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domingo, 27 de maio de 2012

Curtas urbanas

Gláuber e Júlia são um casal que se "amam" muito e aproveitando a deixa de um apagão no condomínio para discutir a relação e relembrar alguns fatos.

O apagão.

Júlia está batendo algo no liquidificador, falta luz.
-Droga, na hora da minha vitamina de banana.
-Droga bem na hora do jogo do Flamengo.
-Gláuber acenda uma vela.
Ela vai pra sala e ver Gláuber com uma lanterna.
-Eu falei vela Gláuber. Você é surdo?
-Vou procurar meu rádio de pilha.
-Gláuber você é velho hein! Você pode muito bem escutar a porcaria dessa partida pelo celular.
Júlia acende uma vela.
-Pra quê vela se tem lanterna?
-Eu quero acender a vela posso? Tem muita vela em casa. Eu não quero ser uma colecionadora de velas. Compro pra acender para os finados da família, mas infelizmente ninguém morre nessa família.
-Vamos jogar buraco?
-Você não tem nada mais interessante pra fazer. Eu aposto que nossos vizinhos não estão jogando buraco nesse momento, devem estar aproveitando pra brincar com outros buracos. Ah tive uma ideia, vamos ficar ouvindo o que nossos vizinhos estão fazendo.
-Não. Você se lembra como terminou da outra vez, eu levei uma dedada no cu e você ficou toda arrebentada.
-Maldita cigana, eu deveria ter acreditado nela e ter me separado de você enquanto te namorava.
                                                        ***
Júlia e Gláuber jovens passeando de mãos dadas, se beijam.
-Posso ver o futuro do lindo casal?
Eles se olham e Júlia sorrir e oferece a mão.
-Como será meu futuro com Gláuber?
A cigana olha pra Júlia.
-Sabe quando estamos com diarreia e tiramos a roupa intima e vemos aquele estrago, aquela linha, aquele rojão...aquele borrão no meio?
Sei... Deixa eu ver se entendi. Você está dizendo que meu destino está cagado? É isso?
-Mais ou menos isso.
-Gláuber me segura que vou dá umas bifas nessa mulher.
-Espera é a entidade que está dizendo.
-Então manda descer essa entidade porque tenho uma coisinhas não muito legais pra dizer a essa criatura. Gláuber tapa os ouvidos que meu vocabulário de palavrões é mais extenso do que a de Dercy Gonçalves.
-Júlia só falta essa você brigar com entidade.
-Isso é coisa que se diga pra uma pessoa.
-Quanto é? -Gláuber.
-R$ 50,00
-O quê? Querida por R$ 50,00 você poderia ter mentido né? Gláuber não vamos pagar porra nenhuma, vamos.
-Espera aê. -A cigana.
                                                              ***
-Mas eu tinha que ter adivinhado como ia ser minha vida com você já pelo casamento. O carro que o seu foi me pegar quebrou e o filho da mãe nem pagou um táxi me enfiou numa combe  lotada.
                                                            ***
A combe lotada pára e entra uma gordona.
-Licencinha, desculpa. Peraê gente me dê um espaço aí? -Ela senta uma banda da bunda nas pernas do pai de Gláuber.
-Ai, não estou sentindo minhas pernas. Minha mão tá aonde? Eu tô pegando o quê?
-Ei tio é melhor o senhor num sabê no que tá pegando.
-Ai Tô passando mal, acho que vou morrer. -Uma senhora.
-Pelo amor de Deus não tenho licença pra dirigir na cidade. -O motorista.
A senhora solta um peido.
-Minha senhora você não vai morrer, você já está é morta. -Um rapaz.
-Meu Deus não posso entrar na igreja com esse cheiro -Júlia.
Júlia se levanta e fica encurvada na combe com buna encostada na janela.
-Meu filho acelera esse carro pelo de Deus. -Outra mulher.
-Oh minha senhora só se eu passar por cima dos carros. Não tá vendo desgraça que tá tudo engarrafado?
