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sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Não queria gostar tanto de alguém



Por que me ofereceu seus olhos?
Se não posso agora olhá-los
Por que me me ofereceu seus beijos?
Se tinha intenção de tirá-los
Por que me ofereceu sua mão?
Já que elas me levaram ao fim
Por que me ofereceu esse sorriso?
Por que esse mesmo sorriso vai ser oferecido a outro rapaz
Por que me ofereceu seu calor?
Se estou aqui de novo sozinho.
Sinto saudade do seu abraço
De todo teu rosto
E da maneira como me toca quando encosto
Já estou eu aqui de novo pelo mesmo caminho
Não queria me comportar como bobo
Agora chorando
Não queria gostar tanto de alguém
Queria fechar esse coração para não entrar mais ninguém
Ficar com apenas as lembranças
Pelo menos essas doloridas lembranças
Vão me lembrar que um dia fui feliz.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Não sou filho dos meus pais -Capítulo 1.


O barulho vindo do corredor me faz retirar-me da minha sala, uma enfermeira fala comigo, era John, o nosso paciente mais problemático. Ao chegar na sala, lá estava ele amarrado pela camisa de força, e o corpo de Herbert, um dos funcionários do sanatório, no chão e embaixo uma poça de sangue.
-O que você fez?
-Estou com as mãos ocupadas Capitão.
-Por que você faz essas coisas? -seguro ele pelos braços.
O solto, e tiro um lenço do jaleco e enxugo o rosto.
-Retirem o corpo.
Os dois funcionários que me acompanharam retiram o corpo. Olho pra John.
-Por que mata?
-Digamos que temos um vizinho chato que toda noite liga o som dele potente nas últimas alturas. Você, como bom homem vai lá bate na porta dele e tenta resolver amigavelmente, ou faz uma denúncia anônima a polícia. Eu, que adoro o meu jeito de resolver as coisas, vou lá na casa dele, bato na porta, ele atende e meto uma bala na testa dele. Assim ele vai perturbar lá no inferno. Sabe  porque  você não toma a atitude que eu tomei? Medo! Vivemos sobre malditas regras, não faça isso, não faça aquilo. Onde está escrito não matarás. Ao você retirar a vida de alguém sofrerá as consequências do outro lado da vida. Ou aqui mesmo, atrás das grades.
-Errado, eu não faço isso, porque eu não sou um assassino.
-Todos não são assassinos até que cometem o primeiro crime.
-Por que matou sua mãe?
-Já era difícil dividir o amor dela com os meus outros dois irmãos, eu não gosto nada pela metade. Muito menos um terço, é quase nada. E a coisa pioraria com a chegada do meu irmãozinho, ela esfregava isso na minha cara, o quanto estava feliz com o bebê que estava esperando.
-Você é louco.
-Eu sei, e o pior louco é aquele que sabe até onde pode ir com sua loucura.
-Sabe o que admiro em você? A sua frieza, sabe que até tenho dúvida se você é louco mesmo, ou que você seja humano, que tenha um coração batendo aí dentro.
Ele sorrir.
-A psicologia nunca poderá dizer a verdade sobre a loucura, pois é a loucura que detém a verdade da psicologia.
Eu vejo uma Bíblia no chão.
-Está lendo a Bíblia?
-Até o Diabo conhece as palavras de Deus.
-Você tem medo do quê John?
Ele pára, silêncio profundo, olha pra mim.
-Da sanidade, que eu acorde desse buraco em que me enterrei.
Aparece a enfermeira.
-Visita para John.
-Visita para mim? Eu nem sei há quanto tempo eu não recebo visitas. Acho que é porque todos os meus parentes estão mortos.
É levado, entra na sala, ele ver uma moça loira de costas, uma mesa os separa. Ela vira-se com lágrima nos olhos.
-Lembra de mim?
Ela se aproxima dele.
-Por que não me afogou naquele dia? 13 de outubro de 1996. São exatamente 15 anos de terapia  que eu devo a você. Você não tem ideia de quantos remédios eu tomo pra conseguir dormir e para não acordar com os pesadelos que me perseguem.
Os olhos dele enchem-se de lágrimas.
-Você destruiu minha vida, tudo que eu tinha você acabou. Monstro! Você é pior do que o lixo de São Paulo. Aqui é pouco pra você. Eu desejo os piores dias da sua vida pra você.
Ela sai da sala, abraça um homem que a esperava e chora nos braços dele.
No dia seguinte, o vejo, ele está pintando um quadro na oficina, ele está afastado dos outros internos e há uma grade no cubículo onde ele se encontra e a mão esquerda está algemada, entro.
-Bom dia John!
-Bom dia Capitão.
-Quem era a visita?
-Minha irmã, Daiana Herthman... -ele pára de pintar -Continua linda ela.
-Pintando o quê?
-Um quadro idiota, pra passar o tempo sabe.
Olho pro quadro, tinha nada com nada.
-Tem mãe Capitão?
-Claro. -dei risada.
-Não é isso que eu quis perguntar, eu quis perguntar se ela é viva.
-Sim, ela está num manicômio há 40 km daqui. Ela foi pedir ao meu pai arrumar a antena. Ele tomou um choque e caiu do telhado de casa. Ela depois disso nunca mais foi a mesma, se culpou, enlouqueceu, nem mais se lembra quem eu sou. Acho que por isso escolhi a psiquiatria. Há uma linha tene que nos separa da loucura a sanidade.
-Adorava ver minha mãe se arrumar, era tão linda, charmosa, fina, feminina. Nunca entendi porque ela se casou com o estúpido do meu pai. Eu até hoje me lembro da música que ela cantava pra eu dormir.

