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quinta-feira, 26 de maio de 2011

Próximo demais -Capítulo 4.

 Marcos tinha um bando lá na escola que todos temiam, gostava de bater nos menores, não deixar o professor dá aula, gostava de tocar o terror nos corredores, ninguém se metia com ele por medo. Eu e Lucas costumávamos sair juntos da escola. Naquele dia vimos na porta Marcos. Passamos por ele fingindo que não o vimos.
-Já vai o casal de namoradinhos.
Paramos, Lucas olha para trás.
-O que você disse?
-O que foi viadinho?
Lucas se joga em cima de Marcos e começam a brigar.
-Lucas, pára!
Eles lá no chão entre pontapés, socos e chutes, rolam pelo chão. Agora Marcos que está em cima de Lucas, mas Lucas logo muda a posição a seu favor.
Lucas pega uma pedra de tamanho considerável que ver no chão e bate repetidamente na cabeça de Marcos.
Marcos tentando manter-se acordado, com o nariz sangrando, tentando respirar. Lucas bate mais uma vez na cabeça de Marcos.
No corredor que leva a sala do diretor da escola, eu sentado no sofá, Lucas na porta da sala de cabeça baixa. Marcos está internado, teve traumatismo craniano e Lucas foi expulso da escola.
Os pais dele saem da sala, a mãe pega ele pelo braço e encurva-se pra ele.
-Você é um demônio na minha vida, sua praga... Peste, Satanás! Está satisfeito demônio?!
O pai o leva pelo braço, a mãe se segura pelas paredes do corredor.
-Seu demônio!... Demônio! Demônio!
O pai o joga dentro do carro, tira o cinto e começa a bater nele.
-Toma seu infeliz!
As pessoas passavam e olhavam, outros se indignavam, mas não faziam nada.
-Não pai, pára, não.
Eu viro o rosto e desce uma lágrima do meu rosto.
-Pedro vai querer o quê?
Abro os olhos, eu e Lucas numa mesa de restaurante. Ele de frente pra mim com aquele sorriso indecifrável.
-Escolha o que quiser.
-Então acho que vou pedir -ele leva a mão ao queixo -Um arroz a maravilha, tortilha de frango com uma porção de brócolis e de sobremesa um fumblê de chocolate - ele entrega o cardápio ao garçom.
-Por que nunca denunciou seus pais?
-Pelo quê? Pelas garfadas pelo corpo? Pelos socos e pontapés? Ou os xingamentos? Ou até mesmo as queimaduras. -ele com lágrimas nos olhos - Nada disso doía mais do que ver o quanto não era amado por eles. Eu tive inveja de você e de todos os garotos da escola, eu queria que meus pais fossem um pouquinho como os seus.
Chegam os pratos, ele se recompõe.
-Estão muito bonitos os pratos não acha?
-Hum hum
Ele pega a faca.
-Eu sempre tive atração por alumínio. Lembra-se de quando juramos morrermos juntos?
-Juramos? -eu dou risada.
-Por que a risada? Amigos também morrem juntos.
-Éramos crianças bobas, não se jura essas coisas.
-Eu quero morrer nos seus braços Pedro, mesmo que você não me acompanhe.
-Você está me assustando. E assim a comida vai esfriar.
-Você teria a coragem de me matar?
Eu largo o talher.
-Por que esse fascínio pela morte? É desde garoto que você colocou na cabeça que tenho que matar você.
-Não me respondeu, mas tudo bem.
Ele coloca o braço sobre a mesa e coloca a faca sobre o pulso.
-Cortar os pulsos é uma das mais antigas formas de se matar, é uma morte lenta e dolorida, dependendo da sua sáude pode levar de 40 min. a duas horas, por isso que a maioria que tenta não consegue, pois é logo socorrida e os cortes são superficiais, por causa da dor tremenda, a causa da morte normalmente é falta de sangue no corpo, pois corta-se uma das veias principais. É a oitava forma de suicídio mais praticada nos Estados Unidos.
Levanto-me.
-Perdi o apetite, aqui o dinheiro para pagar a conta, pode ficar com o troco. -deixo o dinheiro na mesa e me retiro.
No dia seguinte eu, Regina, Wassaly e Sérgio e o restante do pessoal nos reunimos num clube, uma vez ao mês fazíamos isso, já são dez anos desse ritual, era para nos aproximarmos, por isso considerávamos a nossa equipe uma família.
