Pesquisar este blog

domingo, 27 de abril de 2014

Íntimos. - Capítulo 19.



Júlia Staun  - 2004 - 24 anos

Laura sentada na poltrona vê o marido,  Roberto, lendo jornal no sofá.
-Eu trair você.
Ele continua lendo o jornal.
-Eu gostei, ele me deu prazer. Colocou a boca em lugares que você nunca ousou em chegar.
Ele mexe a perna, desconfortável com a fala da esposa.
-Foi lá no apartamento da nossa filha, na escada, no chão. Era jovem, bonito, tinha um abdômen igual ao seu quando você era mais jovem, quando você ligava pra essas coisas.
Ele fecha o jornal.
-O que você quer?
-Eu quero dizer que também posso trair, quero mostrar que posso ser desejada, que sou mulher.
-Precisamos mesmo dessa conversa?
-Só deu vontade de dizer. - ela olha pra as unhas - Sair de lá até sem calcinha.
-Se comportando como uma puta Laura. Vai ser o que agora? Sexo na rua?! Com vários homens? Receber dinheiro em troca?
-Vai me dizer que ficou com ciúmes? Esqueci, homens como você não sentem ciúmes, se incomodam que mulheres sejam iguais  aos homens. Você desde o noivado me trai, eu vi você beijando a minha melhor amiga. Nem isso você respeita. E me deixou sozinha no quarto na nossa lua de mel pra ficar  com alguma prostituta. Mas não posso reclamar tenho cartões sem limite, minha distração é redecorar a casa, a minha única preocupação é com que roupa vou pra tal evento e elaborar uma desculpa bem elaborada por você não me acompanhar nesses eventos. Você seria feliz com isso Roberto?
-Nunca lhe faltou nada.
-Me faltou homem de verdade, com alguma coisa no meio das pernas que funcione. E de preferência que seja grande. Minha filha uma vez falou que gostaria de dois paus bem grandes no cu dela, isso com 13 anos. Confesso que desde que ouvir, fiquei imaginando e gostando de imaginar e me masturbava com você na cama dormindo..
-Vai ser como nossa filha agora? Talvez vocês foram sempre iguais.
-Quem sai aos seus não degenera. Ela pelo menos tenta ser feliz, quer ser feliz, é corajosa. - ela se levanta - E você? Como é com as prostitutas? Elas gostam? Pedem pra gozar na cara? Você penetra elas por trás?
-Eu não quero falar sobre isso, vou me deitar. - ele dá as costas e depois volta - Você continua o vendo?
-Não, não por falta de querer, de vontade. Gostaria muito de voltar me sentir lerda, meu corpo todo entregue, ouvir estalinhos, estar nas nuvens. Mas de mentira já basta meu casamento. Não se preocupe vou continuar sendo a esposa comportada e devotada, de preferência calada pra você.
-Boa noite.
-Uma última pergunta. Você é feliz?
-Tem perguntas que é bom não se fazer, por medo das respostas.
-Frouxo, covarde. Aposto que essa porra não sobe nem com prostituta.
O marido dá um tapa nela, ela vira o rosto.
-É assim que você gosta? É isso que lhe dá prazer? Me mostre que você é homem, que tem alguma coisa que valha a pena entre essas pernas.
Ela dá um tapa nele, e se abaixa, tira o cinto, abaixa a calça dele e começa a chupá-lo. Ele gemendo, ela lá embaixo submissa ou talvez tomando às rédeas da relação. Ele goza e sai correndo assustado, ela senta no chão, limpa a boca. Fica observando o que conquistou, uma casa, uma família, nada.
Na noite anterior...
Júlia no portão vendo a irmã na varanda com a babá, a filha e o marido, brincando com a criança, uma família. Se lembrou das comparações que tanto incomodava fingindo que não ligava. Sentiu vontade de ter uma família como aquela, de comerciais de margarina, ou aquelas famílias convencionais que tanto são defendidas. Pareciam felizes, isso a irritava, não sabia o porquê. A irmã nota ela observando a sua família, Júlia fica esperando alguma reação, que ela chame pra entrar, cumpra o seu papel de tia, mesmo que fosse só o que ela queria, ou que ela esperava ser convidada a se retirar dali de telespectadora da felicidade alheia. Mas ao invés disso ela só fez entrar com a babá, a filha e o marido. Isso certamente doeu mais que  qualquer ofensa,  que qualquer verdade cuspida na cara, do que qualquer coisa.
Ela vai andando e ver uma exposição no museu, onde diziam que Jarzis trabalhava. Ela não sabia bem porquê entrou, Júlia era dessas não se perguntava apenas fazia, sentia. Ficou procurando Jarzis e ficava olhando as obras de arte sem muita atenção, detestava arte, achava chato, um saco, quando os pais a levavam pra esses passeios, obrigando a ser cult, enquanto ela queria ser puta.