 Eu canto pra você dormir
A terra gira sem ter fim
O sol se esconde não sei
Onde
Escurece a noite cresce

Eu canto e você já dormiu
A terra gira por um fio
A lua brilha, meu filho
Eu canto este acalanto
Deve ser difícil pra você, não tem filhos, sofre problemas no casamento.
-O quê? O que você está falando?
-Sua esposa não ama mais você, ela encontrou Arthur. Acha mesmo que ele é só um colega de trabalho dela?
Pego ele pelo braço.
-Como sabe disso?
-Você não imagina o quanto eu sei sobre você Capitão. Hoje mesmo você está sem a aliança.
O solto.
-É difícil chegar em casa e sua esposa não querer trepar com você, mas ela gosta de foder com o coleguinha dela.
-Cale a boca!
-Estou indisposta querido, tive o dia cheio, estou com enxaqueca. -ele faz voz feminina - Agora mesmo aposto enquanto você está cuidando de bando de loucos, ela está dando loucamente pro Querido Arthur na sua cama, entre quatro paredes.
-Eu já falei pra calar a boca!
Derrubo a mesa com o quadro e as tintas no chão.
-Tire a dúvida, faça uma festa, são treze anos de casamento, ela com certeza vai convidar o Arthur. Eu saberia muito bem como limpar minha honra, mas isso não é pra pessoas como você com sangue tão barato.
-O levem daqui!
Eu tapo os ouvidos, o retiram, ele com o sorriso nos lábios. Eu passo pelos pacientes, tudo turvo na minha frente, chego ao corredor e entro na minha sala. Sento, tentando respirar, suando muito, desabotoo  o botão da roupa. Abro uma gaveta, abro um pote e tomo três comprimidos a seco , em poucos segundos estou com um sorriso nos lábios e a sensação de alívio.
Colocam a camisa de força em John, um velho e um jovem o levam pelo corredor.
-Que crime cometeu? -pergunta o jovem enfermeiro.
-Não fale com ele, ele é o demônio. -o velho.
O colocam dentro da cela.
-O que foi seu velho? Eu mesmo com as mãos amarradas consigo quebrar todos os seus ossos e enfiar esse seu indicador sujo nesse seu rabo seco.
O velho fecha a porta e coloca o cadeado, ele abre a janelinha.
-Psiu -ele chama o enfermeiro jovem -Sabe qual foi o meu crime? Não ser filho dos meus pais.

Continua...

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