-O romance sai quando Freddy? -Wassaly pergunta.
-Em breve, tô até com umas idéias, vou falar sobre um serial killer. -se retira.
-Wassaly eu já falei que Frederico é cheio de pormenores, precisa de tempo e espaço para vim a inspiração. Ele nem queria vim. -Regina.
-O fato é que ele só escreveu um livro de sucesso, o resto é tudo fracasso.
-Eu desisto.
-Alguém precisa acordá-lo para a realidade.
Ela se retira.
-Oi senhora Regina Ábramo.-Cibele.
-Ai que linda. Que bom que trouxe Pedro. Vai pegar uns doces querida.
Cibele corre pra mesa.
-Cibele cuidado.
Regina virá-se e bebe seu drink.
-Sabia que Renata tinha um amigo que não desgrudava dela?
-Fátima sabia?
-Não, o engraçado  que ele não apareceu no enterro, não se tem retrato dele e  nem sinal. Se eram muito próximos o que poderia se esperar é ele ter ido ao enterro e não sumir.
-Pode ser criação.
-De quem? De Fátima ou Renata?
-Uma coisa não tiro da cabeça Dominique tinha algum motivo para ir ao Liceu frequentemente.
-Quem sabe um namorado?
-Ou namorada. Não se esqueça que Renata era lésbica, Dominique também pode ser lésbica ou bi.
-Você acha que um louco quer eliminar as lésbicas da cidade? -sorrir -Acho que não. A única coisa que tem em comum  entre elas é que as duas são mulheres e estudaram no Liceu e que nosso assassino é apreciador de óperas. E nem sabemos se trata de um assassino em série, ainda não  ocorreu a terceira morte.
-E temos que tentar descobrir como ele escolhe as vítimas, para tentar evitar uma quarta... quinta ou sei lá quantas ele pretende realizar.
-Não vão ficar falando de trabalho né gente. -Wassaly com duas latas de cerveja nas mãos.
Wassaly me entrega uma.
-Já vai Sérgio? -Pergunta Regina.
-Eu tenho que ir.
Ele se retira.
-O que será que houve?
Deixo Cibele em casa e vou ao hospital onde está internado o pai de Sérgio. Bato no vidro, ele vira-se e me ver e sai do quarto.
-Ele piorou.
-Eu imaginava
-Não quero que ele.morra. -o abracei.
Depois de algum tempo, nós dois tomando café.
-Eu até esqueci-me de te mostrar uma coisa lá na nossa reunião.
Logo em seguida ele aparece com um notebook.
-Eu tomei a liberdade de examinar o computador pessoal de Dominique para ver se eu encontrava algo e achei esses e-mails: " Já estou com saudades", "Quero te ver amanhã meu raio de sol" Adorei o jantar ontem meu colibri". Aí pensei podemos ver uma forma de rastrear e descobrir com quem ela se correspondia com essa forma tão carinhosa.
-Com certeza o motivo de ela ir tantas vezes ao Liceu. Isso se trata de bilhetes de amor. Mas creio que ele não vacilaria em usar o seu computador pessoal, ele é esperto. Ma pode ter usado do trabalho, pode ser do Liceu também, podemos ver cadastros em lan houses.
-Não custa tentar, mas não é só isso. Olhe encontrei essas fotos no computador dela. -ele vai passando as fotos -Até que encontro essa. -a foto de Dominique com Lucas no jardim frontal do Liceu -Esse não é o seu amigo Pedro?
Levanto-me.
-Pedro?
-Preciso ir.
Retiro-me, porque Lucas me escondeu que conhecia Dominique. O que ele mais me escondia? Tinha medo de me fazer essa pergunta.
Chego em casa e encontro Lucas e Cibele no chão brincando. Fico parado com a porta aberta, eles estavam dando risada. Eles param, ele olha pra mim.
-Papai. -ela me abraça.
-Vai arrume tudo para tomar seu banho.
Lucas se levanta.
-Eu não te encontrei... E ela estava brincando...
-Você pode vim comigo aqui fora?
Saímos, fecho a porta.
-Por que você me escondeu que conhecia Dominique?
-Faz sei lá três... Ou quatro ou seis meses até. Ela iria estudar no Canadá, e soube através de um professor que estudei lá. E pediu pra mim para ajudá-la.
