segura nas mãos deles.
-Eu não tô mais conseguindo manter meus olhos abertos. - Júlia.
-Tá tudo ficando bem. - Vinícius.
-Eu amo vocês. - Pedro.
-Boa noite Pedro. -Júlia.
-Até breve Pedro. - Vinícius.
-Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra sempre! Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes. Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos. Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:  - E daí?Eu adoro voar!  -Júlia.
-Eu não gosto do bom gosto, eu não gosto de bom senso, eu não gosto dos bons modos, não gosto....Eu gosto dos que têm fome e morrem de vontade, dos que secam de desejo,  dos que ardem. - Vinícius.
-Acho que sou bastante forte para sair de todas as situações em que entrei, embora tenha sido suficientemente fraco para entrar... Ando meio fatigado de procuras inúteis e sedes afetivas insaciáveis. Meu coração tá ferido de amar errado.Acho espantoso viver, acumular memórias,  afetos. Tô exausto de construir e demolir fantasias. Não quero me encantar com ninguém. Quem diria que viver ia dar nisso? .. Não choro mais. Na verdade, nem sequer entendo por que digo 'mais', se não estou certo se alguma vez chorei. Acho que sim, um dia.Quando havia dor. Agora só resta uma coisa seca. Dentro,fora. Num deserto de almas também desertas, uma alma especial reconhece de imediato a outra. A gente se apertou um contra o outro. A gente queria ficar apertado assim porque nos completávamos desse jeito, o corpo de um sendo a metade perdida do corpo do outro...O tempo que temos, se estamos atentos, será sempre exato. Não é verdade que as pessoas se repitam. O que se repetem são as situações. Mudei muito, e não preciso que acreditem na minha mudança para que eu tenha mudado. Natural é as pessoas se encontrarem e se perderem. - Pedro.
Silêncio profundo, dava pra ouvir o tic-tac do relógio, o barulho da mobília velha, o som da noite que teimava em não se calar, um vazio tomou aquele lar. Não tinha mais risadas, gemidos, gritinhos. As brigas foram deixadas, como os beijos, os momentos juntos. Os três se mantinham deitados, dormindo, não  e sabe se dormiram felizes como queriam, mas estavam juntos. O silêncio foi interrompido por um choro, um choro contido, que não se continha diante do fato. Pedro se levanta no meio dos dois, chora como menino por ter voltado ou nunca ter ido, mas mais por nunca ter crescido.
Algumas horas atrás.
Pedro entra com Júlia no hospital, ela continuava sangrando muito, chorando gritando de dor. Pedro fala com uma enfermeira, que se aproxima pra ver o caso de perto. Ela se retira e fala com outra enfermeira que faz uma cara de recriminação, de desaprovação.
-Pelo amor de Deus alguém ajude aqui!
-Vai dá tudo certo minha fila. - uma senhora segura a mão de Júlia.
Júlia sentada num banco se segurando em Pedro.
-É aborto. - ouve-se.
-Eu vou morrer Pedro... Eu não quero morrer.
-Você não vai morrer. - chorando.
-Foi bom assim, não éramos mais uma família, não éramos mais felizes.
Júlia é atendida e horas depois ela acorda, Pedro do lado dela.
-Tudo bem?
-Como era? Você o viu?
-Não parecia gente.
-Me promete uma coisa, eu também te prometo. Quem tiver um filho primeiro dará o nome que eu queria a esse, Pedro. Para assim termos o nosso filho que não veio. - chorando.
-Prometo. Agora descansa.
-Como tá Vinícius? 
- Ele tá bem, não corre mais risco.
-Eu quero vê-lo.
Pedro leva Júlia até o leito de hospital de Vinícius, Júlia estava chorando.
-Me desculpa. - alisa o rosto dele -Me perdoa por favor.
-O que o ciúme fez com a gente? Você quase me matou.
-Eu não queria que tudo terminasse assim.
-Acabou quando já não somos mais em quatro.
-Volta pra casa. Lá é o seu lar, por favor.
Vinícius olha pra Pedro, que também estava chorando e depois pra ela, segura na mão dela.
-Vocês é que são o meu lar.
Já de noite voltam para asa, todos juntos. Mas era diferente, eles tinham medo de se perguntarem porquê, mas mesmo assim não se viam separados, se sentiam juntos, feitos da mesma carne e pele. Mas não conversaram, evitaram até a olhar  um pro outro, não tiveram nem vontade de se tocarem, apesar de se desejarem , de terem tanta coisa pra dizer, de quererem se ver. Não se sentiam felizes, apesar de estarem, ou era para estarem. cada um no seu canto, mudo, imóvel, parados no tempo e não dava pra imaginar no que estavam pensando.