Começa a perguntar por Jarzis, apontam pra ele. Ela vai até ele, estava mais velho, mas continuava bonito. Ela pequena adorava vê-lo sem camisa, ficava molhada em baixo. A noite torcia para ouvir algum barulhinho, algum gemido, som de cama balançando, fricção de pele com pele no quarto ao lado, o quarto da irmã. E ela estava se sentindo menina enquanto se aproximava, com o líquido descendo por suas pernas, o mesmo friozinho na barriga, a mesma gostosa quentura por dentro da calcinha.
-Jarzis?
-Sim.
-Não sabe quem sou né? -encosta a boca no ouvido dele - Deixo você me pegar por trás como minha irmã não deixa.
-Júlia! Você não foi mandada para a fazenda da sua avó.
-A fazenda era pequena pra mim. Gosto de coisa grande, grandes emoções. Tem algum canto pra dá atenção de verdade a você? Não quer matar a saudade de sua sobrinha? Lembra ainda a cor da calcinha?
-Prefiro sem, tem sim, vem.
Eles descem uma escada, ele tira a roupa, ainda estava em forma, deita no chão. Ela tira a roupa, a calcinha não era da mesma cor. Deixam de serem coloridas, e passam a ser de uma única cor, passam a ser menores e até a ter mais algumas coisinhas pra ficar mais provocativo.
Ela se abaixa e passa a mão pela perna dele.
-De costas ou de frente?
-As duas opções. - sorrir.
Sobe em cima dele, passa a língua na boca dele e tira o sutiã.
-Estão maiores, duros. - ela segura com a mão um dos seios e leva a sua boca e depois para a boca dele.
Ela começa a cavalgar por cima dele.
-Arrebente o meu cu.
-Gostosa... Putinha... Delícia.
Ela começa a gemer, e ele quase gozando em cada movimento certo que ela fazia. Ela colocava o cabelo pro lado e depois pro outro, sorria. Ele com as mãos na cintura dela a auxiliando.
Ele goza, ela sai de cima dele, espera ele se masturbar pra deixar duro novamente, pra agora ficar de costas.
Ele vê a tatuagem.
-Quem é Darci?
-Você quer saber se é homem ou mulher? - rir.
Deixando ele ainda mais duro dentro dela.
Eles sobem depois, ele a acompanha até a saída, ela vira pra ele.
-Minha irmã casou novamente você sabia?
-Sim, soube.
-Tem uma filha com o atual marido.
-Você também está cheinha.
-Eu tô grávida.
-É do tal tal Darci?
-O que foi? É inveja que não sabe fazer filho. O oco era você,  Jarzis,  da relação. - rir.
-Você é vazia Júlia. Oca de qualquer sentimento. Era até mais gostosinha quando mais nova, cheirava a leite, e até mais divertida também. Mas coisa usada não vale nada. Coisa que todo mundo bota a mão não tem serventia.
Ela levanta a mão pra ele, ele segura e a joga no chão, onde talvez foi sempre o seu lugar.
Ela se dirige andando descalça, a maquiagem borrada, a roupa desarrumada, não mais do que as ideias que tinha na cabeça. Era madrugada já, poucos carros passando. Ela chega no viaduto, olha pra baixo, imagina a queda. Coloca as pernas pra fora do viaduto, se segura no parapeito, fecha os olhos, sente a brisa noturna, solta devagar as mãos. se imagina estatelada lá embaixo, será que alguém se importaria, choraria, se comoveria. Ouvir o som do silencio, era assustador.
" Desisto de procurar você! Desisto de tentar te entender!.  Desisto de ser sua mãe!". " O mundo não gira ao seu redor, todos não estão no mundo pra te servir garota". " Você é vazia Júlia. Oca de qualquer sentimento". " Sabe qual é o seu problema? Você não consegue ser feliz, porque nunca vai estar bem com você mesma".
Ela desiste, retorna, senta no chão, chora. Era fraca demais pra morrer assim.
Chega no prédio, sobe as escadas, abre a porta, tira a blusa e vai pro quarto e ver os dois dormindo de conchinha
-O que é isso?!
Os dois acordam assustados, se levantam, vestem apenas uma cueca.
-Júlia acalme-se. - Pedro.
-Viados cretinos como ousaram fazerem isso comigo? - chorando - Pedro por quê? - começa a bater nele.
Pedro a joga na cama, ela olha assustada pra ele.
-Eu também o amo.
Ela pega o abajur e joga em cima dele, e tudo o que vai encontrando ao seu alcance, aleatoriamente.
-Chega Júlia!
Ela fica em pé na cama e vai em cima de Vinícius, e os dois param no chão, ela o arranhando em meio a grunhidos e gritos.
-Seu viado desgraçado! - Pedro a segura - Me larga! Eu quero cortar o rosto dele! Quero matar vocês! - chorando.