Ele olha pra mim.
-Você não acredita em mim?
Eu levo à mão a cabeça.
-Eu vim me desculpar pelo jantar, eu fui infantil, às vezes nem eu me entendo. Desculpa.
-Eu tô cansado, eu tive um dia cheio.
-Me divertir muito com sua filha, sua filha é muito divertida. -sorrir.
-Eu sei boa noite.
-Boa noite.
Fecho a porta, tranco e me viro e vejo Cibele, me abaixo a altura dela e a seguro pelos ombros.
-Não abra a porta para estranhos nunca mais.
-Mas era amigo do senhor.
-Nem pra amigo, pra ninguém. Entendido?
-Hum hum
No dia seguinte a notícia de mais uma morte, Milena Pouso, 26 anos, formada em licenciatura de música, mas iria prestar outro vestibular, para medicina. Estudou no Liceu, turma de 99. Viam-se escoriações no seu rosto e o rosto estava bem pálido, com certeza deve ter lutado para tentar se livrar do saco que a asfixiava. Pego o saco que estava ao lado do corpo e fecho os olhos dela. Ao lado também havia um caderno com o trecho de uma ópera de Mozart, a Flauta Mágica, ópera bastante popular devido  a ter bastante passagens cômicas, nessa ópera Mozart vai se utilizar de vários elementos da maçonaria, foi encenada pela primeira vez em 30 de setembro de 1791,Tamino, protagonista da história, é questionado por ser um principe, e que por tal motivo talvez não conseguisse suportar as duras provas exigidas para entrar no templo. Em sua defesa, Sarastro responde: "mais que um príncipe, é uma pessoa".Há dois casais que se formam na ópera, Papageno-Papagena, simbolizando o lado comum da humanidade, e Tamino-Pamina, simbolizando o iniciado. O contexto é uma luta entre a Rainha da Noite, que ambiciona o poder, e Sarastro, o grande sacerdote que só pratica o bem. Para Sarastro trabalha, porém, o mouro Monostatos, que tenta seduzir Pamina e se alia à Rainha da Noite.
Desço as escadas e vejo uma menina nos seus já 18 anos conversando sozinha, mesma altura da vítima, 1,60 no máximo.
-O senhor é o pai da vítima?
-Sim.
-Desconfia de quem possa ter feito isso?
-Não, ela estava com novos planos, fez um curso na área de saúde, pegou gosto e decidiu ser médica. Ela não queria ser professora de música. Ela queria viver de música.
Aproxima-se uma mulher bem mais jovem, ele era bem velho, pensei até que ele era avô de milena.
-É a mãe de Milena?
-Não. -ele dá risada - É a minha segunda esposa, sou viúvo da mãe de Milena.
-Droga todo lugar que vou tem policial, perito, jornalista. Estragaram o meu tapete. Silvia! - ela grita.
Aparece uma espécie de governanta, tão série, tão loira, tão fria, parecia uma alemã.
-Sim senhora.
-Estou com enxaqueca, venha comigo me ajudar a escolher uma roupa para uma festa que vou à noite.
Sobem as escadas.
-E aquela menina?
-É a irmã de Milena, Marcela.
Ela olhava pra gente e inclinava a cabeça a direita e logo depois à esquerda e repetia os movimentos.
-Mais alguma coisa?
-Não, é tudo, obrigado.
Retiro-me com Sérgio.
-A mãe de Milena deixou uma fortuna pra ela. E o senhor Perseu não é viúvo, ele e dona Elisa já eram separados, logo em seguida ele casou com Constantine.
-Você acha que Constantine e ele se uniram para...?
-Temos que pensar em todas as hipóteses, Milena tinha como direito a herança, Marcela está interditada tem deficiência mental.
Viro-me e vejo Constantine e a sua governanta nos observando lá de cima.
-Oi, me chamo Simone Riviera, sou do jornal A notícia.
-Não dou entrevista, com licença.
-Grosso.
Ela fala baixo, mas escuto, me viro. Ela já estava indo em direção a casa, tinha cabelos castanhos bem escuros e olhos verdes bem grandes como da minha esposa.
Tomo um susto, Marcela me segura  com os olhos bem arregalados como de assustada.
-Eles a mataram. Eu sou a próxima, me ajudem.


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