Júlia se levanta, coloca um disco no tocador e liga. Era Pro dia nascer feliz e os três começaram a cantar a música quando chegou no refrão.
- Pro dia nascer feliz
Essa é a vida que eu quis
O mundo inteiro acordar
E a gente dormir.
O som vai dimunuindo, eles se olham.
-Você é feliz Pedro? - Júlia pergunta.
-Acho que sim.
-Eu me sinto feliz quando estou com vocês. - Vinícius.
-Então felicidade é um momento, instante, estado? Eu quero é ser feliz Vinícius. - Júlia chorando.
- Acho que não dá pra ser feliz todo tempo. Não tem formula Júlia.  -Pedro.
-Os meus momentos de felicidade são raros e escassos. Será que o problema é comigo?
-Mariana será que foi feliz? - Pedro pergunta.
-Eu quero ver Mariana. - Vinícius - Sinto falta dela.
-Vocês morreriam comigo? Não morremos com Mariana , não morremos por ela.
-E a vontade do outro fica aonde? - Pedro. - É amor também respeitar a vontade do outro. Mariana se matou Júlia aos poucos.
-Eu quero morrer rápido, não sentir a morte. - Vinícius.
-Não temos ninguém Pedro, só temos a gente.
-Eu não sei se fui feliz antes de conhecer vocês. Eu nem sei se fui feliz com Rafael, foi tão rápido, não deu pra sentir. - Vinícius.
-Sua mãe tá longe Pedro. Você não é músico, você não tem amor, é perversão, não é correto. - Júlia.
-Eu morreria com vocês... Eu morreria por vocês. Eu não sei se isso é amor, mas sou muito fraco pra viver sem vocês. - Pedro chorando.
Vinícius traz um frasquinho com copos com água.
-O que é isso? - Pedro pergunta.
-Vamos dormir, como meninos, como anjos. Não dói dormir.
Pedro parado diante dos corpos, a luz do sol já estava entrando no quarto, e os dois lá parados. Ele não sabe quanto tempo estava lá, nem quanto chorou, já não chorava. Via os dois, como os via muito, como gostava de vê-los, com pouca roupa. Tinha vontade de vê-los sem roupa pela última vez. Os seios perfeitos de Júlia, o pênis gostoso de chupar de Vinícius, a bunda dele que aguentava cada centímetro dele, a vagina dela com todos os pelos cheirosos que ele adorava levar a boca, rosto, era como se sentisse. E sem querer ficou de pau duro vendo os dois corpos, não se recriminou por isso. Tirou a roupa íntima de cada um, admirou o que mais gostava de cada um, levou a mão por debaixo da calça e começou a mexer no seu pau duro, alisava como se alisasse o corpo de cada um.  Passou a mão pelo corpo de Júlia, já estava frio, não estava quente como quando ela ficava por cima dele. Passou a mão no corpo de Vinícius, cada músculo dele, era um desenho perfeito os corpos deles, queria guardar cada partizinha de cada um na cabeça. O pau de Vinícius não estava duro, mesmo com o toque dele, mas mesmo assim ele levou a boca o falo frio, deu um beijo em Júlia, beijou o bico dos seios dela, sentiu pela última vez os pelos pubianos de Júlia  por sua boca, sem tirar a mão do seu pênis, gozou, gostou, era normal.
Virou Vinícius de costas e começou a penetrá-lo e entre esse mais um gozo e outro dentro de Júlia chorou.
Já era dia e Vinícius fez o que costumava fazer, fez compras, assistiu TV, tocou na rua em busca de alguns trocados, mudou alguns objetos de lugar, limpou o piso. E por mais que limpasse o piso, ele ainda via sangue no chão, por mais que arrumasse, continuava tudo desarrumado. Sentado em um canto começou a beber uma cerveja, olhava pro relógio e as horas não passavam. Alguém toca a campainha, era a sindica.
-Eu vim avisar que o aluguel está atrasado.
-Aqui. - dá o dinheiro.
-O Vinícius e a Júlia estão melhores? A noite retrasada foi movimentada.
-Estão.
-Estão aí?
-Sairam.
-Não os vi sair.
-Você consegue ficar 24 horas na janela observando a vida dos vizinhos?
-Eu sou uma mulher muito ocupada.
-Então cuide da sua vida e deixe a minha.