-Sai Vinícius.
Pedro ainda a segurando pelo braço, ela ajoelhada no chão.
-Você vai ficar bem?
-Vai Vinícius.
Ele vai se retirar, Júlia morde a mão de Pedro,  se solta dele e vai  atrás de Vinícius, joga uma almofada nas costas dele.
-Sai daqui desgraçado. Bicha!
-Sou mesmo! - ela vai fechar a porta, ele segura - Louca, desequilibrada. Me arrependo de ter me envolvido com você, de ter alguma vez entrado dentro de você.
-Ahr!
Ela começa a bater nele com a mão na cabeça dele. Pedro a tira de cima de Vinícius, Vinícius caído no chão, sentado, encolhido. Os três chorando.
-Você está bem?
Pedro coloca Vinícius pra dentro e fecha a porta, e viram e verem Júlia com uma arma.
-Eu mato vocês e depois me mato. mas essa dor eu não vou suportar.
-Júlia abaixa essa arma, vamos conversar.
-Na nossa cama, sem mim... nas minhas costas.
-Aconteceu, não pedimos pra ser assim. Nunca ligamos pra isso.
-Eu não ligava até achar que você era meu. Eu não gosto de dividir o que é meu.
Pedro se aproxima e pega a arma, e ver que não tinha balas.
-Você o ama mais do que a mim?
Ela se aproxima da cama , joga álcool, e acende o fósforo, joga na cama.
-Tá maluca Júlia?!
Pedro corre pra apagar o fogo, consegue apagar.
-Responde.
-Não sei, não quantifico o amor, apenas sinto.
-Não se pode amar todo mundo, e nem amo todo mundo porque me dizem isso.
-É triste acabar assim. - Vinícius.
-Por amor eu morro.
-Temos que viver por amor Júlia, amor não é morte... é vida! - Pedro.
Ela ver uma tesoura em cima da cômoda.
-E você Vinícius me amou algum dia?
-Te amei, te desejei, como qualquer homem, quis você.
Ela enfia a tesoura no peito dele chorando, e continua enfiando até ser parada por Pedro. Ela senta com as mãos sujas de sangue. Pedro segurando Vinícius , muito ferido, agonizando.
-Aguenta Vinícius.
-Te amo Júlia. - Vinícius chorando.
-Te amo... Vinícius. - Júlia também chorando.
Pedro carrega Vinícius.
-O que você fez Júlia? - chorando.
E sai com Vinícius, colocando a primeira roupa que encontra, em vão, porque se suja de sangue.
Júlia fica parada por algum tempo, olhando toda a bagunça que provocou, não tendo  a noção direita do que fez. Limpa o chão, toma banho, liga a TV, fica mudando de canal até desligar.  Ver as horas, já era 03:00 da manhã, vai até o espelho, veste uma roupa de puta e vai pra rua, para numa esquina à espera de alguém que queira  o que ela quer oferecer.
Pedro vê Júlia com maquiagem carregada e pouca roupa de longe com um rapaz na rua e percebe ela abrindo o zíper da calça dele. Ele corre pra cima do rapaz e dá um murro nele, fazendo o rapaz cair no chão, e começa a chutá-lo e Júlia gritando pra ele parar com aquilo.
O rapaz foge correndo e Júlia se joga em cima dele dando tapas nele.
-Me deixe em paz.
Os dois caem no chão, começam a chorar. Ela cospe no rosto dele.
-Eu odeio você. Me esquece, vai viver com ele. - ela de cabeça baixa.
-Eu amo você. Meu amor é tão grande que não dá pra ser só de um.
-Vá embora! Vá embora! -grita.
Pedro se levanta, olha pra ela, que se encosta no poste com as pernas estiradas, se abraçando. Dá as costas a ela, vai se afastando lamentando como tudo terminou, olha pela última vez para trás e ela já estava em pé pronta pra outra.
Ela observa ele indo embora pelo horizonte, deu vontade de perguntar por Vinícius, mas desiste, entra no carro.
Ela leva o homem pra sua casa, tinha na faixa uns trinta anos, cabelos raspados. Ele fica assustado com a bagunça. Ela se vira pra ele.
-Eu sair disposta a dá pro primeiro que encontrasse. - joga a camisinha pra ele.
Tira a blusa transparente e depois o sutiã.
Ele olha pros seios dela,se aproxima, beija os peitos dela e ela não sente nada, ele desce, tira a saia dela, abaixa a calcinha, mete a língua lá embaixo agora, ela não sente nada.
-Para.
-O quê? Por quê?
-Meus dois namorados são viados, tô grávida.
-Bora, eu faço gostoso, devagar. - segurando ela.
-Você é surdo? - mostra a arma.
-O que é isso? Você é maluca?
-Saia! Anda!
Ele veste a calça e sai.
Ela abre a gaveta guarda a arma. Vai até o espelho, alisa a barriga, olha que a gravidez já tá visível.
Abre outra gaveta, cheia de remédios, pega um frasquinho, sai do quarto, joga os comprimidos na mesa, abre a geladeira, enche um copo com água. Olha mais uma vez o relógio, 04:30 da manhã, olha mais uma vez a bagunça. Vai levando um a um os comprimidos a boca, bebe a água sem desperdiçar nada. Fecha os olhos, os abre novamente, como se isso adiantasse alguma coisa. Fica sentada por um tempo. Se levanta, começa a sentir uma dor, grande, como ela gosta,  se apoia na geladeira, no chão há sangue pingando dela. Ela se encosta na geladeira, desce se agachando até sentar, estava chorando de dor. Olhava pro teto, como se adiantasse alguma coisa. Respira fundo, mais fundo, tentando  encontrar forças pra aguentar a dor. Começou a gemer de dor.
-Ai... Ah! - chorando.
Ouve porta se abrindo, era Pedro que a encontra no chão, encolhida, e embaixo uma poça de sangue.
Ele se abaixa a altura dela.
-O que você fez Júlia?
-Eu me vinguei.
...............................................................................................................................
Laura pega Roberto e Paula, sua irmã, na cama, a história se repete.
-Laura? - Roberto.
Paula se coloca de frente pra irmã, segurando o lençol, cobrindo sua vergonha.
-Eu posso explicar minha irmã.
-Vá colocar uma roupa, na sua idade ficar assim é ridículo.
Se retira do quarto.
-O que vai ser de mim Roberto? -Paula chorando.
-Não sei, não quero saber, vou salvar meu casamento.
Roberto coloca uma roupa e vai atrás da esposa.
Ver ela fazendo uma mala.
-O que você está fazendo?
-Suas malas, você vai embora.
-Não é pra tanto. Você não pode fazer isso, você vai sair perdendo.
Ela rir.
-Você se acha muita coisa não é? Minha irmã?! É isso que lhe sobrou? Você vai embora dessa casa, chega! - ela aumenta o tom de voz - A casa é dos meus pais, portanto minha.
-Você tá louca, blefando. - ela joga no chão um elefantinho de cerâmica - Eu detestava esse elefante. Termine de arrumar a mala.
Ela desce, senta no sofá, chama a empregada.
-Ajude a senhora Paula a arrumar as suas malas e chame um táxi pra ela, e dê qualquer valor que ele pedir pra deixá-la bem longe daqui. Mais uma coisa, tire os lençóis do quarto, queime-os.
Roberto desce com as malas.
-Roberto mais uma coisa. Quem tem mais a perder é você. Vou lhe tirar tudo, de suas calças até a sua dignidade, seu nome. Não vai ter nem dólar sonegado pra limpar a sua merda.
-Vamos conversar, tentar.
-Conversar? Tentar? Agora você quer. Não tô afim. Tô gostando de me sentir livre, estou pronta pra ser feliz. Você também deveria estar, na merda, mas feliz.
-Você vai se arrepender Paula.
Ela dá as costas a ele e faz sinal com a mão, mandando-lhe tomar no cu.
Ela sobe e encontra a irmã chorando diante da mala.
Ela se joga nas pernas dela.
-Me perdoe, ele me iludiu.
-Me larga, que cena ridícula. Já mandei chamar o táxi. Aqui suas bijuterias vagabundas. - joga pra ela a trouxinha -Acho que valem alguma coisinha, que dá pra lhe sustentar por um tempo.
-Eu tenho direito. Essa casa também é minha. - enxuga as lágrimas.
Laura rir.
-A casa foi deixada  pra mim em testamento, você perdeu o apartamento deixado pra você. Se você fez merda com sua parte problema seu. Agora termine de arrumar a mala.
Ela vai se retirar, volta.
-Não se preocupe vou te dá uma mesadinha. Só com o único intuito de não ver em jornais que tô deixando uma irmã na miséria, e também pra você não bater na minha porta mendigando. Agora me responda. Por que  Roberto? Ele não é nem tão homem assim! Você teve sempre dedo podre, nunca soube escolher homem, acho que é mal de família. Que meu pai não era maravilhoso. Você pensa que eu não sei que o seu ex te deixou na miséria e seu segundo ex e falecido marido estava falido? Que você teve que fazer vida lá Europa. Eu fiquei besta que mesmo velha você conseguia, te queriam. - sorrir -Talvez você faça isso aqui no Brasil, acho que não se esquece tão fácil como rodar a bolsinha.
A irmã chorando.
-Puta, vagabunda, piranha. O colar de pérolas negras é minha, confisquei. É o preço de tudo que gastei com você. É uma fortuna pra ficar na mão de gente tão barata quanto você.
Se retira.
...................................................................................................................................


