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domingo, 24 de janeiro de 2010

Por que você me ofereceu um jardim de rosas com espinhos? - Segunda parte (final).

Vizinhos levam Cláudio até o apartamento dele, ele senta no sofá abatido.
-Obrigado- Rodrigo fecha a porta e vira-se para Cláudio -Eu avisei.
-Não me venha com lição de moral agora. Ela nunca mais vai querer olhar pra minha cara.
-E com toda a razão Cláudio.
-Você não entende. Eu amo a Renata. Eu vou morrer sem ela. -chorando.
-Eu não duvido que você ame a Renata. Eu só sei que esse amor não faz bem nem a você e nem a ela.
Renata chega em casa e encontra a mãe a sua espera.
-Eu avisei, não quis me ouvir. Quem erra uma vez erra sempre. Você não foi a primeira e nem vai ser a última a ter se apaixonado por um homem mais velho. Amanhã não duvido nada ele encher essa casa de buquês de rosas, eram assim os pedidos de desculpa dele, depois que ele bebia, depois das brigas por ciúme, depois de ter gastado todo o dinheiro com jogos de azar. Ah Renata se você tivesse me ouvido naquele tempo. Dizia-se apaixonada, engravidou, agora a sua vida estará para sempre presa a ele por causa de um filho. Ele não serve pra você! Se tivesse feito o aborto, não estaria até hoje ligada a ele., a sua vida teria sido diferente.
Entra Lucas, Renata tapa os ouvidos do filho.
-Me espera no carro, mamãe já vai. -Lucas se retira -Como você tem a coragem de me lembrar dessa proposta absurda que fez? A única coisa que não me arrependo do meu casamento, é do meu filho, do seu neto não se esqueça disso.
-Não me venha com essa conversa agora. Quantas fazem isso pelo país? Ou até pior abandonam quando as crianças nascem. Se você tivesse entrado naquela clínica comigo você teria tido uma carreira brilhante como jornalista e não enterrada naquela escolinha. Mas não. Eu amo ele mamãe. Ta aí o amor. Um filho não é motivo para se haver casamento hoje em dia.
-A senhora tem grande parcela de culpa nisso, sempre torceu contra o meu casamento.
-A culpa de vocês não terem dado certo agora é minha! -rir-Eu torcia mesmo contra, ele era mais velho que você, você merecia coisa melhor. A mulher pensa que todo homem é único, mas não é.
-É sobre o teu neto que estamos falando.
-Poderia ser qualquer coisa, eu aceitaria como meu neto, mas não vindo dele.
-Eu não durmo com o meu filho sob o mesmo teto que a senhora. Vou pra casa de uma amiga, hotel, ou até mesmo debaixo da ponte. Eu e o meu filho não precisamos de você. -se retira.
Cláudio chega na casa da mãe, ela estava jogando baralho com outras senhoras. As outras senhoras se retiram ao vê-lo.
-Você já sabe?
-As vezes os filhos nos decepcionam tanto.
Ele abaixa a cabeça.
-Onde foi parar tudo que eu te ensinei? Por que fez isso comigo? Onde foi que eu errei? Me diga meu filho. Por que tamanha maldade com a sua mãe? Não me diga que eu criei um monstro sem coração. -ela se aproxima do filho- Que tipo de ser humano saiu de mim?
Desculpa.
-A coisa mais fácil do mundo é pedir desculpas e dizer eu te amo. Mas as pessoas não tem idéia o quanto é difícil perdoar alguém sinceramente que nos machucou muito e o quanto significa para alguém ouvir eu te amo. Pedi desculpas todo mundo pede, mas desculpar mesmo, poucos. Há uma distância muito grande entre as duas coisas. Sempre esperamos mais dos filhos. Pensamos que eles são super-heróis e nós deuses que geramos seres perfeitos. Tolice nossa, porque não somos perfeitos, então porquê esperar isso de nossos filhos? Tive tanto medo de perder você meu filho, como perdi o seu pai. -o abraça chorando.
-Você me perdoa?
-Eu estou aqui meu filho.
-Eu perdi ela pra sempre mãe.
