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quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Uma janela em meio ao mundo

Nasci numa boa casa, com muitos cômodos, um quarto só para mim, com bastante espaço para brincar. Não tive irmãos, a minha infância foi toda com os meus primos ( quando estes me visitavam) e meus brinquedos.
Me roía de inveja quando meus primos falavam do Mundo lá fora. Minha mãe não deixava nem eu ir ao jardim da casa, quando eu ameaçava sair, já vinha ela me pegar pelos braços e me colocar no meu "mundinho" com meus brinquedos.
Ao completar sete anos fiquei muito feliz, pois me disseram que ao completar essa idade eu iria a escola e finalmente me veio a esperança de conhecer o Mundo.
Mas logo essa esperança esvaiu-se, meu pai fez uma escolinha no cômodo dos fundos e os meus colegas eram outors dois primos meus.
Fui crescendo e junto a vontade de conhecer o Mundo fora dessas paredes da qual era impedido. certo dia fui ao quarto da minha mãe, lá havia uma janela, ao abrir, vejo uma parede enorme, que logo me desanimou, por mais uma vez não conheceria esse mundo. Só ouvia o som de buzina e vozes, fechei a janela.
fui me conformando contra a vontade, me lembro que cheguei a perguntar a minha mãe por que eu não poderia sair como os meus primos faziam. Ela me respondeu que o Mundo era violento e mau e que eu estava protegido dentro de casa.
Só conhecia o Mundo pelo o que os meus primos falavam sobre ele e pela televisão. Até que os meus pais faleceram, o muro alto foi derrubado e pela janela eu vi o Mundo lá fora.
Me assustei com aquela imagem, era maior do que eu pensava. Onde era a minha casa disseram que iria ser construído um prédio, fui morar na casa de um tio.
Conheci tardiamente o que era sofrer, um cinema, o amor, a realidade, me encantava com as coisas mais bobas, como um semáforo.
Não me relacionava bem com as outras pessoas, eu me tornei uma pessoa introspectiva, hoje tenho consciência o quanto eu fiz mal em não argumentar o por quê. Mas hoje quando estou na rua, fico doido para acabar o dia e ir para o meu apartamento no último andar, exclusivo a mim e ficar escondidinho entre as quatro paredes do meu quarto, enquanto o meu filho, eu o encho de videogames e o deixo horas no computador para que ele não saia.

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