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quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

A tua face

Pedro já havia 10 anos que tinha se formado, ao chegar em casa naquela noite a sua irmã, Célia, lhe informou de uma carta, nela continha escrito que haveria um reencontro dos formandos em medicina de um certo ano, e para que ele participasse. Bobagem, reencontro, 10 anos sem contato, reconstruir amizades perdidas há anos. Ele não iria, mas foi, o reencontro iria ser em um teatro.

lá estavam todos, Bernardo, Afonso, Carlos, Júlio e Vítor.

-Pedro que bom que você veio. - Afonso.

-Quanto tempo!

-Você não mudou nada.

-O tempo lhe fez bem.

-Quem é aquela mulher que está ao lado de Júlio? -Pergunta Carlos.

-A namorada dele, é francesa.

-Não sei o que esses europeus vêem em gente dessa cor, devem achar que ter um negro é afrodisíaco.

-Se eu não lhe conhecesse diria que isso se trata de racismo. -Afonso.

Racista eu! Eu até tenho amigos negros.

-Por que a peça é dividida em três atos? - Pergunta uma moça que acompanha Vítor.

-Se veio para azucrinar o meu juízo com a sua ignorância, era melhor ter ficado na portaria.

-Por que tratar a moça assim? - Pergunta Pedro.

-Ela devia agradecer, sem mim ela passaria a vida mostrando a bunda em capa de revista.

-eu soube que você realiza ensaios seminus. E pelo o que lutamos a nossa vida toda?

-O muro foi derrubado, os nossos heróis morreram ou os poucos que restam estão pra morrer, comunismo não enche barriga meu filho.

--vai começar a peça. -Bernardo.

Quando Pedro viu aquela mulher, ele teve a certeza que ela era a mulher de sua vida, ela terminaria de criar o Luís Gustavo.

Ela era senhora de si, a sua altivez, a sua posse de si mesma, o seu rosto apesar de jovem, trazia a experiência de mil vidas.

Ao acabar o espetáculo Pedro mandou um buquê de rosas para a atriz, e em cada noite do espetáculo da temporada ele repetia o ato, até o dia em tomaram um drink juntos. Soube que ela era divorciada, tinha uma filha, Angélica. Quando viram já estavam casados.

Pedro era ciumento, Patrícia era atriz. Ele não aceitou a personagem dela, ela beijar outro homem.

-Você não vai fazer essa personagem.

-Quero ver se eu não faço! Eu sou sua esposa, não sou sua propriedade!

Brigavam, depois faziam as pazes.

-Me perdoe.

-Você não confia em mim.

-Eu te amo tanto. -segura as mãos dela, ele chorando -Eu me amo tão pouco, acho que por isso, porque amo de mais você.

-O casamento não é só amor, é confiança, cumplicidade.

Ele foi ver o espetáculo e na cena do beijo ele virou o rosto para não ver.

-Você sentiu tesão ao beijá-lo.

-Por que me pergunta isso?

-Responda.

-Ele é viado! O ator é homossexual porra, mora com outro homem. Está menos preocupado agora?

Pedro tinha um amigo homossexual não assumido, escondia isso da família, Bernardo. sabia onde encontrá-lo na Praia dos Artistas. Pedro gostava de lá, por causa das esculturas.

-Você sente alguma coisa ao beijar a sua esposa.

-Nojo, não dela, de mim, por ser uma coisa que eu não sou, faço amor com ela por obrigação, para ela não desconfiar, para não me cobrar. com licença. -Ele foi até uma mesa onde está um rapaz.

O motivo das desconfianças sumiu por um tempo com a chegada de Florinda, a filha dos dois.

Pedro tinha chegado uma vez em casa e encontrou patrícia dando banho em Luís Gustavo, Luís Gustavo era filho de uma paixonite de adolescente de Pedro, ela antes de morrer pediu para a mãe que entregasse o filho ao pai.

As noites Pedro em cima de Patrícia gozava e ela parada o olhava, ele virava e dormia e ela insatisfeita virava e também dormia.

Certa noite ela pediu:

-Me masturba.

-Pra quê isso? É pecado isso!

-É pecado foder e não sentir nada pelo homem que ama.

A menina crescia e herdava a beleza da mãe, patrícia cada vez mais fazendo sucesso como atriz e Luís Gustavo cada vez mais próximo da mãe adotiva.