Bate a porta, pega um jornal e volta pro quarto onde estão os dois. Senta diante deles, abre o jornal e começa a ler em voz alta. Tinha manchetes como aumento de luz, paralisação, protesto, crimes, festas, time que ganhou, time que perdeu, acidente, anuncios.
Fecha o jornal, leva Júlia até a banheira, ensaboa o corpo dela todo. Ela estava mais branca ainda, parecia uma boneca. Tinha tanta vida, que já sentia falta da vivacidade dela. Alisa o rosto dela e se perguntava  se ela estava feliz como queria, pelo menos parecia feliz.
A tira da banheira, a enxuga, veste uma roupa, a coloca sentada em frente ao espelho, começa a pentear o cabelo dela. Ele queria que ela visse  como ela estava bonita. Coloca uma valsa para tocar e dança com ela malmente, mas dançam, não dançavam juntos, Júlia não gostava dessas coisas.
A leva de volta pra cama, deita no meio dos dois, demora, mas pega no sono. Ele queria que pelo menos naquela noite sentisse os três juntos, e por isso demorou ali.
Ao acordar ainda de madrugada, liga pra polícia.
-Alô... tem dois corpos na minha cama.
E num instante o apartamento ficou cheio de pessoas, de flashes. E Pedro parado num canto.
-Como foi?
-Eu os encontrei mortos.
Descem com Pedro algemado, as pessoas gritando assassino,vê a sindica que cospe nele, um bate no rosto dele. Pedro chorando vendo os rostos cheios de ódio sem ter motivo para estarem, os mesmos que  não gostavam deles lá. E as vezes  os seus pensamentos eram interrompidos por um clarão, e ele pensava que tinha acabado, se juntado aos outros, não era nada, era apenas uma foto para estampar uma capa de jornal. Não era o fim, era apenas o começo. Ele é colocado na viatura, não adiantava  chorar, e não precisava  culpá-lo, ele já se culpava por todos.
Pedro numa sala com o investigador.
-Você disse que chegou em casa e os encontrou mortos na cama?
-Isso, eu cheguei no meu horário de costume...  e estavam os dois um do lado do outro.
-E por que demorou 2 dias para chamar a polícia?
-Eu... fiquei... esperava que eles acordassem. Fiquei com medo. - chorando -Eu pensei que no outro dia não passaria de um pesadelo ou uma brincadeira de mau gosto.
-E não pensou em se livrar dos corpos?
Pedro olha pro rosto do delegado depois dessa pergunta insinuosa.
-Não faria isso. Eu não os matei. - leva as mãos a cabeça - Por que não acreditam em mim?
-Eles foram envenenados. Por que eles fariam isso? Ou um deles faria isso?
-Não sei... Não sei! - grita -Merda, eu só queria que tudo voltasse como antes.
-Já não era mais como antes. Soube que houve uma briga feia na noite anterior a morte deles. E que Vinícius recebeu uma facada.
-Foi Júlia.
-Por que não registrou queixa? E porque ela fez isso?
-Ciúmes... Ela tinha ciúmes de mim com ele. Ela encontrou nós dois na cama.
-Por que ele voltou pra casa?
-Nós nos amávamos, mesmo que não tivéssemos noção do que sentíamos, do tamanho. O amor não perdoa tudo? Não perdoa?
-Espero que eles perdoem você.
-Eu não preciso do perdão deles, eu já não me perdoo por deixar eles irem.
Pedro foi colocado numa cela, não soube quanto tempo ficou lá, chegou até a ter barba ralinha.
-Foi encontrado sêmen seu dentro  dos dois corpos, e eles já estavam mortos. Por quê?
-Eu poderia dizer que não sei. Eu queria uma última vez entende? Eu sei que o senhor não vai entender. Eu não me arrependo disso, eu não me arrependo.
-Do que se arrepende?
-De ter deixado chegar onde chegou.
-Haviam três copos, cada um com a saliva de cada um. Me diz a verdade garoto.
-A verdade você não vai acreditar, ela é tão boa pra se acreditar.
Depois de alguma horas, um policial o chama.
-Tá liberado por enquanto, vai responder em regime aberto, você tem advogado.
Ele sai e encontra Laura, a mãe de Júlia.
Eles vão até o apartamento.
-Por que me soltou?
-Eu sei que você não é culpado. Vocês se amavam por demais. Ninguém é culpado por amar demais. Eu não sei o que aconteceu naquela noite, mas certamente deve ter alguma explicação.