No dia seguinte ele vai a escola do filho.
-Pai. -Renata segura o menino pelo braço -Entre no carro Lucas. Entre no carro Lucas, estou mandando.
O menino entra.
-Você não pode me proibir de ver o meu filho. Eu sou o pai dele. Eu tenho direito.
-Que porra de direito? Você não pensou nesse direito quando viu ele chorando pensando que o pai morreria. Como você tem a coragem de aparecer aqui depois de tudo?
-Você tem que me escutar, eu não fiz por mal.
-Eu quero que você morra Cláudio, morra! Nunca mais incomode a mim e a meu filho.
-Eu tive medo de te perder, por isso que fingir a doença.
-Não se tem mais nada para se dizer Cláudio. Enquanto ao direito de ver o seu filho, vamos ver isso na frente do juiz.
-Espera, me escuta.- ele chorando.
Ela vira-se.
-Eu não voltei pra você por pena, mas por amor. Eu cheguei a cogitar ontem comigo mesma que você é digno de pena, pois não aprendeu a amar de uma forma saudável. Você não tem coração. É muito fácil dizer eu te amo, mas demonstrar realmente o quanto se ama alguém você não soube demonstrar. Não piore as coisas. Eu não queria perder o único homem que amei durante toda a minha vida.
-Eu sei que errei, mas tente me compreender, foi a única forma que eu encontrei para não perdê-la, eu te amo.
-Amor?- ela chorando Você tem certeza que me ofereceu amor Cláudio? Você só pode ser doente Cláudio, não é normal a maneira que você se comportou. Quantas vezes te perguntei se não tinha nada para me falar. Você me via chorando e mesmo assim continuava com o seu plano. Todo o amor que eu sentia por você deu lugar a indiferença.
Ela entra no carro, e coloca a cabeça para fora.
-Fique apenas com a minha indiferença Cláudio. -se retira.
Uma semana depois ele dirigindo o carro pensando na vida, nos seus erros. " O que eu entendo é que não existe amor em que só há uma pessoa que ama" " Você está me escondendo alguma coisa?", " Você é louco", " Prometem que nunca vão se separar", " E quando o pai dele morrer? Por que esse dia vai chegar. Eu só estava preparando ele. Vocês tem que preparar esse menino pra a realidade! Foi assim com a separação e está sendo assim com a sua doença" " Por pena. Será que vale realmente a pena tudo isso?", " Não me pegue. Você mentiu pra mim, pra sua mãe... Pro seu filho. Você é um monstro"," Eu não duvido que você ame a Renata. Eu só sei que esse amor não faz bem nem a você e nem a ela.", "Onde foi parar tudo que eu te ensinei? Por que fez isso comigo? Onde foi que eu errei? Me diga meu filho. Por que tamanha maldade com a sua mãe? Não me diga que eu criei um monstro sem coração.","Eu quero que você morra Cláudio, morra! Nunca mais incomode a mim e a meu filho ".
Ele fecha os olhos depois de lembrar de todas essas imagens, desce uma lágrima. Abre os olhos, há um caminhão na frente. Ele não consegue frear o carro e bate com o mesmo na carroceria do outro veículo.
No hospital chega Renata com o filho e encontra a mãe de Cláudio.
-Cadê meu pai?
-Lucas sente ali, mamãe já vai falar com você. - ele obedece -Como ele está?
-Está em coma induzido, mas não corre risco de vida.
-Eu disse a ele que eu queria que ele morresse.
Alguns dias depois, Renata dando aula, Cláudio aparece na porta.
-Com licença, terminem a lição.
Ela sai da sala, ele está com a cabeça enfaixada, com algumas escoriações no rosto, e andando com auxílio de uma bengala de madeira.
-Desculpa por incomodar. Podemos conversar?
-Sim.
Andam pelo corredor.
-Como é que está?
-Bem, indo. Ainda não me acostumei com a bengala. -sorrir.
Ele de frente pra ela e entrega um papel a ela.
-Aí o pedido de divórcio que eu rasguei. Eu passei no escritório do seu advogado e pedi para que ele fizesse outro. Você está livre de mim.