-










sábado, 26 de abril de 2014

Meu amor.



Meu amor está sendo fudido dentro de alguma cabine
Perdendo o líquido do amor diante ou dentro de alguma bunda
Está no meio das pernas pronto e ereto com ou sem afeto
Dentro de outras bocas, várias bocas sem desanime
Experimentando alguma coisa mais profunda
Sentindo mesmo não estando dentro cada centímetro de amor
Em que nem precisa de nome pra ser completo
Em que nem se precisa de outro rosto pra provocar algum dissabor
Não se tem ciúme de cada metida dada desajeitada
E cada metida dada calculada é aproveitada
E cada vez mais físico o torna extraordinário
E nem por isso deixa de ser menos ordinário
Tá de bruços, por cima, de pernas abertas, de lado
De quatro  não resistindo a ser tão submisso
Fugindo de qualquer compromisso
Até do prazer do outro sem ficar acabrunhado
Não se tem pressa apesar de só ter 40 minutos
Não se fazem planos por não ter muitos atributos
Por não ser amor!
É algum capricho da natureza
Sem nenhum capricho por poder ser feito em qualquer canto
Longe dos olhos dos sem amor
Que não deixa de ser vazio apesar de proporcionar alguma riqueza
Não se cobra fidelidade por não ser santo
Não pode ser deixado de ser chamado de amor
Mesmo que não haja nenhum resquício de amor.

A garota da pista.



A garota da pista que dança
Com todas as luzes e olhos pra ela
Aproveitando a noite que não cansa
Onde meninas querem tirar uma lasquinha dela
E os meninos não entendem, acham divertido
Até os gay aproveitam da companhia
Ela só quer alegria
Mesmo que isso não precise ser compreendido
Chamando atenção com seu sorriso
Com sua cintura à mostra
Rodeada de amigo
Com ou sem outras intenções
Quer mesmo chamar as atenções
Com sua dança provocativa sem nenhum desenibimento
Tirando proveito com todo conhecimento
Entendendo não entendendo porque mexia comigo
Enquanto a noite não dava tempo extra
Não sabendo como aproximar sem improviso
Não se sabe se tem namorada
Qual é a dela?
Gosta da companhia de rapazes ou gosta delas
Talvez o único compromisso seja com ela
Como se precisasse de resposta uma balada
Na verdade tudo o que possa achar não passa de balela
Deixem a menina dançar com todo o seu magnetismo
Deixem de lado o seu pragmatismo
Ela não quer números
Quer abraçar a noite divertida
Pra não ser nunca mais esquecida.


segunda-feira, 21 de abril de 2014

Eu, eu mesmo.



Não gosto de ser entendido
Quero provocar desordem
Rir de mim, rir de você, rir com você
Não quero sair conceituando, classificando
Apesar de ser meu jeito natural de não ser compreendido
Quero dá nós em cabeça acordem
E continuar dormindo por mim e por vocês
Quero sair do lado provando do meu próprio desmando
Quero saber de nada, sabendo de tudo
Quero ficar com os libertinos
Estudando moral com eles
Catequizando minha virtude em cada oral que faço
Não quero fazer sentido roçando em algum barbudo
Não me preocupando se estou arrumado pros meus assassinos
Se gostar, quero estar com eles
Sem esquecer cada passo
Incomodar, me incomodar, acomodar-me
Não perder os olhos de criança apesar da maldade
Chamar atenção preso no meu canto
Ouvindo mais, vendo mais, falando menos, menos ainda
Ter mais horas para um dia que é pouco
Com a inocência me encanto
Da noite gosto sem dispensar a claridade
Onde meu jeito desligado é apenas um charme
Esquecendo um pouco de mim nesse desorientado mundo louco
Se quiser juntar comigo seja bem vinda.