-Obrigado. Eu amava muito sua filha, ainda amo. E eu não sei o que fazer com esse amor. Vai ser difícil me acostumar com essa ideia, a ideia do fim. - chorando.
-Sabe qual foi a última coisa que disse a ela. Que desistia dela, que desistia de ser a mãe dela. - chorando - São palavras muito fortes pra se dizer a um filho não acha? Eu só queria a encontrar de novo e dizer a ela que a aceito do jeito como ela é, que gosto dela como ela é, que amo cada coisinha dela, que não me arrependo de ter sido a mãe dela.
Pedro a abraça.
-Se você não gostar do advogado, pago outro. Eu vou testemunhar a seu favor. - alisa o rosto dele - Eu soube que ela abortou o filho que estavam esperando.
-Era um menino, era de Vinícius. Eu sou estéril, eu nunca contei a eles, acho que por medo, assim  me sentia parte daquela família.
-O que vai fazer?
-Eu ainda não sei, se for inocentado, eu só sei que não quero mais ficar aqui.
-Eu me separei, conseguir. Não sei se estou feliz, estou me acostumando com a ideia. O que aconteceu naquela noite?
-Não sei, apenas aconteceu, como tudo na vida da gente. Não tem culpado, não tem causa, não tem motivo. As vezes é só a pessoa não estar bem consigo mesma, e ela nem sabe o porquê disso. Éramos assim, a Mariana, a faltava  alguma coisa que ela não sabia, ela preenchia com droga, com sexo, o que faltava a ela, era ser compreendida. Vinícius faltava o amor, ele sempre buscou o amor, porque nunca teve amor. Júlia fazia tudo aquilo para ter atenção, queria atenção, ela não percebia que todas as atenções eram dela. O que me faltava eram eles, eles me davam paz, amor, amizade, família, compreensão. E eu vou continuar com essa falta.
Laura caminha pela casa, pega uma boneca que deu a Júlia.
-Eu posso levar essa boneca? Eu sei que ela não gostava mais, acho que nunca gostou, eu sempre ouvia que ela gostava de brincar de outras coisas.  Eu queria tanto que ela brincasse de boneca como as outras meninas.
-Pode.
-Boa sorte.
-Obrigado.
Ela sai e ele fecha a porta. Ainda faltava decidir o que fazer com o corpo de Vinícius. A única pessoa que ele tinha era a tia dele, que boa ou ruim, pelo menos o enterraria.
 Ele escreve uma carta pra mãe, explicando tudo que aconteceu naquela noite, pelo menos só ela saberia. Não ia o culpar, também não entenderia, mas o conhecia, isso era o que bastava. Ele espera que pelo menos os outros também o conheçam, já que podemos viver tantos anos com alguém e mesmo assim ainda se conhece.
Coloca as cartas no correio e coloca o caixão no avião e lá um carro estaria esperando para levar até o endereço da tia de Vinícius. Ele precisava de alguém que o amasse naquele momento, mesmo que de forma doentia, nem todos aprendem a amar, ou Deus erra na dose, nem todas as vezes acerta, bota demais, bota de menos, quase nada, nada.
Ele volta pra casa e vê alguém dentro de casa,era Rafael.
-Como entrou?
-A porta estava aberta. Cadê Vinícius? Eu vim atrás dele como prometi.
-Ele não tá aqui. Ele foi embora.
-Ele não me esperou? - chorando.
-Mas sempre falou de você.
-Aonde ele está?
-Tá bem longe daqui, onde os homens não podem alcançar.
-Ele está feliz?
-Acho que sim, se não está, ele foi feliz.
-Casou? Teve filhos?
-Sim, ele teve uma família, mas até as famílias acabam.
-Diga a ele que pode demorar mais anos, séculos, vidas, mas um dia vamos nos reencontrar e viver tudo que não tivemos o direito de viver. Que o amo. E que todos os dias penso nele.
-Boa sorte.
-Não me deseje sorte, me deseje vida.
-Então também não me deseje sorte, me deseje paz.
-Fique em paz.
-Desejo toda a vida que tiver.
Pedro fecha a porta, se encosta na porta, e chora.
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Pedro foi condenado passou 6 anos na cadeia, foi solto depois, foi pro interior, ver o túmulo de sua mãe, cuidou do pai nos últimos dias dele. Trocou de nome, mas Rodrigo não tirou Pedro dentro dele. Ninguém mais lembrava do caso , e muitos falavam que os jovens morreram de amor. Cogitou-se até a fazer um filme sobre o ocorrido. Mas ninguém sabe o que de fato aconteceu naquela noite.
