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quarta-feira, 21 de maio de 2014

Cabeça de dinossauro. - Capítulo 1.



Um carro para na porta de uma escola, dentro estão um garoto de 12 pra 13 anos e uma mulher que ainda guarda alguma beleza.
-Não vai me dá um beijo?
-Eu não tenho mais 10 anos.
-Mas sou sua mãe, e beijo é uma demonstração de carinho, de afeto, de amor.
-E quem disse que eu te amo.
-Todos os filhos devem amar sua mães Eu não parir ninguém para me odiar.
-Você não me ama, você me compra. O amor é um contrato, em que um dos dois saem perdendo.
-Por que você não foi morar com seu pai?
-Porque você não deixou. A senhora não deixa eu nem sentir falta de você.
A mãe começa a chorar.
-Vai, você vai se atrasar pra aula.
-Eu detesto essa escola.
-Você quer a vagabundagem. Eu deveria ter deixado você com seu pai, ele certamente te colocaria nos eixos, apesar de não ter tempo pra você.
O menino vai sai do carro.
-Não esquece a mochila.
O menino sai do carro. O menino tem 12 anos, Matheus Curvello, é deixado lá 5 vezes na semana como uma coisa ou mercadoria. Sua notas não são boas, como também seu comportamento, mas isso era normal.
A mãe se chama Luíza, está tentando viver com sua vida de divorciada. Não sabe o que não deu certo no casamento. Mora num bom apartamento, num bom bom bairro, vive com uma boa pensão do ex-marido, Eduardo, um policial, que tem apenas os domingos para visitar o filho quando aparece.
Luíza chega em casa cheia de sacolas e encontra o ex-marido na porta.
-Por  que não entrou se tem a chave?
-Eu acho que não tenho mais esse direito.
Entram.
Ela coloca as compras na mesa.
-Precisa de ajuda?
-Não.
Ela volta pra sala.
-Quer água?
-Não. Você precisa me ligar menos. Incomoda, tô no trabalho.
-Você não apareceu no domingo. Ele te esperou, a cada campainha tocada ele pensava que era você.
-Não deu, eu tive um compromisso.
-Com amigos.
-Eu quase não tenho folga... Só vivo pro trabalho.
-Eu sei, esqueceu que eu fui casada com você por 12 anos? A empregada Cássia pediu aumento. estou apertada... as contas não fecham, eu não quero perdê-la, é a única que aguenta as malcriações dele.
-Peça pra ela me ligar, me acerto com ela.
-Matheus não gosta da escola, não quer ir pra lá. É inteligente, eu sei, está se reprovando pra você pagar os mais de 2 mil reais no final do ano.
-Eu não pago, ele já sabe disso, ele repete de ano.
-Não foi pra isso que chamei você. Encontrei isso. - dá o pacote - É maconha. Cortei a mesada dele, tirei a TV, a internet. - chorando -Eu não sei mais o que fazer. Ele só falta me bater, já está quase do meu tamanho. Me chamou de puta ontem.
-Você mima demais esse menino, por isso está desse jeito.
-Você não entende, é nessas horas que faço as vontades dele, que ele me beija, me chama de mãe. Eu tenho medo de perdê-lo como perdi você. Só é eu que não presto, que não sirvo.
-Eu vou falar com ele.
-De que jeito Eduardo? Do seu jeito não tá dando certo. Ele disse que eu só fiz um filho pra ter todo o conforto que tenho, que apenas o cuspir pro mundo. Eu deveria ter o abortado como você sugeriu, éramos jovens, você estava no curso pra oficial.
-Mas você quis casar.
-Eu pensei que a felicidade era isso. Encontrar alguém, casar, ter filhos.
-Eu tenho que ir.
-Obrigada por vir.
Matheus na sala de aula.
-Matheus está errado. - O professor.
-Conserte o senhor mesmo. Por mim você pode enfiar todas essas linhas no cu, talvez goste.
-Saia da sala.
-Não saio. Me tire o senhor mesmo, talvez caia de tão velho.
Os alunos começam a rir.
-Desça Matheus. - uma menina.
-Robson chame a diretora.
-Não tenho medo dela. Você pode dividir com ela as linhas. Ela é mal humorada daquele jeito porque certamente falta uma pica grande pra satisfazê-la.