Miséria.



Miséria incomoda
A fome está na moda
Dormindo embaixo da ponte
No ponto de ônibus te importunando
Na esquina fazendo crias além do horizonte
Na porta da igreja de algum Jesus incomodado
Pedindo esmola pra ir a forra
Ou alimentando seus vícios fugíveis
Apenas dormindo sem algazarra
Alimentando-se de alimentos não visíveis
Em que a única certeza é a fome
Que tá lá, dá sinais, não some
Pode vim o leite, pode vim a bebida, pode vim a morte
O destino de hoje não se sabe por qual obra da sorte
Miséria tem cheiro... Tem cor
Apontem pelo amor de Deus o agressor
Do menino fazendo luz no escuro
Se alimentando de seus próprios furtos
Na noite do abatedouro
Anjos curtos
A miséria repousa em Pátria mãe gentil
Com guarda, sem horas, é útil
Miséria não se vê
Não toque
Dá pena
Os atores não tem nome
Liberté, égalité, fraternité
Numa sociedade moderna provoca choque
Não foram convidados pra contracena
E as vezes não é só fome.

domingo, 20 de abril de 2014

Íntimos. - Capítulo 18.



Vinícius Ramos. - 2003 - 25 anos.

Vinícius numa entrevista.
-Já trabalhou com isso?
-Não senhor.
-Aqui diz que você foi ator pornô?
-Eu fiz um pouco de tudo quando vim pra São Paulo.
-Pau pra toda obra, desculpa, não resistir. - dá risada.
-Não tem nada.
-Por que colocou no currículo? E por que saiu do ramo?
-Por que não tenho vergonha, é o que faço melhor. Quanto a sair do ramo, eu me apaixonei, não dava mais.
-Vamos ficar com seu currículo, e qualquer coisa ligamos pro senhor.
-Obrigado senhor. apertam as mãos.
Vinícius depois vai para uma lanchonete.
-Quanto é a água?
-R$ 1,50.
-Aqui. - dá o dinheiro.
-Pode pegar.
-Me ver um copo.
Ele senta em uma mesa, começa a beber a água. O dia foi cansativo, colocou currículo em vários lugares, e ainda tinha que pensar aonde ia dormir. O telefone vibra, era da agência, recusa a ligação.
Ver um rapaz de costas em outra mesa, que lhe parece alguém, se levanta, se aproxima, toca no ombro.
-Rafael?
O rapaz se vira, não era ele.
-Desculpa. eu confundi o senhor com outra pessoa.
Um dia antes...
Vinícius vai até o orfanato onde morou por um tempo.
-Quem é o senhor?
-Eu fui interno daqui. Vinícius Ramos.
-Vinícius. O que o trouxe aqui?
-Vim saber notícias de Rafael Portela.
Ela para e abre a porta de sua sala.
-Entre aqui comigo.
Ele entra.
-Sente-se.
Ele senta, seguido por ela.
-Rafael saiu daqui já faz algum tempo, ao completar 18 anos, pediu pra ficar, cuidar das coisas, ajudar. Pediu um trabalho, um abrigo. E ficou por um tempo. Mas depois não pôde mais pagá-lo e ele foi embora... soube que se envolveu com quem não devia... Começou a participar de assaltos...
Vinícius começa a chorar.
-E num desses assaltos foi alvejado com três tiros.
-Mentira! - ele se levanta - Ele prometeu a mim que ia me procurar. Ele não faria isso.
-Passou-se 10 anos, já faz 3 anos que morreu. Sinto muito. Eu sei que vocês eram próximos. - também se levanta -Eu vi a notícia, o nome, a foto dele nos jornais. Se eu não fosse reconhecer, ele iria ser enterrado como indigente. Era um menino bom demais para merecer isso. - ela pega um papel e escreve alguma coisa - Aqui onde ele está enterrado.
Vinícius vira-se com lágrima ainda nos olhos e pega o pedaço de papel.
Vai até o cemitério onde Vinícius está enterrado, chega até o túmulo dele. Começa a chorar ao ver a foto dele garoto na lápide.
-Por que não cumpriu sua promessa? Me deixou sozinho... Sentir tanto sua falta. Te amo. - deitou ao lado do túmulo.
Depois Vinícius foi até o apartamento de Júlia e Pedro, quem atende é Pedro.
-Júlia tá aí?
-Não.
-Posso entrar? Preciso falar com alguém.
-Entre.
Vinícius entra.
-O que aconteceu?
-O que não aconteceu.
Pedro oferece água.
-Obrigado.
Sentam no sofá.
-Mariana morreu.
Vinícius deita nas pernas de Pedro, Pedro fica sem saber o que fazer ao ver ele chorando.
-Ele morreu...
-Ele quem? - começa alisar os cabelos dele.
-Assim como Mariana. A morte é tão cruel.
-Morte é apenas morte, não é preciso entender, ou classificar.
-Quantos atos bons faz de uma pessoa boa? Quantos atos ruins faz uma pessoa ruim?
Vinícius vira o rosto pra ele.
-Não sei, sinto muito por quem você tenha perdido...
-Um amor.
-Eu daria tudo pra estar sofrendo sua dor, pra não te ver chorando. - o beija.
-Por que fez isso?
-Porque tive vontade,  porque gosto de você.
Vinícius se levanta e beija Pedro, Pedro o carrega no colo e o leva para o quarto. Tiram a roupa, deitam na cama. Pedro começa a beijar cada parte do corpo de Vinícius com tanto amor e afeto, Vinícius fechava os olhos, com medo de abri-los. Enquanto Pedro estava no meio das pernas de Vinícius como bem conhecia.
..............................................................................................................................
A tia de Vinícius sai de casa ao ouvir um carro chegando, o carro trazia um caixão. Abrem o caixão, era Vinícius dentro, ela começa a chorar, alisa o rosto dele.
-Meu menino, meu querido menino.
Ela manda rezar uma missa pra ele, ela lá na igreja rezando desconsolada. Ao acabar a missa agradece ao padre. Enterra o sobrinho sem muito cortejo ou delonga, só estava ela e o coveiro.
Vai andando na rua com seu vestido preto longo, se sentindo uma viúva, passa pelas pessoas sem muita curiosidade, ou sem chamar muita curiosidade, sem bom dias ou como vai. Para diante de um complexo esportivo, o único da cidade.
Entra, ver os homens no campo, jogando, todos suados, fedidos, cheiro de homem, passa pela grade de arame , admirando a cena, entra no campo.
-Oi senhora. Está procurando alguma coisa?
-Tô procurando homem.
Desabotoa o vestido, estava sem nada por baixo, deita na grama. Os homens se aproximam, começam a tirar a roupa. Cada um ficando com uma parte dela, ela sentindo arrepio por cada língua,  toque ou melaço pelo corpo.
Um amontoado de homens em cima dela, competindo, brigando harmoniosamente, bestialmente pela melhor parte do seu corpo, dedão, pernas, coxa, queixo, pescoço, peitos, braço. Ela não respondia mais por ela, a colocam de costas, como um pedaço de carne, ela segurando a grama  que vinha com terra por cada perdida de estribeira de um que a penetrava. A viram de novo, a levantam, a colocam de lado e só vinha na cabeça dela Vinícius, seu sobrinho, a primeira vez que o viu no orfanato, ele a chupando de noite, ele com suas mãos em suas partes, que nem um time de futebol completo a satisfaria como ele, ou entenderia como ela.
...........................................................................................................................