Pedro se tornou músico, aliás Rodrigo se tornou músico, tem 35 anos atualmente. Se casou com uma moça bonita brasileira que conheceu num concerto em Paris, seria romântico se não terminasse com os dois transando dentro de um elevador. Ela também é musicista, e Rodrigo fez tratamento e conseguiu dá  um filho a ela, Pedro, como ele prometeu a Júlia. Anos depois voltam ao Brasil, Rodrigo ficou muito tempo evitando tocar no assunto Brasil. Larissa não entendia os convites recusados, eram bons demais pra recusar. Ele já tinha tocado em quase todos os cantos do mundo, mas se recusava em tocar em sua terra, onde nasceu, seu país.
Rodrigo tinha medo de reencontrar Pedro, de reencontrar tudo que deixou. Ele já tinha esquecido a sua vida passada. pelo menos o que ele dizia a ele mesmo, se enganava, porque em tudo estava Pedro.
Ele aceitou um convite, anos depois estava de volta ao Brasil.
-Aí o Parque do Ibirapuera. - fala pro filho - Amanhã te levo lá prometo.
Depois o carro passa na rua onde foi o endereço de Mariana, nos últimos dias de vida dela.
-Para aqui. - pede Larissa.
Era o prédio onde morou com outros.
-Não foi nesse prédio que teve um triângulo amoroso que terminou em morte?
Ela sai do carro, Rodrigo também sai.
-É fascinante, os dois foram encontrados mortos, um homem e uma mulher disputando o amor de um homem e ele foi condenado por isso. O que será que aconteceu naquela noite em que eles morrem de amor? Morreram por amor.
-Que besteira! Isso é uma besteira... Não devemos morrer por amor.
-Será que ele se arrepende,se culpa, sente falta? Acho que uma coisa dessa caminha pra sempre com a pessoa.
-As vezes é bom morrer, pra não sentir mais nada. - Pedro sussurra.
-O quê?
-Vamos, se não vamos nos atrasar.
Entram no carro, Pedro olha o seu passado mais uma vez.
-Posso ir senhor Rodrigo Barcherlour? - o motorista.
-Sim.
Pedro no teatro lotado, pra todos verem  Rodrigo tocar o violino, como bem fazia. A cada nota, suspiros, olhos curiosos, a cada execução palmas.
 Ele vê a moça loira passando pelas pessoas, não estava mais num vestido branco, estava num vestido preto. Os mesmos cabelos loiros, a mesma alvura da pele, o mesmo olhar triste, a mesma boca, o mesmo corpo, se era corpo. Mesmo depois de tantos anos, a reconhecia de longe. Ele parou de tocar, ficou parado, não ouvia Larissa o chamar. A moça loira senta na primeira fileira, olha pra ele, começa a balançar a cabeça, não aprovando.
Rodrigo ou Pedro, ele não sabia mais quem era , sai correndo, se tranca no camarim, começa a chorar.
Larissa pede desculpas, desce pro camarim, encontra a porta fechada, bate na porta, chama pelo nome de Rodrigo, Rodrigo nem Pedro se encontravam mais lá.
Pedro pegou o carro e se dirigiu para o prédio, entra, procura o sindico.
-O apartamento 304 está vago?
-Sim, nunca mais foi ocupado. Foi aí que dois jovens morreram de amor.
-Eles não morreram por amor, morreram pra serem felizes.
-Como assim?
-Estava lá naquela noite. Eu posso subir?
Vão subindo as escadas, o elevador estava quebrado.
-A sindica da época morreu, atravessou a rua sem ver, um ônibus apareceu no caminho dela. Ela prestava atenção tanto na vida das pessoas que não prestou atenção a sua vida.
-O apartamento nunca foi alugado?
-Já, mas todos que ficaram dizem que escutavam gritos, gemidos, risadas, choro. Até alguns vizinhos dizem que ouvem até hoje. Chegou até a pegar fogo com dois moradores que alugaram o apartamento, um casal, quase morreram queimados. Foram os últimos a se hospedarem. E desde dessa época pegou fama de mal assombrado.
Chegam.
-O que de fato aconteceu ai?
-Amor, amizade, cumplicidade, felicidade. Foi isso que aconteceu aí, é isso que importa. Posso entrar?
-Pode, fique a vontade.
