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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Íntimos. -Capítulo 15.



Mariana Braga Venturossa - 23 anos - 2003.

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Mariana acorda numa praia, está toda suja, a boca seca. Vê um mendigo também na areia, ele queimando pedra. Ela se aproxima dele.
-Me dê um pouco.
Ele estava todo sujo, a roupa rasgada, nem se incomodava em deixar a mostra o seu grande membro. Ele olha pra ela, vê que ela tá numa pior tão quanto ele.
-Eu te dou tudo, se você me chupar.
Mariana se abaixa e chupa o mendigo em  plena luz do dia, em céu aberto.
Depois de conseguir a droga e usar todo o conteúdo adquirido, que não a satisfez, ela passeia pela rua. Era carnaval. Todos despejando sua alegria irritante, esfregando na sua cara o quanto ela estava na pior.
Todo mundo de fantasia, sorrindo, cantando. Ela encontra um cara de tão bêbado, que estava dormindo no asfalto segurando uma garrafa que ainda continha a sua bebedeira. Ela pega a garrafa, já que estava com sede, e com esperança que aquilo fosse mais forte que sua última dose.
Ela começa a passar o rosto pela parede, os sons já não se ouviam,  só se via imagens dela queimando as pedras na calçada. As pessoas a olhavam sem estar com os olhos direcionados a ela, ela começou a afastar as pessoas com as mãos no vácuo, até cair, e no chão chorar.
Vai até o local que se tornou o mais visitado por ela, sobe as escadas e vê os caras.
-Por favor me vê um pacote.
-Está me devendo 8 mil garota. Não tem medo de morrer não?
-Já tá mal pra cacete essa daí. - fala outro.
-Só volte aqui com a minha grana. - se aproxima -Porra você está cheirando mal pra cacete.
-Não precisa ser o pacote inteiro... Um tiquinho, sobra. - desesperada e ofegante.
-Aparece tanta gente aqui na merda quanto você. saia daqui antes que eu perca a paciência e corte sua cabeça.
Ela começa a tirar a roupa.
-Podem me usar.
-Vista essa porcaria, você não sente, não reage. É como se tivesse penetrando gente morta.
Ela desce chorando e encontra Arthur.
-Oi. - fala ele.
Ela fica calada, nada a dizer a alguém que um dia foi importante.
-Estou vendo que não está nada bem. Não apareça mais em casa por favor. Estou prestes a me formar, e estou estagiando num escritório bacana.
Ela vê ele com um cigarro na mão, quase no fim.
-Você pode me dá o cigarro?
Ele entrega.
-Se cuida.
E sobe, dando as costas a ela e ela começa a tragar o que lhe restou pra hoje.
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Júlia e Pedro como se tornou rotina começam a procurar Mariana nas ruas, quando ela sumia por muito tempo, era uma aflição não ter notícias, não saber como a encontraria.
Verem ela na esquina de um beco com outros como ela.
-Mariana bora. -Júlia.
-Me larga!
-Venha Mariana. - Pedro a puxa.
Ela começa a se debater, a dá chutes nos seus próprios amigos, como não os reconhecessem mais, em meio a gritos dela.
-Me larga! Me larga!
Júlia chorando, enquanto Pedro tentava a colocar dentro do carro, e ela resistindo com muita força que não se sabia de onde vinha. Conseguem a colocar dentro do carro, ela começa a esbofetear Pedro no banco de trás.
-Anda Júlia.
Júlia nervosa, ainda chorando liga o carro e parte dali.
Chegam, vão subindo as escadas cada um segurando um braço dela, todos estavam assistindo o espetáculo sem ajuda.
-Me larga! Eu odeio vocês.
A colocam dentro de casa, a trancam no quarto. Ela grita, esmurra a porta,quebra as coisas, enquanto Júlia chora aos braços de Pedro.
Horas depois Júlia entra, a encontra dormindo no chão em meio aos cacos. A leva pro banheiro, joga a roupa suja dela no lixo, a ajuda a tomar banho, a esfrega com uma escova para tirar a sujeira de dias, em meio as lágrimas das duas. Antes do banho terminar Mariana vomita uma coisa esquisita, ou quase sangue.
Mariana sentada a mesa com um copo de café quente e Pedro e Júlia a observando.
