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segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Próximo demais -Capítulo 2.


No dia 23 de setembro de 1993 fui junto com a minha família ver o pai de Lucas ser enterrado. Tinham assaltado a casa e o atacaram com a apá, morreu na hora com a cabeça rachada ao meio. A viúva chorava, ele era homem de poucos amigos, só tinha mesmo as companhias de bebedeira. Alguns até agradeceram a Deus por ter levado o infeliz.
Apesar da consternação geral, Lucas estava lá no alto da árvore, observando tudo e nem um pouquinho abalado. Aproximo-me dele.
-Não vai enterrar o seu pai?
Ele desce.
-Pra quê?
-É seu pai. Você nem chorou.
-E onde está escrito que temos que chorar pela morte dos nossos pais? Sabe de uma coisa. Ele já foi tarde! Um grosso estúpido. Você quer que eu chore por um homem que me espancava todos os dias?- mostra as marcas da surra.
Fico calado, silêncio por um tempo, ele olha pra mim.
-Posso lhe contar um segredo?
-Sim, pode.
-Fui eu que matei o meu pai. Esperei ele sair do banho e acabei com a raça dele!
Desperto, estava no sofá da minha casa, os vídeos de Dominique estavam sendo passados e o cd com ópera La Gioconda na voz de Maria Callas estava ainda tocando.
Volto a minha atenção para a tela da TV. Até hoje não sei se o que Lucas me contou era verdade. Lucas era dessas brincadeiras, gostava de assustar as pessoas, mas até hoje ninguém descobriu quem matou o pai dele.Lucas era uma incógnita, até pra mim, melhor amigo dele. Não dava para adivinhar o que veria da parte dele.
Dominique no seu baile de 15 anos, ela era uma menina bonita, tinha tanta vida nos seus movimentos, brincalhona, animada. Não poderia ter inimigos, poderia até conquistar alguns invejosos.
No dia seguinte vou ao Liceu, pesquiso a pasta de Dominique.
Excelentes notas, nenhuma observação, todos os professores mais velho a elogiavam. Vejo fotos de comemorações de festas no Liceu, ela estava em todas as fotos com aquele sorriso enorme que não parecia em nada com a cena dela morta na banheira.
Nada! Minha visita tinha sido em vão, pelo menos confirmou que ela andava freqüentemente ao Liceu esses dias. Mas por quê? Ela era da turma de 99.
Desço as escadas e esbarro em Lucas.
-Você aqui?
-Esqueceu, eu ensino aqui.
-Ai, desculpa. Tinha esquecido e estou mal, nem dormir direito.
-Mas o que faz aqui? Saudade da infância?
-Não, aliás! Você a conhece? - mostro a foto de Dominique.
-Nunca a vi. -ele sorrir pra mim - É a jovem que foi encontrada morta na banheira?
-É ela sim.
-Que horrível. Tem um cigarro aí?
-Lucas naquele dia do enterro do seu pai você não estava falando a verdade não né? -ele vira-se pra mim.
-E o que você acha?
Ele pega o cigarro e o acende, o tragando logo em seguida.
Por que me pergunta sobre isso? Éramos meninos. E nunca leve a sério o que meninos contam.
-Você ainda fuma?
-Você parou?
-Conseguir parar, já faz dois anos.
-Eu não sou tão persistente quanto você. -ele arruma o meu casaco - O outono é uma desgraça, deixa a cidade tão mórbida. E ainda não encontrei nenhum lugar para se fumar maconha aqui.
Ele pára e se encosta-se ao para-peito para ver a paisagem.
-A sua esposa morreu como?
-Eu não gosto de falar sobre isso.
-E gosta de falar sobre o quê? É impressionante quanto mais convivemos com as pessoas próximas a nós mais estranhas ficam para nós. Já reparou isso?
-Já. Às vezes eu tenho a sensação que você é uma farsa ou que você é tão verdadeiro que me assusta.
-Eu te assusto?
-Sim, às vezes.
-Por que nos tornamos amigos Pedro? Somos tão diferentes, mas tão iguais ao mesmo tempo.
Ele faz que vai se jogar.
-Morra comigo Pedro!
Desce daí. Quer me matar do coração? -o desço.
Ele começa a rir.
-Você continua aquele mesmo menino que tanto me encanta. -alisa o meu rosto.
Chego no escritório e Wassaly me encara.
-O que aconteceu?
Viro e vejo Regina Ábramo.
-Aconteceu mais um assassinato na cidade.
Vou até a casa da vítima e encontro um quadro horripilante que se não se tratasse da realidade diria que era das ficções de terror mais assustadora das hollywoodianas que vi.
Uma mulher nos seus 20 para 30 anos pendurada por arames farpados. Um no pescoço, outro em volta da cintura, outros dois no sulco da perna e outro enrolados pelos braços, pingando sangue pelo corpo todo. E na parede inscritos em vermelho o que poderia se tratar de mais um trecho de ópera.

13 comentários:

diogo disse...

continua, eu gostei disso!

Júúh disse...

Gostei , voo acompanha!
quando vai ser a continuação ?
bjos
http://dapraentende.blogspot.com/

Urbano disse...

que surpresa! interessante...

Pobre esponja disse...

Acompanhando.
Eu diminuiria mas os textos e aumentaria os posts, pelo sistema do orkut exigir uma certa concisão.
Isso aí

abç
Pobre Esponja

Milton G. Machado disse...

Gostei bastante, apesar de não ter lido o primeiro capítulo.
Algumas passagens são difíceis de entender, mas talvez isso faça parte de seu estilo.

Vinícius disse...

Nossa, você tem um grande talento.

Macaco Pipi disse...

as pessoas são complicadas :S

Dani disse...

continua, continua

Rafael Queiroz disse...

o dahorta o texto

to esperanado a continuacao

Guilherme_Arconexo disse...

Hey...afim de parceria?
Da uma passada no meu blog!

http://nadaaverpontocom.blogspot.com

@marcosvolk disse...

:O que tenso! continua aê!


http://www.maisqueindelevel.com/

Lucas disse...

Que loooouco manolo!
Volto pra ler o restante
falooows
Por:http://quaddronegro.blogspot.com/

Macaco Pipi disse...

COLOCA UMAS IMAGENS AE NO MEIO
PRA ILUSTRAR
FICA MENOS CANSATIVO DE LER

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