-Ai eu quero sair. -A senhora
-Gente é melhor tirar essa criatura daqui. -Um homem.
-Ah não, demorei muito pra me acomodar. Eu não vou levantar não. -A gordona.
A senhora solta outro peido.
-Ai Jesus esse foi pior do que o primeiro. -O pai de Gláuber.
A combe pára e entra mais um passageiro, e ao fechar a porta o rabo do vestido de Júlia fica do lado de fora.
-Minha nossa o que é isso? Tem peixe morto aqui dentro? O homem que entrou.
Passa um carro e leva o rabo do vestido de Júlia.
-Nossa até que agora tá dando um ventinho bom. -Júlia.
-Minha filha, não olhe agora mas seu rabo tá todo do lado de fora. - O pai de Gláuber.
                                                     ***
-Toda a Avenida Paulista viu minha bunda. Mas todo mundo pensou que eu não ia casar. Mas casei, entrei na igreja assim mesmo. Mas pior que o casamento foi a Lua-de-mel, a casa que sua mãe te deu pra passarmos a lua-de-mel. Sua mãe te ama Gláuber. A gente demorou dois dias pra entender porque só tinha a gente naquele lugar. A casa no meio do nada, só mato, cheio de sapo, a casa toda esburacada. Eu não sei se eu não dormir por causa do coaxar dos sapos ou por causa das pingueiras. Mas até hoje me pergunto que criatura constrói uma casa perto de barragem de uma usina hidrelétrica . Não é de Deus não.
-Quando a gente conseguiu dormir a sirene da usina nos acorda.
-Mas o mais impressionante é que a casa ficou em pé depois da enchente.
-Não, o mais impressionante foi você no dia seguinte tentar vender a casa.
                                                           ***
Um casal aparece interessando em comprar a casa.
-Cadê a vizinhança? -O homem.
-Pra quê vizinhos? existe coisa mais chata que vizinho? -Júlia.
-E podemos ver a casa por dentro? -A mulher.
-Não mandamos foto? Vocês não viram?
-Você disse que a casa era em frente ao mar. -A mulher.
-É em frente, bem lá na frente.
-Eu não tô vendo.
-Querida se eu tô dizendo que tem mar lá na frente é porque tem mar lá na frente.
-Querida acho melhor  não comprarmos a casa. -O homem.
-Não, vocês vão ficar com a casa. -Júlia tira uma arma da bolsa.
-Júlia o que você  está fazendo? -Gláuber.
-Entram na casa bora e não olhe para atrás, passa o cheque.
O homem dá o cheque.
-Não nos mate. -eles entram na casa e Júlia passa a corrente e prende  com cadeado.
-Bora Gláuber.
-Socorro! Ai tem sapos aqui dentro. -A mulher dentro da casa.
E Júlia e Gláuber partem com o carro.
                                                   ***
A luz voltou.
-A luz voltou. vamos fazer o quê agora? -Gláuber.
-Eu vou terminar de bater minha vitamina de banana.
-Eu vou ver se ainda está passando a partida do Flamengo.

-.

6 comentários:

Rodrigo Ferreira disse...

Gostei do seu curta urban falado, com trechos falados.
gostei demais.
Mas vc dica coloque seu postagens em primeiro lugar. O contador e outras coisas deixa pro lado. assim as pessoas vão ver seu post primeiro e não o contador.
abraçoOo

http://rodrigobandasoficial.blogspot.com.br/

ƒlávio griŋdcore disse...

Bacana esse curta, muito criativo. Dá até pra fazer alguma tirinha ou livro com ela.

Marília disse...

Bem interessante. gostei!
http://pitadadecinema.blogspot.com.br/

Vanessa Ponzoni disse...

Ahhh muito bom!! Adorei seu cantinho aqui tb! :)

pontosdabeleza.blogspot.com

. disse...

Rsrsrs...odeio quando acaba a luz!
Ixi, que confusão, até peido ela soltou!

http://cerejatop.blogspot.com

Millena Blogueira disse...

Perfeito o curta.Parabéns!

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