Íntimos. - Capítulo 17.



5ª Parte - O fim.

Mariana Braga Venturossa. - 2003  -22 anos.

Júlia e Pedro sentados no chão, tomando cerveja, seminus, em cada canto da casa. Tudo desarrumado, a janela aberta, era dia. Júlia perto do telefone, estava abatidos.
-O que será que houve com ela? - Júlia.
-Ela vai bater aí, com aquele mesmo jeito dela, e vamos nos arrepender de ficar assim.
Júlia começa a rir.
-Verdade... Eu amo ela.
-Eu também. Ela é feliz você acha?
-Acho que ela perdeu a noção do que é ser feliz ou triste.
-Ela disse que quer morrer jovem, pra assim ficar jovem pra sempre, linda...
-Será que ela está sentindo dor, frio... Solidão? - chorando.
-Não sei. Com Mariana não dá pra saber. Acho que até pra morrer, ela morreria de supetão, sem anúncios.
Júlia enxuga as lágrimas com as mãos.
-Esse bate papo foi por um caminho chato, não gosto de falar de morte.
-Você quer morrer como Júlia?
-Vivendo.
O telefone toca.
Uma semana atrás....
Júlia e Pedro procurando Mariana no beco como de costume,  o endereço de Mariana atualmente.
-Vocês viram essa moça aqui?
-Não.
Alguns respondem, outros não.
-Tia, me dê dinheiro, tô com fome. - Um menino.
-Você a viu por aqui esses dias?  O nome dela é Mariana.
-Não tia. Não vai me dá dinheiro não?
-Ai!
Ele puxou o relógio dela e saiu correndo.
-Vamos sair daqui. Ela não tá aqui.
-Espera Pedro, alguém tem que saber notícias dela. Eu mato Mariana, juro por Deus.
-Você está bem?
-Esse calor, é só mal estar. - ela bebe água.
-Você está grávida. Devíamos procurá-la nos hospitais... No IML.
-Ela tá viva! Viva! Entendeu? E a mãe dela que não retorna a ligação, não atende.
-Eu soube que vocês estão procurando alguém.
Um homem se aproxima.
-É essa aqui. - Pedro mostra a foto.
-Sabe de alguma coisa? - Júlia.
-Talvez. Quanto vai custar?
-Dá o dinheiro Pedro.
Pedro olha pra ela.
-Vai Pedro!
Pedro entrega o dinheiro.
-Ela estava aqui até semana passada, depois sumiu. Ficava naquele canto. - aponta -Podem ir lá confirmar.
-Foi pra aonde?
-Ai não sei.
Se retira.
-Pode ser mentira, são todos viciados. Podem até dizerem que viram Jesus.
-Não seria mal, até eu, tô querendo vê-lo.
Depois foram pro apartamento de Arthur, o ex-namorado de Mariana, ele atende, estava ofegante, enérgico, visivelmente se via que ele usou droga tem pouco tempo, ou estava usando.
-Bom dia, somos amigos de Mariana, desculpa incomodar... Ela sumiu, não temos notícias. - Arthur funga o nariz e mexe no nariz - E pensamos  que talvez você tivesse...
-Ela teve aqui? Ou está aqui? - Júlia interrompe.
-Não, não tenho notícias dela, terminamos o que tínhamos... A última vez que a vi... - ele para, tosse. -Foi pra entregar as coisas dela.
Desgraçado como pôde deixá-la sozinha?! - Júlia chorando vai em cima dele.
-Júlia! - Pedro a segurando.
-Eu já me dou muito trabalho pra me preocupar com os outros.
-Obrigado. - Pedro.
Arthur bate a porta.
-Vamos pra casa. - Pedro. -Não comemos nada até agora.
-Não, vamos até o local onde ela pega a droga, eu sei onde é.
Eles sobem, passam por moradores com medo, outros felizes, pobres, outros bem armados, outros com fé, crianças soltas, crianças presas. Perguntam pela caverna  do Zé Torto, uns desconversam, outros aconselham, outros dão a direção.
-Bom dia.
-Bom dia.
-Zé Torto?
-Não, Nóia.
-Zé Torto sou eu. O que querem?
-Notícias de nossa amiga. - dão a foto  de Mariana.
-Polícia?
-Não, eu tô grávida. Eu só estou aqui porque estou desesperada, não temos notícias dela há dias.
-Ela tá devendo uma grana. Maluquinha a garota. Teve aqui uns dias atrás pedindo, não dei.
Júlia abre a bolsa.
-Esse colar era da minha avó, deve tá valendo em torno de 2 mil reais.
Ele pega o colar.
-Acompanhe eles Nóia até lá embaixo, não deixe ninguém mexer com eles. Só me respondam uma coisa. Por que não desistiram?
-Eu tive alguém que desistiu de mim, você também deve ter tido.
-As vezes não tem jeito, quando nós mesmos desistimos de nós mesmos.
Depois foram para os hospitais, o IML e por último a delegacia.
-Vocês são o que dela?
-Moramos com ela. - Pedro.
-Vocês estão preparados que podem encontrá-la morta? Ainda mais que ela tá devendo.
-Ela tá viva. - Júlia.
-Isso é o que a senhora quer. Vamos começar a procurá-la.
-Como?! Quando?! Onde?!
-Quando tivermos homens pra isso. Eu faço o meu trabalho senhora, a você só resta esperar. Já foram procurar no IML?
-Ela não tá morta! Esperar?  - rir -Vocês não tem noção de quanto mais tempo passa menos tempo temos? -chorando.
-Eu sei que é difícil, mas é só isso que tenho para oferecer. Não é só Mariana desaparecida. Tem Sérgios, Camilas... Flávias... Famílias... Pais, mães, companheiro, filhos que também  não sabem mais o que fazer... A quem recorrer. Ela já sofreu alguma internação ou intervenção?
Júlia levanta e atende o telefone, a notícia era que Mariana foi encontrada, era terça-feira de carnaval, Mariana estava morta.