Pedro entra, tira os lençóis que cobriam  os móveis, passeia pela casa, toca cada objeto. Se olha no espelho, não era mais aquele jovem, estava com barba pra fazer, já tinha entradas e cabelos brancos, o seu corpo já começava a doer e estalar quando acordava. Já saía menos, e já tinha muitas histórias pra contar.
Fechou os olhos, sentiu o cheiro de Júlia pela casa, as mãos fortes de Vinícius por seu corpo, ouviu a risada de Mariana. Começou a lembrar de tudo que viveu ali, todos os momentos juntos. Era como se eles estivessem com ele no apartamento.
Abre os olhos, Júlia estava atrás dele.
-Estava com saudade Pedro.
Ele se vira, ela estava nua, deita no sofá ao lado de Vinícius o beija, ela pega a mão dele, leva até os seios dela, desce até a vagina. A língua dele na boca dela, desce em direção aos seios. Ela fica de costa pra Pedro, montada em cima do pênis de Vinícius, dá risada, com a boca de Vinícius passeando pelo queixo dela.
-Lembra disso Pedro? - Vinícius.
Ele joga um jarro contra eles.
-Chega!
Eles respira aliviado. Sai Mariana nua do banheiro.
-Estou bonita Pedro?
Ela deita de bruços, nas pernas de Júlia, e Vinícius sentado no braço do sofá.
-Eu tenho raiva de vocês, vocês vão ficar pra sempre jovens, bonitos, alegres, impetuosos, animados. E eu tõ ficando velho, é isso o que o meu espelho me diz todos os dias.
-Venha Pedro. - Júlia o chama e ela beija Mariana.
-Vem Pedro. - Vinícius com a mão no pênis dele.
-Queremos você Pedro. - Mariana sorrir.
Pedro começa a tirar a roupa, camisa, sapato, calça, cueca, tudo.  Estava nu diante deles.
Se junta a eles no sofá.
-Por que Pedro? - Júlia.
-Eu tive medo, eu não quero morrer. Eu sempre vi mortos, desde menino, e vivo, eu me sinto vivo. E vendo todos os mortos todos os dias eu fico me sentindo morto também. Vivo, eu me sinto pertencente a esse mundo. Eu quero viver, quero a vida.
-Não sente a falta da gente? - Mariana.
-Sinto... Como sinto! Eu fiquei anos sem fazer sexo, não tinha vontade, só tinha vontade com vocês. Eu só fazia sexo, amor com vocês. Depois eu procurei em tudo, em todos vocês, alguma coisa que me lembrasse vocês, e não encontrava.Até que encontrei Larissa, mas me falta alguma coisa... Faltam vocês, e ela sabe que falta alguma coisa, mas nunca teve coragem ou vontade de me perguntar.
-Você é feliz? - Vinícius.
-Eu tenho um filho, sou famoso, tenho uma obra pra deixar. Até árvore já plantei. Tenho minha casa do jeito que sempre quis. Conheci lugares dos quais sempre quis conhecer, e outros que nem imaginei conhecer ou que existissem. Estou bem de saúde, tenho dinheiro... muito dinheiro, não me falta nada. Era pra ser feliz não era? Não... não sou.
-Venha com a gente Pedro. - Vinícius.
-Não posso, eu tenho uma família agora, eu gosto dessa vida que construir, apesar de não ser feliz. E vocês são felizes?
-Falta você. - Júlia alisa o cabelo dele - Nós vamos lhe esperar.
-Eu amo vocês, me perdoem. Vocês sentiram o quê?
-Apenas dormimos. - Júlia.
-Eu nem lembro, só lembro que estava feliz. - Mariana.
-Vocês é que estão vivos, porque estão na memória, não são esquecidos. Eu que estou morto, eu morri naquele dia, cada dia eu vou ficando menos vivo.
Pedro adormece com o carinho de Júlia, com o beijo de Mariana e o calor de Vinícius.
Acorda, o apartamento estava vazio, se levanta, se veste, passa os olhos pela última vez em todo o apartamento.
-Tenho saudades, muita saudade.
Sai, fecha a porta deixando pra atrás Pedro e toda a sua história, vida, desce as escadas, ao sair pela porta se incomoda com a luz do sol. Um carro para em frente a ele, o carro que Júlia ganhou de presente de aniversário.
-Você como sempre atrasado Pedro. - Júlia sorrindo.
-Entra logo. -Mariana aparece na janela.
-Vem ser feliz Pedro. - Vinícius sai e pega na mão dele.