-O meu filho revelou a minha esposa que é gay. -Bernardo.

-E ela?

-Fez um escândalo, ele saiu de casa para morar com um rapaz. ele teve a coragem que eu não tive de enfrentar todos e tudo.que bom que minha mãe morreu antes de ver isso, ela dizia que preferia ter um neto marginal, pois morreria logo, do que um neto gay, uma vergonha permanente na família.Por que as vezes somos tão fracassados?

-Vamos estou pronta. -Patrícia.

na festa ela pedia para dançar com o marido e ele recusava dizendo que não sabia dançar. então ela dançou com outro cavalheiro a noite toda.

-Conhece algum bom advogado, a vagabunda se separou de mim e pede direitos, eu nem casei com ela, só morávamos juntos. -Vítor.

Pedro não escutava, só olhava os dois dançando.

No carro.

-Você conhecia o rapaz?

-Não, mas você não vai nem acreditar. Vamos entrar naquele motel.

-Pra que ir para um motel, se temos nosso quarto.

em casa ela aparece de camisola transparente.

-Não precisa disso para mostrar sua beleza, eu te amo.

-Pegue o seu amor e o enfie no lugar que lhe der mais prazer.

O filho já havia entrado na faculdade.

-vai estudar o que mesmo filho?

-Engenharia civil.

-Isso é carreira, carreira é medicina e advocacia. Patrícia menos, quem disse que ela se sustenta com arte. Tem gente que vive tem outros que sobrevivem.
-A área da construção civil está crescendo muito na cidade querido.
-Vai conhecer muitas garotas na faculdade.
-isso eu tenho certeza pai. -Pedro não notou que Luís Gustavo disse isso olhando para Patrícia.
Pedro foi conversar com o filho, sabia pouco da vida dele, o seu único interesse era a sua esposa.
-está namorando?
-Não, mas gosto de uma mulher.
-Por que não namora ela?
-É complicado... Não pode se realizar. por esse amor eu morro e mato.
Certa noite Pedro falou a esposa:
-Se você me largar eu me mato.
-E se eu te trair?
-Eu te mato.
Antes do espetáculo ela sempre se maquiava e ele se perdia no tempo a admirando através do espelho.
-Quero morrer olhando para ti, assim morreria feliz, profundamente feliz.
Pedro começou a desconfiar da esposa, ela se queixava de cansaço, o evitava, não era mais a mesma, tinha segredos para com ele, saia frequentemente.
Ele ao chegar um dia do trabalho ver ela e Luís Gustavo na beira da piscina, ela passando protetor nele, ela acena para Pedro com a mão e Luís vira o rosto e sorrir.
ela tinha outro, isso não saía da cabeça dele, ela o traía, só precisava saber com quem. Começou a segui-la, era verdade, ela só tinha ido visitar uma amiga.
Contratou um detective, este foi rápido, e em menos de um mês o entregou a prova cabal da traição, um envelope com as fotos.
Ele olhava para o envelope e tinha medo, raiva, nojo, ou sei lá o que ele sentia. Foi para o chuveiro chorar. Fez um d'água e ao lado um frasco de comprimidos. Abriu o envelope, para a surpresa ou não, era o seu filho, um menino de apenas 17 anos.
Fechou os olhos, desejou que morresse por um tempo. Ao ver os dois na cama, ela sorrindo enquanto ele a penetrava. Ela não sorriu uma única vez assim enquanto ele comia ela. Vagabunda... Ele tira uma arma e atira nos dois.
Pedro acorda num leito de hospital.
-Tudo bem querido? -Patrícia.
--Que susto pai. -Luís Gustavo.
Ele volta pra casa, e pela manhã fica vigiando os dois da janela, eles tomarem café da manhã no jardim.
Ao certo ninguém sabe o que aconteceu depois disso, só estou repassando como eu soube a história. Dizem que ele aceitou a viver com a esposa, mesmo depois da traição. O filho e ela nunca souberam que ele sabia do caso deles. Ele amava de mais a esposa, e era o seu filho, pelo menos assim ficava tudo em família. As vezes me pergunto e quando ele olhava a face dela, será que ele via aquela mulher que era amada, mas não como queria ou aquela mulher com aquele sorriso de satisfação de se sentir verdadeiramente satisfeita.

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