-Ela foi encontrada morta no chão, num dos circuitos da folia de rua, morreu provavelmente no sábado, pois foi encontrada no domingo por garis, que chamaram a polícia, foi pisoteada... - Júlia começa a chorar - estava quase sem roupa. A causa de morte a princípio foi parada cardíaca. Sinto muito.
-Onde ela está? Quero vê-la.
A levam até a sala onde Mariana foi colocada com outros corpos esperando alguém para serem identificados. Júlia se aproxima, não querendo ainda acreditar.
Começa a chorar ao ver o rosto dela. Começa a bater nela, a dá tapas.
-Por quê? Idiota... Filha da mãe! Por que foi morrer desse jeito? Por que me deixou? Por que você fez isso com você? - senta no chão, segura a mão dela. - Te amo tanto. - se ajoelha, alisa o rosto dela. -Sentiu dor? Frio? Solidão? Desculpa... O que vai  ser de mim sem você, Mari? - Se abraça ao corpo dela se lembrando dos momentos que passou com ela, um filme agora sem continuação. - Arhr! - apertando o corpo dela.
Pedro entra, se abraça a Pedro, escorregando pelo corpo dele.
-Ela tá morta Pedro. Tá morta.
Ela no fundo sabia que Mariana estava morta.
Agora vinha a parte mais difícil, comunicar aos pais de Mariana , Pedro ficou fora, Júlia entrou, Branca foi quem a recebeu.
-Então é isso vocês vieram pra trazer a minha filha morta? Morta! E querem que eu fique com esse corpo que não reconheço. Eu quero a minha filha. - chorando, Júlia também chorando. -A minha menina. Assassinos! Vocês a mataram! Me trouxeram  uma filha morta!
-Sinto muito.
-Sente muito? Quem vai trazer de volta as noites que não dormir... Os nossos passeios, os nossos momentos que eu não lembro quando cessaram. - ela senta - Vocês tiraram ela de mim, a droga tirou ela de mim.
-Se eu soubesse como terminaria, eu juro, juro que desejaria não a ter conhecido, ou chamado para morar com ela . Mesmo que isso me custasse tudo que passei com ela. Me perdoa.
-E quem vai me perdoar? Agora saia, já trouxeram o corpo, eu vou enterrar uma filha, você não tem noção que dor é essa. Mas a minha filha morreu há muito tempo. Saia!.
Júlia sai e se abraça a Pedro.
.........................................................................................
Augusto Venturossa senta ao lado de Branca com uma xícara de chá.
-Mandei fazer pra você, camomila, você está calada faz tempo.
-Tô tentando lembrar onde errei, em que momento ela deixou de ser aquela menina.
-Talvez ela sempre foi essa menina e você não quis ver.
-A culpa é sempre da mãe.... Mãe é chata! Mãe não pode errar, mãe sempre pro filho sempre faz tudo errado. Mãe é... sempre boba, que perdoa, ouve tudo calada, se conforma. Ama incondicionalmente. Eu não quero chá nenhum. Você sempre tiveram segredinhos pra mim, sempre esconderam  um pouco de vocês. Não se importam quanto sofra em saber o quanto  não confiam em mim. - ela olha pro relógio no pulso, rir - Há quantos anos não jantamos todos juntos? Não importa mais, não vamos mais. - chorando, segura na mão do marido - Por favor, confia em mim. Me diga pelo amor de Deus o que me esconde. É outra? Eu sei que é alguma coisa. Eu sou sua mulher há anos.
Augusto enxuga as lágrimas dela.
-Eu vou subir, quando chamá-la suba também.
Ele sobe, passa alguns minutos.
-Pode vim!
Branca sobe devagar, não soube bem o porquê, para diante da porta, respira fundo, toma coragem, abre a porta. Estava lá de costas, não dava pra acreditar, ele se vira, estava num vestido todo brilhante, usando um salto alto plataforma, maquiado, com uma peruca loiríssima.
-Apresento Álvara.
-Por que você fez isso comigo?!
Ela começa a bater nele.
-Eu nunca te trair! - grita com ela, segurando os braços dela - Eu te amo, sempre te amei, e vou sempre te amar. Não tenho nada com outra mulher... Nem com outro homem.
-Isso não é normal. Isso é uma aberração, isso não está acontecendo comigo. Eu não sei nem que nome dá a isso, o que dizer. Por quê?
-Não sei. Eu já me perguntei. Já tentei psicólogo, falar com Deus, remédio. Eu gosto, simplesmente gosto.
-Meu Deus nem tudo o que se gosta pode-se fazer! Você acha que gosto de fazer sala pro seus amigos? De organizar a casa, os horários, de preparar festas? Por que nunca me contou?
-Ai como você reagiu. Eu tinha medo que você jogasse anos de casamento devido a isso.
-E você trocaria o casamento por isso?
-Eu largaria tudo por você, mesmo sabendo que uma parte de mim ficaria infeliz. Nem eu entendo, como posso pedir a você que você entenda.
Ele liga o som, toca uma serenata.
-Lembra dessa música?
-Lembro, tocou no nosso primeiro encontro, no nosso casamento.
-Lembra o que lhe disse?
-Que nunca iria me fazer sofrer, me decepcionar.
-Desculpa por não ter cumprido. - a abraça.
Começam a dançar, ela afasta ele.
-Eu te amo com calças, de salto, de qualquer jeito. - fala ele.
-Me dê tempo pra me acostumar  com ... a Álvara. O que me dá raiva... é que você está tão bonita. - rir.
E voltam a dançar, como no dia em que se conheceram, se conhecendo.
...............................................................................................




