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domingo, 18 de maio de 2014

Favela.



Lugar que não é bonito
Muitas vezes construído de improviso
Que não consegue se esconder do conflito
Que teima em não dá aviso
Fazendo filhos
Diante de boas intenções de algum político
Nem aí pro corpo sem jazigo
Famílias se sustentando a passo acrobático
Vendendo seus sonhos por uma bagatela
Meninas brincando de ser mãe
Meninos brincando com armas
Criança tendo que acordar pra trabalhar
Esqueceu de estudar, de brincar, de ser criança
Favelas que não tem formas
Em que a chuva só vem pra atrapalhar
Onde se busca algum deus ou pastor em busca de alguma esperança
Casa bonitinha sem reboco
Na laje pedras queimadas sem pipoco
Sem vigília da polícia
Que bate, espanca e mata um cidadão
Em que o único crime era sua cor
Ficou sem provar por hoje os quadris de sua mulher que era uma delícia
Ficou sem colocar pra ouvir no fim de semana depois do futebol o seu pancadão
Pelo menos deixou de incomodar o silêncio, agradeça o agressor
Agradeça a senhora de tão velha que não viu
A bichinha cabeleira que só aplaudiu
Ao bêbado que ainda acusou
Algum parente que ainda abusou
Aos santos que não desceram
Aos amigos que se perderam
Na favela é difícil sorrir
Sorrir de contente
Apenas se mora
Não se sabe se foi Deus que colocou
Ou apenas se acostumou.

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