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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

A mulher do desembargador - Capítulo 10

-Diga se você o beijou.
Era eu que tinha invadido a casa dela no outro dia.
-O que você está falando?
-Fale! Você beijou o Guarda Venturo, ontem?
-Você acha que eu teria vontade de beijar o Guarda Venturo no estado em que eu me encontro. –ela chorando.
Eu a abracei.
-Minha mãe quer me proibi de tomar aulas com você.
-Não me abandone, eu lhe peço não se afaste de mim.
-Você promete de não receber mais visitas de homem nenhum?
-Prometo.
Alguém bate na porta.
-Suba para o meu quarto.
Eu subi, ela se arrumou e abriu a porta.
-Dona Augusta.
-desculpa por incomodar, mas preciso conversar com você.
-Entre, por favor. –Ela fechou a porta. –Eu volto depois de amanhã a dá aulas ao seu filho.
-É sobre ele mesmo que vim falar.
-Vou preparar o café.
-Não precisa, o que tenho para falar é rápido.
-Então fale.
-Quero que você pare de dá aulas ao meu filho.
-Por quê?
-É que não estão servindo, ele continua tomando notas baixas em português.
-Desculpa.
-Não é criticando a sua maneira de ensinar, longe de eu fazer isso.
-Mande o seu filho vim amanhã aqui para conversarmos.
-Você vai parar de dar aulas?
-Sim, não se preocupe.
-desculpa pelo incomodo. Adeus. –Ela bate a porta.
Eu desci.
-Foi bom acontecer isso para acabarmos de vez com essa loucura.
-Você...
-Já aconteceu o que eu temia, eu estou apaixonada por ti. –o beija - Que loucura a nossa!
Cheguei em casa e encontrei a minha mãe costurando algumas fantasias para o carnaval.
-Dona Marisa quer falar com você amanhã.
-Assunto?
-Não sei. Aqui a sua fantasia.
-Pierrô!
-tenho que entregar essas fantasias ainda hoje, já que hoje à noite é o baile de carnaval do Doutor Epaminombas.
-Mãe.
-O que foi filho?
-Nada, esquece.
Por um momento pensei em contar tudo.
E a noite lá estava eu no baile de Pierrô! Que lastima! Minha mãe de Columbina e minha irmã de bailarina.
Dona Justina estava fantasiada de bruxa, acho que por isso que a roupa lhe caiu bem. Dona Eulália de carneiro.
Amância estava fantasiada de noiva. Só padre Eurico que não estava usando fantasia.
O dono da festa, Doutor Epaminombas, estava fantasiado de sultão todo feliz. Este já tinha os cabelos brancos, com olhos verdes, alto, com um nariz muito grande.
Enquanto observava o doutor Epaminombas ela aparece vestindo a fantasia de Cleópatra.
-A fantasia para ela caiu bem. –fala Dona Justina.
-Não tem nem um mês de morte o desembargador. –fala minha mãe.
-Viúva que se preza fica em casa em dia de festa. –fala dona Eulália.
-Amância!
-Oi Dona Justina.
-Vestida de noiva.
-Tenho muita vontade de me casar Dona Eulália, até foi uma realização de um desejo que tenho.
-Já arranjou o homem temente a Deus que tanto procura? –Pergunta minha mãe.
-Padre Eurico! –Ela chama por ele-Vocês dão licença, vou falar com padre Eurico.
-Toda.
Amância se retira.
-Esta aí vai dá um susto ainda em nós. Ouça bem o que estou dizendo. –Fala Dona Justina.
-Doutor Epaminombas!
-boa noite senhoras. Estão gostando da festa?
-Está ótima. –fala minha mãe.
-Querem mais vinho? –Ele com a garrafa.
-Não, não fica bem uma mulher beber mais que uma taça. –fala Dona Justina.
-Já foi casado Doutor Epaminombas? –Pergunta Eulália.
-Sou viúvo.
-Morreu de que a sua esposa?
-Você quer dizer esposas. Já sou viúvo por quatro vezes.
-Ah meu Deus! –se espanta Dona Justina.
-Todas as quatro morreram caindo dessa escada.
-Virgem cruz! Sangue de Cristo tem poder. –fala minha mãe.
-Com licença. –Ele se retira.
-Se depender de mim não subo nessa escada nem que me paguem.
-será que foi feita por encomenda Dona justina? –Pergunta Eulália.
-Meu Deus, você está dizendo bruxaria?
-Nesse mundo não me espanto mais com nada Augusta. –Conclui Dona Justina.
Eu fui para a varanda da casa do Doutor Epaminombas falar com Marisa.
-O que você quer falar comigo amanhã?
-estou livre para ser amada.
-O que você quer dizer com isso?
-estarei te esperando na minha cama, com licença.
Amanheceu uma quarta-feira de cinzas de ar triste.
-Queridos irmãos chega mais uma Quaresma que antecede os sofrimentos de Cristo, tudo que sofremos é tão menor do que tudo o que sofreu Cristo por nós nas mãos dos Romanos, para livrar muitos dos nossos pecados, momento de reflexão dos nossos atos. Juntos com a nossa Santa Igreja já começaremos os preparativos da festa da Páscoa.
Eu quando voltei para casa, aproveitei para falar com minha mãe, enquanto ela costurava, ela estava com os botões da camisa na boca.
-Mãe, qual seria a sua reação se me apaixonasse por uma mulher mais velha?
Ela terminou engolido um dos botões e começou a tossir. Corri para pegar um copo de água, ela bebeu.
-Por que você está me perguntando isso?
-Por nada, mas responda.
-Depende, depende da mulher mais velha. Se ela for, três anos mais velha do que você, como a filha de Maricota, menos mal. Se for da minha idade...
-Se ela for mais velha do que você?
-Esta é uma desavergonhada que não olha a idade que tem.
-Vou ver o que Dona Marisa quer de mim.
Me retirei, desolado, minha mãe nunca iria aceitar isso.
Entrei, a porta estava aberta e subi as escadas e os meus olhos foram vedados, ela tirou as mãos dela delicadas e eu me virei devagar, ela estava de roupão.
Ela tirou minha camisa e o roupão dela caiu no chão. Ela estava nua diante de mim, ela me beijou.
Eu deitei na cama, ela montou em mim, e a cama começou a balançar, vi o sorriso de novo no rosto dela, ela alisava os seios. Terminei vendo o retrato do desembargador, tive a impressão que ele nos observava, e virei o retrato para a parede.