Ela fica sem palavras.
-Nunca duvide do meu amor, eu te amo da minha forma errada de amar, mas eu te amo. Você pode querer que eu esqueça você, mas eu sei que eu nunca vou deixar de amar você.
-Você vai pra onde?
-Por enquanto falar com o meu filho. Semana que vem viajo para Curitiba, pedi no trabalho para ser transferido para lá. Não quero ver você reconstruir a sua vida com outro homem que não seja eu.
-Eu pedi tanto que você assinasse esse papel, um ano que estamos separados, que eu tinha até perdido a esperança que você assinasse, agora com isso na minha mão parece que não tem mais sentindo.
-Desculpa. Eu não aprendi a amar sem sofrer e sem fazer as pessoas que amo sofrerem. Agora vem a parte mais difícil, me despedir do meu filho.
Ele se retira, ela faz intenção de dizer algo, , mas as palavras não vem e ela se abraça.
Na sala de professores.
-Ele vai embora para Curitiba
-E você vai deixar ele ir? - A amiga.
-Já o perdoei tantas vezes.
-E pra quem ama existe números de perdões?
-O Lucas, a professora dele me falou que ele entrou na sala chorando desconsolado. Ele assinou o divórcio, você espera muito por uma coisa e quando consegue, perde-se todo o sentindo. É assim que estou me sentindo ao olhar esse documento, pois mesmo ele dizendo que estou livre, ainda me sinto presa a Cláudio.
Elas saem da escola juntas e encontram um casal.
-Renata.
-Dona Cármem. -se beijam no rosto -Fabiana, minha amiga.
-Quanto tempo! Você não mudou nada. O Lucas já deve estar enorme.
-É, e dando muito trabalho.
-E o Cláudio?
Renata se mantêm calada.
-Eu falei algo errado?
-Não, é que me divorciei de Cláudio.
-Desculpa.
-Que nada.
-Uma pena vocês formavam um casal tão bonito.
Renata chega em casa e ajeita a roupa, cai um retrato no chão. Ela pega, era ela, Cláudio e o filho. Ela se emociona.
Ao cair a tarde ela vai a praia e ver Cláudio sentado numa pedra olhando o ir vir da onda e o pôr-do-sol.
-Cláudio.
Ele levanta-se, desce da pedra, ela se aproxima.
-Eu sabia que você estaria aqui.
-Foi aqui o nosso primeiro beijo.
-Não vá, fica. Mesmo com toda a raiva que fiquei de você ao saber que tudo era mentira ao olhar os resultados daquele exame, fiquei feliz, pois soube que você não nos deixaria tão cedo... Tantas vezes me olhei em frente do espelho dizendo que não te amava, para tentar me convencer disso. Acho que gosto de sofrer, porque quanto mais você me magoa mais me vejo presa a você. Quantas vezes eu quis dizer que te amava, mas você não deixava. Todas as surpresas eram suas, todos os beijos roubados eram seus, todas as declarações e surpresas eram suas, até os pedidos de desculpas. Você me sufocava com o seu amor. E mesmo assim eu continuava amando você. Eu sei que lá na frente você vai me magoar de novo. Mas fazer o quê, se não consigo viver sem você. Será que devo cobrar de você que você não me magoe? A vida não é só feita de rosas, elas também oferecem espinhos. Por que eu não devo esperar que você me ofereça espinhos?
Cláudio vai abrir a boca, ela tapa a boca dele com a mão.
-Espera, deixa eu concluir. Deixa eu dizer ao menos uma vez eu te amo. Eu te amo Cláudio.
-Eu também te amo.
-Eu sei, eu sei, pode ter a certeza que eu sei.
Ele a beija, um beijo como se fosse o primeiro e o último ao mesmo tempo. O beijo da saudade, o beijo do reencontro de quem se ama e se desencontrou em algum momento da vida. E juntos saem abraçados da praia.

2 comentários:

Débora disse...

Qualquer semelhança é mera coincidência não? É ao amor!

Stivie Sena disse...

Qualquer semelhança é mera coincidência não? É ao amor! [2]

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