-Desculpa, eu vou parar, eu juro.
-Você não vai parar Mariana. E eu tenho medo onde isso vai parar. Eu estou esperando um filho, não posso sair nas ruas a noite te caçando. - chorando - Estou cansada. Eu não quero desistir de você.
Mariana no dia seguinte, procura nos lugares de costume de casa o seu refúgio de não se sabe do quê, e não encontra. Vê Júlia dormindo, Pedro não estava em casa e sai.
Vai até a casa de Arthur, ele abre a porta. Ela percebe que ele estava com amigos fumando narguilé.
-Deixa eu entrar.
-É bom você ter vindo. - ele encosta a porta e se retira e retorna logo em seguida com uma bolsa - As coisas suas que ficaram por aqui, não precisa me devolver a bolsa.
-Você está me tirando de sua vida?
-Eu estou tentando prosseguir minha vida.
-Tem algum pacote sobrando ou tem como me fazer um empréstimo de 50 conto?
-Você tá me devendo 100 conto, mas não precisa pagar, com licença. - fecha a porta.
Depois de bater na porta de Arthur em vão, ela vai até o caixa eletrônico com esperança de encontrar alguma coisa, e não tinha nada e ainda descobriu que o cartão estava encerrado. Ela bate na máquina como se  assim descontasse sua raiva do mundo.
Ao sair vê uma loja, entra, só tinha o caixa, que provavelmente era o dono, ela olha pro lado e pro outro, estava vazia a loja. Ver os objetos, pensa que poderiam valer alguma coisa. Começa a pegá-los das prateleiras e colocar na bolsa aleatoriamente. Ao sair é parada pelo homem que estava no caixa.
-Posso ver a bolsa?
-Não tem nada de interessante nessa loja.
Ele pega a bolsa.
-Larga. - abre e ver os objetos. - Ladra!
-Não é isso que o senhor está pensando, eu ia devolver. - ele segurando o braço dela e ela chorando bate na mão dele. - Me larga, deixa eu ir.
Até conseguir se soltar e sair dali correndo deixando a bolsa.
Só lhe restava o local onde conseguia a droga.
-Eu quero uma dose, mais uma dose.
-Você tá devendo agente, não leva.
-Eu pago assim que receber.
-Você tá devendo muito garota. Agora saia, antes que a minha paciência se esgote.
-O que posso fazer pra conseguir?
Os caras olham pra ela, o corpo dela, era bonita, um fala algo no ouvido do outro. Um dos rapazes se aproxima, tira uma arma debaixo da roupa e coloca sobre a mesa.
Fala no ouvido dela.
-Você é uma gracinha, tire a roupinha.
Ela olha os caras se aproximando, um já gulosamente em seu pescoço , e outro abaixando o short dela. A colocam deitada na mesa, pronta pro abate, os quatro ao seu redor, ela vendo pentelho de tudo que é tipo, as mãos deles por seu corpo. Até que ela sente a primeira dor, só não sabia se era maior do que sua própria dor.
Eles fumavam, riam, tornando a cena mais grotesca, enquanto um metia com toda violência, perdendo as estribeiras no meio das pernas dela.
Ela passou a não sentir mais nada com o seu corpo balançando sobre a mesa, não sabia mais que pica estava dentro dela, não sabia mais se sentia dor, se sentia pena dela.
Nenhuma ação ou reação dela, não sabe quanto tempo durou, quantas metidas foram, se houve gozo dentro dela. Ela só olhava pra luz branca sobre ela, não reconhecia mais os rostos desfigurados ao redor dela.
A luz era como uma esperança de sair dali e conquistar a sua dose diária. Mas aos telespectadores mais atentos poderiam ver uma lágrima descer de seu rosto de mulher, ou seria daquela menina ainda.
Depois ela entrou numa boate, fugiu das luzes, do som, dos rapazes e moças, das bebidas. E entrou no banheiro e cheirou sua dose  até ficar caída no chão.
Júlia e Pedro recebem a ligação na madrugada informando que Mariana foi encontrada desacordada, quase morta no chão de um banheiro sujo, como se isso interessasse.
Ela sendo levada em cima da maca, e em cima dela a mesma luz branca, e ao seu redor vários rostos agora não desfigurados.