O professor pega no braço dele.
-Você vai sair da sala.
-Me larga!
Num dos banheiros da escola uma menina chupa um rapazinho e ele filmando ela com a boca toda em seu pau. O nome do rapazinho é Marcos Alencar, vive com a avó, os pais desistiram dele. Não foi um menino desejado, não era pra vir, foi acidente.
Num outro cantinho da escola, longe dos olhos de qualquer um , até de Deus, está Lucas Meneghuete com amigos fumando algo legal, queimando aula. O pai morreu, era bandido, a mãe tentou matá-lo  desde a barriga, pro avô ele não existe, é fruto de uma desobediência da filha, ele só tem o irmão que o pegou pra criá-lo.
E toda escola parou pra ver a briga de João Beilke com outro menino na cantina. A briga não se sabe o motivo e nem quem começou. Os dois saíram feridos, eram bons de briga, talvez a única coisa em que era bons.
Os quatro sentados. O professor gritando, exigindo a expulsão do aluno. Os quatro não se olham. Luíza recebe a ligação da escola, estava no trabalho. Deixa o que estava fazendo para ver o filho.
-Quase você ia ser expulso Matheus. É certo isso, eu deixar o trabalho pra ouvir isso? Suspensão de 10 dias, eu vou contar pro seu pai.
Ele de cabeça baixa.
-Fala alguma coisa pelo amor de Deus.
Ele levanta a cabeça.
-Eu odeio a senhora.
Era aquilo que ela não queria ouvir.
Marcos Alencar voltou pra casa. O pai estava o esperando em casa.
-Que idéia foi essa de colocar o video na internet?
-Ela era vagabunda.
-Os dois são.
-Eu não obriguei a chupar o meu pau.
-Eu vou fazer o café. - fala a avó.
-Sabe quanto vai me custar essa brincadeirinha?
-O senhor tem dinheiro, foi sempre o que ouvir.
-Ou você se tranforma em homem de verdade ou não vai ter nada mais de mim.
-A única coisa que eu quis do senhor, o senhor não me dá.  - se levanta e sai.
-Marcos volta aqui. Isso é maneira de falar com seu pai. -a avó.
-Deixa, não falta nada pra esse menino mãe.
João na cama, a mãe passando um produto nos ferimentos.
-Ai.
-Passou. Por que João você é assim?
-Pra vocês me verem.
-Mais?
-É pouco, desculpa.
-Vamos pra igreja mais tarde.
-Eu não quero ir.
-Isso não é uma sugestão ou pedido.
Lucas chega em casa, o irmã não estava lá, e também não foi o buscar. Tinha comida pronta. Alguém bate na porta, ele abre, era uma mulher que ele não conhecia.
-Onde está o seu irmão?
-Quem é a senhora?
-Sua mãe.
Matheus tomando banho, a mãe revistando a mochila dele. Procura alguma coisa com medo do que achar. Encontra dinheiro, muito dinheiro. Pega o dinheiro e guarda a mochila no lugar.
Vai pra cozinha e prepara a mesa.
Matheus aparece.
-Não vai comer a mesa?
-A senhora sabe que não como.
-Não sente falta?  Por favor senta.
Ele olha pra ela, senta. Ela coloca o dinheiro sobre a mesa.
-Aqui tem R$800,00. De onde vem isso Matheus?
-Quem lhe deu o direito de abrir minha mochila?
-Eu sou sua mãe.
-Não devia ter esse direito só porque me cuspiu pro mundo.
-De onde vem esse dinheiro Matheus?
-Eu vendi uma coisas,
-Que coisas?
-Não interessa. A senhora cortou a minha mesada esqueceu? Vou comer no quarto.
-Você vai ficar aí. - o segura.
-Eu vou morar com meu pai, te deixar aí sozinha apodrecendo com sua boas intenções.
Ela bate no rosto dele.
-Você vai pro quarto, vai me esperar lá. Você pode ter a certeza que isso vai doer mais em mim do que em você. - chorando.
Ele se levanta, entra no quarto. Luíza enxuga as lágrimas, se levanta, pega o cinto no quarto, o velho xico de infância. Bate na porta.
-Esta aberta. - ela escuta lá de dentro.
Ela entra, ele estava de joelhos, com as costas prontas.
-Não vai ser nas costas, vai ser nas pernas.
Ela fecha a porta. Ele já não chorava, nem gritava, nem pedia pra parar.




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