Ele entra no carro, parte e para na Avenida Paulista, sem carros, só tinham eles correndo pela avenida, rindo, felizes, se beijavam, dançavam. E começou a se aproximar outros tantos de todos os cantos da avenida, que também riam, se beijavam, dançavam. Todos começam a se despir, sozinhos, com ajuda de um ou mais de um, a se beijarem, homens com mulheres, mulheres com mulheres, homens com homens e nada era estranho. Beijos duplos, triplos, quanto mais era melhor.
Vinícius de quatro se segurando num pino de ferro, enquanto um homem grande o possuía ali mesmo. Júlia na pista arreganhada dando pra três. Mariana no poste com vários a chupando, dedo, pé, coxa, vagina, seios, pescoço, queixo, cu, ela era uma fruta deliciosa de se provar. Pedro em pé com mais de uma pessoa com a boca em seu pênis.
Uma multidão de gente em cima do outro, querendo o outro, querendo prazer.
Onde não tinha certo e errado, igreja pra recriminar. Onde poderiam ser o que quiserem e de quem quiserem sem se culpar..
Júlia, Pedro, Vinícius e Mariana se juntam . Júlia monta em cima de Pedro, que estava em cima de Vinícius, e Júlia e Mariana roçando as suas vaginas que não tinham nada de perseguidas. Mariana querendo também que Pedro desse um pouco de sua vara a ela.
Rodrigo foi encontrado morto no apartamento, não souberam porque ele terminou lá, depois descobriram que Rodrigo era Pedro.
O apartamento se mantém fechado, é deles.
Larissa começou a assediar um aluno, terminaram casando pouco tempo depois dela ficar viúva, as vezes transam em cima do piano que usam.
Pedro depois de saber da verdadeira história do pai, teve vontade de repetir a  história. teve mais de uma namorada e até um namorado, íntimos, dessa vez sem tragédia.
Laura Staun se separou e deixou o marido na miséria como prometeu. Um dia reviu o jovem, bonito e forte, e  ofereceu a ele cama, , mesa, roupa, moradia, tudo que ele quisesse contanto que a fizesse feliz como foi naquelas escadas. A felicidade tem preço as vezes, por isso nem todos tem.
Paula voltou a se prostituir, agora nas ruas de São Paulo.
Branca, Álvara e Sílvia saem as vezes juntas como velhas amigas. E a noite Branca, Augusto e Sílvia dividem a cama.
Arthur terminou sendo demitido do escritório, e passou a vender droga pra alta sociedade, ganhou dinheiro, muito dinheiro, e chamou a atenção até ser preso.
Zé Torto e Nóia foram presos. Zé Torto se converte, vira cristão, todas as suas mortes foram perdoadas por algum Jesus misericordioso. Nóia é encontrado morto em sua cela, mais um que vira estatística, Jesus não teve misericórdia.
O psicólogo é preso por abuso sexual infantil. O povo nem esperou em chegar a cadeia fizeram justiça com as próprias mãos.
Jarzis se tornou amante de sua ex-esposa, que continua casada, com mais um filho vindo aí. Abre sua prórpia empresa depois de ser declarada a falência da empresa do pai. Feliz como em comercias de margarina.
Darci tem um emprego que lhe paga 2 salários mínimos, 3 filhos, uma esposa, uma casa construída por ele em alguma invasão que de vez em quando tem alguma chacina noticiada ou não noticiada, é feliz.
Victor se aposenta com 45 anos, se casa e vai  morar em frente a praia com seu companheiro.
O casal de 40 continuam frequentando clubes, continuam se amando.
A tia de Vinícius pegou um menino pra criar de alguma morta de fome, com apenas dez anos  estar fazendo ele virar homem.
A moça loira se livrou de sua sina, finalmente descansou.
Rafael finalmente encontrou Vinícius, mas ele não quis ir com ele, quis estar junto dos seus íntimos.
Júlia, Pedro, Vinícius e Mariana estão juntos, poderiam dizer no paraíso, já que Deus lhes deu asas... poderia dizer no inferno pra deixar satisfeito algum leitor. Poderia dizer que eles tem toda a eternidade, mas são jovens demais pra saber o que é eterno. Por isso só digo que eles só continuam íntimos e juntos, que é o que importa.


Salvador 10/05/14












sábado, 3 de maio de 2014

Inferninho.