quinta-feira, 3 de abril de 2014

Colega.



As horas de aula são martírio
Por não tirar os olhos de sua boca linda
E imaginar sua pele branquinha sem roupa
Deixe eu falar no seu ouvido coisas sujas
Faça algo melhor com essa boca e me leve ao delírio
Os seus olhos não se encontraram com os meus ainda
Nos meus sonhos você está calado apenas chupa
Dê essa bunda pra mim
Vamos fazer coisas sujas no banheiro
Aposto que vou deixar o seu pau afim
Pode até chamar algum parceiro
Deixo até você ficar por cima
Sem haver vítima
Deixe melar outras partes do seu corpo
Me entreter com a parte de trás
Meter fundo sem saber o sentido e a direção
Deixando de fora Milton Santos
Estudando outra Climatologia
Vamos direto ao ponto sem precisar de nenhuma analogia
Usando as mãos sem cumprimentos
Para as posições toda a abjeção
Onde o único apoio são as pilastras
Começando com o comprimento do meu dedo
Quero sentir seu pau duro perto do meu
Não tenha medo
Não chame por Deus que sou teu
Se você soubesse o que penso quando você sorrir
Diga que horas essa bomba no meio das minhas pernas irá explodir.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Só meninas.



Os rapazes não foram convidados para a festa
Cansadas da monotonia de pau que não presta
Meninas que gostam de brincar com algo mais interessante
Onde peitos, bundas e curvas estão abundantes
Os segredos elas deixam guardados
Mas não esconde diante de desavisados
Pele macia e batom deixado em outras partes do corpo
Em que a cama desconhece o que é deturpo
Cheio de esfrega-esfrega que deixaria qualquer homem maluco
O sexo pra elas é pouco
O amor está na ponta da língua descobrindo outras partes internas
Deixando todas as vontades transbordadas nas partes externas
Onde mãos fortes de homem não faz falta
Em que pra se olhar no espelho não precisa ser adulta
Pra brincar com outras bonecas
Em que os defeitos são deixados a posteriori pelos olhos atentos
Para bater peteca com peteca
Entre beijos de namorada, amigas, desconhecidas
Fazendo coisas conhecidas
Pode ser apenas curiosidade
Ou aqueles momentos em que se passa da dose
Ou aqueles momentos em que não entende nada das coisas do coração
Onde não precisa os dois sexos pra haver aplicabilidade
Cuidado menina pra não embarcar em nenhuma neurose
Cuidado pode ser muito mais do que só atração
Nessa conversa só de meninas
Nessa brincadeira só de meninas
Nessa festa só de meninas.

Com minhas mãos.



Podem me chamar de sujo
Pois tenho peitos e bundas em minha cabeça
Os programas de TV não me chamam a atenção
E eu querendo diminuir a tensão
Poderia imaginar um anjo
Alguém que vi na rua e desconheça
Duas garotas se beijando pra que não esqueça
Com todos os dedos sem me recriminar
Com pouca roupa pra ajudar
Rapidamente ou lentamente dependendo da hora que quero gozar
Sem ninguém pra ver pro meu azar
Mas que nada impede que mostre o meu pau pra algum olho virtual
Onde não quero virtude de mão fortes de algum boçal
Apenas movimento repetitivo
Abrindo a minha boca sem parecer apelativo
Estou subindo pelas paredes
Cairia bem uma boca com todos os dentes
Mãos me mostre o caminho do paraíso
E deixe melá-las sem aviso
Aqui a garota me chama pra sair
Aqui pode rolar alguma coisa com algum amigo
Onde não vou me sentir culpado por me deixar atrair
Onde não tenho risco de me machucar comigo.

Central blogs

div align="center">Central Blogs

Colméia

Colmeia: O melhor dos blogs

Ueba

Uêba - Os Melhores Links