Ela sobreviveu ao seu excesso diário com Júlia e Pedro do lado.
-Eu to vendo como única alternativa te internar. - Júlia.
-Eu paro, eu juro.
-Não jure Mariana, não prometa o que você não pode cumprir. Até você não acredita mais em suas palavras. Você quase morreu. Entenda isso!
Mariana começa a chorar.
-Não dormimos mais, quando estamos em casa temos que vigiar você, esconder as coisas de você, com medo que você nos roube. Sem contar o desespero de um dia te encontrar morta em um desses institutos médicos legais. Você tá doente, enxerga isso!
-Você tá exagerando. Estão parecendo meus pais!
-E é essa a questão. Não somos seus pais Mariana! Deixamos de ser amantes pra cuidar de você, deixamos de cuidar de nós mesmos pra cuidar de você.
Mariana no dia seguinte volta pro mesmo beco, já tinha um cantinho lá só dela, sem muita decoração ou enrolação. E o mais importante ali eram todos iguais a ela, e ainda tinha a sua dose diária.
Foi passando os dias, se acostumando a não ter casa, família, amigos, nem sabe se ainda lembrava o que era isso.
E num desses dias de andança a procura de esmolas ou de algum resto de droga vê a mãe num restaurante, estava na parte externa. Continuava na mesma pose e se perguntava como ela conseguia sobreviver as próprias merdas. Se aproxima.
-Mãe... Mãe...
Ela se mantinha como se não tivesse ouvindo, apesar dos outros olhares já terem percebido. Ela mexia no celular, olhava pros lados, como se Mariana fosse um mosquitinho chato.
-Mãe... Eu preciso de ajuda... Por favor mãe.
-Me procure em casa, você sabe onde moro. Agora saia daqui, todos já estão olhando, saia antes que seja expulsa.  - despeja essas palavras em canto de boca..
-Mãe... Mãe. - Mariana chorando.
Branca já constrangida com a cena. Mariana se põe de frente pra ela em farrapos, e puxa o pano da mesa, derrubando tudo.
-Estou pedindo ajuda!... Sou sua filha. - chorando.
O gerente se aproxima.
-Eu pago tudo, traga um prato pra ela.
Mariana senta.
-Satisfeita? Todos agora estão olhando, até quem não está no restaurante. Acha que é fácil pra mim negar a própria filha na rua. Olha pra você! Quanto tempo não come? Quanto tempo não dorme? Seu cabelo era lindo, agora nem sei o que é isso que você carrega na cabeça. Você está fedendo, suja. Não ver um banho há dias! Não foi pra isso que te botei no mundo. Você era tão linda, uma boneca... minha boneca. - chorando -Olha no que você se transformou.
O rapaz traz o prato e rearruma a mesa, alguns começam a sair do restaurante, outros a reclamar da presença de gente.
-Eu não quero comer. - Mariana afasta o prato.
-O que você quer? Fale.
-Eu preciso de 8 mil pra pagar uma coisa.
Ela rir
-Você acha que dinheiro cai das nuvens, ou nasce do chão? Eu não tenho esse dinheiro.
-E esse bracelete? - pega no braço da mãe.
-Vai!... Vai roubar sua mãe agora? Que só falta você me espancar e me roubar.
Mariana tira as mãos de cima dela.
-A senhora não entende, eles vão me matar se não pagar.
-Eu consigo o dinheiro com seu pai, contanto que você venha comigo. Vou te internar na melhor clínica, quem sabe um tratamento até fora do país pra você se livrar dessa merda. E quem sabe depois de passar uma borracha nessa história toda, vamos a Paris, você gostou tanto de lá. Dá umas voltas em Nova York, conhecer Sydney, você sempre quis tanto viajar pra lá.
-Entendi,  tudo tem que ser sempre do seu jeito, como se fosse o certo.
-Me diz uma coisa: E do seu jeito está dando certo?
Mariana se levanta.
-Filha.
Mariana se retira e ela olha a filha fugir de suas mãos, de suas vistas, de sua vida.
-O que estão olhando? Nunca viram problemas familiares? Olham pros seus, antes de apreciar o dos outros. - ela enxuga as lágrimas e levanta a mão - A conta.






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