Preste atenção onde você vai por sua mãos
Dois garotos se curtindo no corrimão
Beba mais um pouco pra cair na tentação
Leve sua boa a lugares sem nenhuma conotação
Você está escondido fique tranquilo
Aproveite pra brincar com aquilo
Sem perguntar nome, RG, endereço
Nem aí com o preço
Trancado no banheiro cheirando ou queimando alguma coisa nova
Enquanto os vizinhos oram da Jeová
Você está de joelhos perante a 20 centímetros
Nem aí se o tal beijou outros
Tem coroa com menininha
Garota que durante o dia banca a santinha
Roupas apertadas coloridas, pouca roupa, melhor sem roupa
Onde com a vergonha ninguém se preocupa
Tem mulheres bonitas com algo mais  entre as pernas
Travestis ativos com seios comprados em liquidação
Tem um sujeitinho de quatro pronto pra dá a promoção
Protegidos, desprotegidos com gozos bem merecidos
E sua mãe não sabe onde você está querido
Queimando junto com a música
Enquanto uma sapata suja o banheiro nem um pouco higiênico
Tem namorada que não sabe que o namorado gosta de uma piroca
Levando todas a sua boca
Até altas horas com hora pra diversão acabar
Não sabe se é bar, boate ou lugar de putas
Numa reunião de frutas
Morda, chupe, faça esse favor
O paraíso pode lhe trazer pavor
O paraíso não está aberto pra todos os meninos
Onde até o mais libertino se tornaria beneditino.


sexta-feira, 2 de maio de 2014

Como qualquer outra história.



João conheceu Pedro no ginásio
E sem querer passou a perceber o quanto ele era fundamental
Para ter mais cores o seu dia
Todos percebiam algo estranho naquela amizade
Quanto eles aproveitavam a companhia um do outro no rossio
E assim de forma não  acidental
Outras partes do corpo foram percebidas sem ousadia
E não mais dava pra esperar o dia seguinte devido a ansiedade
Até que um beijo aconteceu
Sem culpados, feridos, apenas merecidos
Tinha que ser escondido, o pai não perdoaria
A mamãe morreria
Sem ver o quanto o filho estava feliz e agradecido
Sem a presença de nenhum gineceu
Iam pra escola juntos... Voltavam juntos
Se masturbavam juntos com compromisso
Chupavam um ao outro com aviso
Perderam a virgindade juntos jurando amor
Um era mais ciumento do que outro por encanto
Mas equilibravam nas pazes onde faziam bem isso
E lá ensaiavam declarações de amor no improviso
João um dia contou pra sua irmã o que sentia
Pedro foi chamado pra uma conversa séria com sua mãe
A irmã de João aconselhou a contar pros pais
A mãe de Pedro o interrogou sobre João
João tomou coragem  e contou aos pais a sua angustia
Pedro confessou todo o amor que sentia por João a mãe
Os pais abraçaram João sem ademais
A mãe de Pedro fez escândalo, se culpou, o prometeu o afastar de João
O pai lhe deu uma surra de deixar em carne viva
Mas que não doeu mais em não ser aceito pela própria família
João e Pedro ficaram sem se ver
A saudade cresceu, não tinha abrigo em um abraço
Lamentavam por pessoas que não entendiam que encontrar um amor era uma dádiva
A família de Pedro ameaçou se mudar, trocar a mobília
Até que os pais de João bateram na porta da casa de Pedro sem se arrepender
Pela felicidade do filho valia essa queda de braço
João e Pedro ganharam consentimento da família
Saíram juntos queriam aproveitar o tempo perdido
Começaram a fazer planos que iam além da noite
Foram pra balada e se beijaram muito
Saíram de madrugada sem vigília
Três homens o seguiram aguerridos
Começaram a bater sem convite
Socos e pontapés gratuito
Não paravam mesmo pedindo pra parar
Não tinham ajuda nenhuma
A festa não tinha hora pra terminar
Uma faca apareceu e acabou com aquele inocente romance
Foram 8 facadas desferidas sem clemência
E jogaram um menino da ponte sem inocência
Palavras como viados, bicha eram ditas pra matar
A diversão acabou sem nenhuma chance
João terminou com seu rosto ferido, costela quebrada
Pedro foi encontrado sem vida
Sem beijo de namorado, sem beijo de sua mãe que o esperava aflita
Sem se tornar médico
Sem viagem para além do Atlântico ficando apenas na avenida
Sem casa com abóbada
Sem com isso ficar afoito
Com o sangue ainda nas mãos de algum acético
Estavam apenas de mãos dadas os namorados
Uma vida de 15 anos em apenas uma noite foi calada.



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