-Terminou tocando a campainha.
-Quem é? –Ela ainda montada em cima de mim.
-Sou eu, Doutor Epaminombas!
Ela saiu da cama e vestiu o roupão.
-Você vai falar com ele?
-Vou, por quê?
-Você me prometeu que não receberia mais visitas masculinas.
-Você não manda em mim!
-Você não pode me deixar nessa situação.
-Use a cama. Mas a sua! Vista-se.
-Você quer que eu saia?
-Pela janela. Já vou Doutor Epaminombas. –Ela se retirou do quarto.
Me vestir, sair do quarto, me encostei na parede para ouvi-los.
-Trouxe rosas para você.
-Obrigada, você adivinhou as vermelhas são as minhas preferidas.
-As minhas também.
-Você é médico de quê?
-Sou ginecologista
-Engraçado, me lembrei do meu falecido marido, ele queria tanto um filho e eu não pude dar.
-Há coisas que Deus faz que não entendemos.
-Você pretende se casar de novo?
-Eu pergunto para você à mesma coisa.
-Não sei, não podemos dizer nunca, para não cairmos em contradição.
-Você amou o seu marido?
-Tem algumas vezes que temos que aprender a amar.
-Já vou indo. Posso te visitar mais vezes?
-Claro.
Ele se retirou e eu desci as escadas.
-Você continua aqui.
-Você não me ama.
-Você não entende, uma mulher como eu, precisa de uma coisa que você não pode dá.
-Me responda você me ama?
-Não quero te machucar. Se retire, por favor.

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